O atacante Bruno Henrique, do Flamengo, foi denunciado pela Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por suposta manipulação de apostas esportivas durante o Campeonato Brasileiro de 2023. A denúncia, anunciada em 1º de agosto de 2025, refere-se a um jogo contra o Santos, pela 31ª rodada, disputado em 1º de novembro de 2023, no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o jogador teria avisado seu irmão, Wander Nunes Pinto Júnior, sobre a intenção de receber um cartão amarelo, possibilitando apostas lucrativas. A ação resultou em advertência e expulsão do atleta no fim da partida. A denúncia abrange infrações ao Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) e ao regulamento da CBF, com penas que podem chegar a dois anos de suspensão e multa de até R$ 100 mil. Bruno Henrique também responde na Justiça Comum, onde ele e seu irmão enfrentam acusações criminais por fraude esportiva.
O caso ganhou destaque após a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) receber um alerta da International Betting Integrity Association (IBIA), apontando movimentações atípicas em apostas relacionadas ao cartão amarelo de Bruno Henrique. A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (GAECO), revelou mensagens interceptadas entre o jogador e seu irmão, indicando planejamento para a advertência. Apesar da gravidade, o STJD não aplicará suspensão preventiva, permitindo que o atleta continue jogando pelo Flamengo, incluindo a próxima partida contra o Ceará, no domingo, 3 de agosto.
A denúncia na Justiça Desportiva marca um novo capítulo em um caso que abala o futebol brasileiro, levantando questões sobre integridade no esporte. O processo criminal, em paralelo, pode resultar em penas de dois a seis anos de prisão para Bruno Henrique e seu irmão, caso condenados. A defesa do jogador insiste na inocência, alegando que as acusações são inconsistentes e que o cartão amarelo não alterou o resultado do jogo.
- Principais pontos da denúncia:
- Suposta manipulação de apostas em jogo do Brasileirão de 2023.
- Envolvimento de familiares, incluindo o irmão do jogador.
- Possíveis punições incluem suspensão de até 720 dias e multa.
- Processo criminal em andamento na Justiça Comum.
Detalhes da denúncia no STJD
A denúncia apresentada pela Procuradoria do STJD baseia-se em múltiplos artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O jogador é acusado de violar o artigo 243, que trata de condutas prejudiciais à equipe, e o artigo 243-A, específico para manipulação de resultados. Além disso, infringiu o artigo 184, por descumprimento de normas éticas, e o artigo 191, inciso III, por desrespeito ao regulamento da CBF. O artigo 65 do regulamento geral de competições de 2023 também foi citado, reforçando a gravidade das infrações.

A investigação começou após um alerta da IBIA, que identificou apostas atípicas em plataformas como Betano, GaleraBET e KTO, concentradas em Belo Horizonte, cidade natal do jogador. As mensagens trocadas entre Bruno Henrique e seu irmão, Wander, sugerem que o cartão amarelo foi planejado para beneficiar apostadores próximos, incluindo familiares. O lucro obtido, embora modesto – como os R$ 1.180,67 recebidos por Wander a partir de uma aposta de R$ 380,86 –, levantou suspeitas devido ao volume e à origem das apostas.
O STJD concluiu o relatório do caso em 31 de julho de 2025, e a Procuradoria tem até 6 de agosto para formalizar a denúncia ou arquivar o processo. A decisão será crucial para a carreira de Bruno Henrique, que pode enfrentar punições severas, incluindo suspensão de 360 a 720 dias e multa de R$ 100 a R$ 100 mil, caso condenado. A defesa do jogador argumenta que o cartão não alterou o resultado da partida, perdida pelo Flamengo por 2 a 1, mas o juiz Fernando Brandini Barbagalo, da 7ª Vara Criminal de Brasília, destacou que o regulamento do Brasileirão considera cartões como critério de desempate, validando a denúncia.
- Infrações citadas no CBJD:
- Artigo 243: Atuação prejudicial à equipe.
- Artigo 243-A: Manipulação de resultados esportivos.
- Artigo 184: Violação de normas éticas.
- Artigo 191, inciso III: Descumprimento de regulamento.
Contexto da partida contra o Santos
O incidente ocorreu na 31ª rodada do Brasileirão de 2023, em 1º de novembro, no estádio Mané Garrincha. Aos 50 minutos do segundo tempo, Bruno Henrique cometeu uma falta sobre o jogador Soteldo, do Santos, recebendo cartão amarelo. Após o apito final, o atacante foi expulso por reclamação contra a arbitragem, agravando a suspeita de manipulação. A partida terminou com vitória do Santos por 2 a 1, mas o cartão amarelo gerou lucros para apostadores, incluindo familiares do jogador.
