sábado, 7 março, 2026
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Biometria na Neo Química Arena expõe fraudes e revoluciona Fiel Torcedor

Neo Química Arena

A introdução da biometria facial na Neo Química Arena, em julho de 2025, marcou um avanço significativo na gestão do programa Fiel Torcedor do Corinthians, expondo falhas no sistema de venda de ingressos e reacendendo investigações sobre um esquema paralelo de distribuição. Implementada para cumprir a Lei Geral do Esporte, a tecnologia revelou irregularidades, como o uso indevido de cortesias, e aumentou a transparência na comercialização de entradas. O sistema, que passou a ser obrigatório em estádios com capacidade superior a 20 mil pessoas, permitiu que torcedores com menor pontuação no programa tivessem acesso a ingressos, algo antes dificultado por práticas como o cambismo. A medida, adotada pela diretoria interina do clube, também gerou um aumento na receita de bilheteria, com destaque para o jogo contra o Red Bull Bragantino, que arrecadou R$ 2,36 milhões com 33.847 pagantes.

O impacto da biometria foi sentido desde o primeiro jogo com a tecnologia, em 13 de julho de 2025. A iniciativa, embora tenha enfrentado desafios iniciais, como problemas de acesso em camarotes, trouxe benefícios imediatos, como a redução de cambistas no entorno do estádio. A gestão do Corinthians agora busca consolidar o sistema para garantir maior equidade e eficiência no acesso dos torcedores.

  • Principais mudanças com a biometria:
    • Redução do uso irregular de cortesias.
    • Aumento da participação de torcedores com menor pontuação.
    • Combate ao cambismo no entorno da Neo Química Arena.

Avanço na transparência do Fiel Torcedor

A biometria facial, implementada em conformidade com a Lei Geral do Esporte, trouxe à tona problemas antigos no programa Fiel Torcedor. Antes da tecnologia, cerca de 65% a 70% dos ingressos eram adquiridos por meio do programa, mas o jogo contra o Red Bull Bragantino registrou 81% das entradas compradas por associados, indicando maior controle. A discrepância apontou falhas no sistema anterior, especialmente na distribuição de cortesias, que beneficiavam conselheiros, patrocinadores e até autoridades, com até 1.500 ingressos por jogo, sendo 400 gratuitos.

A prática de distribuir cortesias em grande volume impactava diretamente a arrecadação do clube. Documentos enviados à Polícia Civil em 2024 revelaram que parte dessas entradas alimentava o mercado paralelo, com cambistas revendendo ingressos nos arredores do estádio. Com a biometria, o Corinthians conseguiu reduzir significativamente essa prática, liberando mais de 2.400 ingressos bloqueados para venda direta aos torcedores.

  • Benefícios observados:
    • Liberação de ingressos para torcedores comuns.
    • Aumento na receita de bilheteria.
    • Maior controle sobre a distribuição de entradas.
    • Redução de fraudes e acessos não autorizados.

Desafios iniciais da implementação

A adoção da biometria não ocorreu sem obstáculos. No jogo de estreia da tecnologia, torcedores relataram dificuldades para acessar camarotes, especialmente no setor FielZone, onde quase metade dos erros registrados no sistema ocorreram. A taxa de falhas, no entanto, foi baixa, inferior a 0,5%, segundo o clube. O Corinthians destacou que mais de 100 mil torcedores já haviam cadastrado seus rostos no sistema até julho, mas a falta de testes prévios gerou críticas.

Torcedores também enfrentaram problemas com o recadastramento, necessário para manter os planos ativos no Fiel Torcedor. A torcida organizada Gaviões da Fiel, por exemplo, quitou parte de uma dívida de R$ 123.270 referente a 4.110 associados, mas ainda enfrenta pendências financeiras que ultrapassam R$ 500 mil. A gestão interina do clube trabalha para resolver esses entraves, enquanto estuda a rescisão de contratos com empresas responsáveis por setores como o FielZone.

  • Principais dificuldades:
    • Falhas no acesso a camarotes no jogo de estreia.
    • Necessidade de recadastramento facial para sócios.
    • Atrasos na implementação devido a divergências com fornecedores.

Impacto financeiro e na torcida

A biometria trouxe um impacto direto na arrecadação do Corinthians. O jogo contra o Red Bull Bragantino, com 33.847 pagantes, gerou R$ 2,36 milhões, valor próximo ao de partidas com públicos superiores a 42 mil torcedores antes da tecnologia. A redução de cortesias, que chegavam a 3 mil por jogo, foi um fator determinante para o aumento da receita. Além disso, o programa Fiel Torcedor registrou um crescimento de 15 mil associados em uma semana, impulsionado pela maior disponibilidade de ingressos.

A medida também democratizou o acesso ao estádio. Torcedores com menor pontuação, que antes enfrentavam dificuldades para comprar entradas, agora conseguem acompanhar os jogos. Isso gerou uma renovação no perfil dos frequentadores da Neo Química Arena, com mais torcedores eventuais ocupando lugares antes dominados por sócios com alta pontuação.

  • Números financeiros:
    • Arrecadação de R$ 2,36 milhões no jogo contra o Bragantino.
    • Crescimento de 15 mil associados no Fiel Torcedor.
    • Corte de 3 mil ingressos de cortesia por partida.
    • Redução de 30% nas atividades de cambistas no entorno.

Tecnologia como aliada contra fraudes

A biometria facial tornou-se uma ferramenta essencial para combater fraudes no programa Fiel Torcedor. Antes da implementação, o sistema enfrentava problemas como a venda irregular de ingressos e o uso de logins genéricos, como o intitulado “Diretoria”, que bloqueava milhares de entradas. A tecnologia, fornecida pela empresa Bepass, impede a transferência de ingressos, garantindo que apenas o titular cadastrado possa acessar o estádio.

Apesar das críticas iniciais pela demora na adoção — o Corinthians foi o último clube da Série A a implementar o sistema —, a tecnologia trouxe maior segurança. Ricardo Okabe, gerente de operações da Neo Química Arena, já havia alertado em 2024 sobre a presença de cambistas, mas a falta de ação na época agravou o problema. Agora, com o sistema em funcionamento, o clube planeja expandir a tecnologia para outros setores, como vendas online e controle de acesso em treinos abertos.

  • Medidas antifraude:
    • Identificação única por torcedor via biometria.
    • Fim da transferência de ingressos entre associados.
    • Monitoramento em tempo real de acessos ao estádio.
    • Redução de logins genéricos no sistema de vendas.

Futuro do programa Fiel Torcedor

A gestão interina do Corinthians, liderada por Osmar Stabile, vê na biometria uma oportunidade de reestruturar o Fiel Torcedor. Além de aumentar a transparência, o clube busca resolver dívidas de torcidas organizadas, como a Gaviões da Fiel, que acumulam pendências de anuidades desde 2023. O recadastramento facial também visa atualizar a base de sócios, eliminando cadastros inativos ou fraudulentos.

A tecnologia deve ser aprimorada nos próximos meses, com ajustes nos sistemas de acesso e maior integração com plataformas digitais. O clube também planeja campanhas para incentivar o cadastro biométrico, visando atingir 100% dos associados ativos. A medida, segundo a diretoria, é essencial para manter a Neo Química Arena como um espaço seguro e acessível para a torcida.

  • Próximos passos:
    • Ajustes no sistema de acesso a camarotes.
    • Campanhas para cadastro biométrico de todos os sócios.
    • Expansão da tecnologia para outros serviços do clube.
    • Regularização de dívidas de torcidas organizadas.
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