A investigação revelou que Wander, irmão de Bruno Henrique, e sua esposa, Ludymilla Arújo Lima, realizaram apostas em plataformas distintas, lucrando valores como R$ 1.180,67 e R$ 1.425,00. Uma prima do atleta, Poliana Ester Nunes Cardoso, também apostou e obteve retorno idêntico ao de Wander. As apostas, concentradas em novas contas e em volumes atípicos, chamaram a atenção das autoridades.
A defesa de Bruno Henrique tentou arquivar o caso, alegando que os lucros eram insignificantes em comparação ao salário do jogador e que não havia conexão direta com outros apostadores. No entanto, o juiz Barbagalo rejeitou o argumento, apontando que a conduta se enquadra no crime de fraude esportiva, conforme o artigo 200 da Lei Geral do Esporte.
Impacto no Flamengo e na carreira do jogador
Bruno Henrique, peça-chave do Flamengo, segue à disposição do técnico Filipe Luís enquanto o processo tramita. O clube, que mantém contrato de patrocínio com uma plataforma de apostas, reforçou a presunção de inocência do atleta e não planeja afastá-lo. A alta cúpula rubro-negra acompanha o caso de perto, estudando estratégias jurídicas para minimizar possíveis impactos.
O jogador, que já enfrentou críticas por oscilações de desempenho em 2025, pode ter sua participação em jogos decisivos, como o confronto contra o Atlético-MG pela Copa do Brasil em 6 de agosto, comprometida, dependendo da decisão do STJD. A audiência marcada para 26 de maio de 2025, onde Bruno Henrique e outros investigados serão ouvidos, será um momento decisivo.
- Possíveis consequências para Bruno Henrique:
- Suspensão de 360 a 720 dias no âmbito esportivo.
- Multa de até R$ 100 mil.
- Pena de dois a seis anos de prisão, se condenado na Justiça Comum.
- Impacto na imagem pública e na carreira no Flamengo.
Reações e desdobramentos judiciais
A denúncia gerou reações no meio esportivo, com torcedores e analistas divididos. Alguns defendem que o cartão amarelo foi circunstancial, enquanto outros apontam a gravidade do caso para a credibilidade do futebol brasileiro. A investigação da Polícia Federal, iniciada em abril de 2025, revelou dois núcleos de apostadores: um ligado aos familiares de Bruno Henrique e outro com pessoas próximas a Claudinei Vitor Mosquete Bassan, amigo de Wander.
Na Justiça Comum, o MPDFT acusou Bruno Henrique e seu irmão de fraude esportiva e estelionato, mas as denúncias contra outros oito investigados, incluindo primos do jogador, foram rejeitadas por falta de elementos para enquadrá-los em estelionato. A promotoria tentou oferecer acordos de não persecução penal a alguns denunciados, mas Bruno Henrique não recebeu essa proposta, devido à gravidade do caso.
A defesa do jogador entrou com pedidos de habeas corpus e arquivamento, todos negados, incluindo uma solicitação rejeitada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 22 de julho de 2025. O caso segue em aberto, com a possibilidade de novas provas e depoimentos influenciarem o desfecho.
- Marcos do processo judicial:
- Abril de 2025: Indiciamento pela Polícia Federal.
- Junho de 2025: MPDFT mantém fiança de R$ 2 milhões, rejeitada pela defesa.
- Julho de 2025: Denúncia aceita pela 7ª Vara Criminal de Brasília.
- Agosto de 2025: STJD formaliza denúncia na esfera esportiva.
Integridade no futebol brasileiro
O caso de Bruno Henrique reacende o debate sobre a integridade no futebol brasileiro, especialmente em um contexto de crescimento das apostas esportivas. A CBF, em parceria com a Sportradar e a IBIA, intensificou a vigilância sobre movimentações at Aldoativas, mas especialistas apontam dificuldades em monitorar ações individuais, como cartões amarelos.
O envolvimento de um jogador de destaque como Bruno Henrique destaca a necessidade de regulamentações mais rígidas. A CBF e o STJD enfrentam pressão para agir rapidamente, a fim de preservar a confiança no esporte.
- Medidas para proteger a integridade do futebol:
- Monitoramento de apostas por empresas como Sportradar e IBIA.
- Punições severas para manipulação de resultados.
- Cooperação entre CBF, Polícia Federal e Ministério Público.
- Campanhas educativas para atletas sobre riscos de apostas.
