Bruno Henrique, atacante do Flamengo, enfrenta julgamento no STJD em setembro por suposta manipulação de cartões em jogo contra o Santos, em 2023. Acusado de forçar um cartão amarelo para beneficiar apostadores, ele pode ser suspenso por até dois anos e multado em R$ 200 mil. O caso, distribuído à 1ª Comissão Disciplinar, não afetará sua participação nas oitavas da Libertadores. Outros quatro envolvidos, incluindo seu irmão, também foram denunciados.
Denúncia por manipulação de cartões
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) marcou para o início de setembro o julgamento do atacante Bruno Henrique, do Flamengo, acusado de forçar um cartão amarelo em partida contra o Santos, pelo Brasileirão de 2023. A denúncia, baseada em investigações da Polícia Federal, aponta que o jogador teria agido para beneficiar apostadores, incluindo familiares. A 1ª Comissão Disciplinar, presidida por Marcelo da Rocha Ribeiro Dantas, conduzirá o caso, que pode resultar em até dois anos de suspensão, 24 partidas afastado e multa de até R$ 200 mil.
A acusação envolve artigos 243 e 243-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que tratam de manipulação de resultados e condutas antidesportivas. Além de Bruno Henrique, outros quatro indivíduos, todos atletas amadores e ligados ao irmão do jogador, Wander Nunes Pinto Júnior, também foram denunciados.
- Artigos do CBJD aplicados: 243 (manipulação de resultados) e 243-A (conduta antidesportiva).
- Punições possíveis: suspensão de até 720 dias e multa de até R$ 200 mil.
- Envolvidos: Bruno Henrique, Wander Nunes, Claudinei Vitor Mosquete Bassan, Andryl Reis e Douglas Barcelos.
- Jogo investigado: Flamengo x Santos, 1º de novembro de 2023, em Brasília.
Cronologia do caso
As investigações começaram em 2024, quando a Polícia Federal identificou indícios de manipulação no jogo entre Flamengo e Santos, ocorrido em 1º de novembro de 2023, no Estádio Mané Garrincha. Bruno Henrique recebeu um cartão amarelo por falta em Soteldo e, posteriormente, foi expulso após reclamação, lances considerados suspeitos. A Diretoria de Ética e Conformidade da Conmebol, em parceria com a Sportradar, alertou o STJD em agosto de 2024 sobre comportamentos atípicos.
O inquérito foi inicialmente arquivado por falta de provas, mas reaberto em abril de 2025 após novas evidências da Polícia Federal. Em maio, o STJD realizou audiências com Bruno Henrique e outras nove testemunhas, incluindo seu irmão. A procuradoria concluiu o relatório em julho, e a denúncia foi formalizada em 1º de agosto de 2025.
- Agosto de 2024: Conmebol alerta STJD sobre cartão suspeito.
- Abril de 2025: Inquérito reaberto com novas provas da Polícia Federal.
- Maio de 2025: Audiência com Bruno Henrique e testemunhas.
- Julho de 2025: Relatório finalizado e denúncia formalizada.
Impacto no Flamengo
O adiamento do julgamento para setembro garante que Bruno Henrique poderá atuar nas oitavas de final da Libertadores, contra o Internacional, nos dias 13 e 20 de agosto. O Flamengo, que defende a presunção de inocência do jogador, planeja utilizá-lo normalmente até uma decisão oficial. A diretoria rubro-negra, ciente da gravidade do caso, prepara uma defesa robusta, liderada pelos advogados Michel Assef Filho, Flávio Willeman e Marcos Motta.
O clube emitiu nota oficial em abril de 2025, destacando seu compromisso com o fair play, mas também a importância do devido processo legal. Internamente, o Flamengo considera a situação delicada, mas evita antecipar punições até a conclusão do julgamento.
Defesa e argumentos
A defesa de Bruno Henrique, conduzida pelo advogado Ricardo Pieri Nunes, argumenta que forçar cartões é uma prática comum no futebol, frequentemente usada como estratégia tática e não configuraria crime. Em maio de 2025, a defesa pediu o arquivamento do caso na 7ª Vara Criminal de Brasília, mas o pedido foi negado, e as provas foram compartilhadas com o STJD e a CPI da Manipulação de Jogos no Senado.
A investigação revelou mensagens entre Bruno Henrique e seu irmão, nas quais o jogador teria confirmado a intenção de receber um cartão contra o Santos. Apesar disso, a defesa sustenta que não há evidências de ganho financeiro direto pelo atleta, o que poderia atenuar a pena.
- Argumento principal: forçar cartões é prática tática comum no futebol.
- Pedido da defesa: arquivamento do caso por ausência de crime.
- Provas: mensagens entre Bruno Henrique e Wander Nunes.
- Decisão judicial: compartilhamento de provas com STJD e CPI.
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Repercussão e contexto esportivo
O caso de Bruno Henrique reacende o debate sobre manipulação de resultados no futebol brasileiro. A CPI do Senado, que investigou o tema em 2025, criticou o arquivamento inicial do STJD em 2024, classificando-o como precipitado. A entidade apontou a necessidade de maior rigor na apuração de casos de apostas esportivas, que têm crescido com a popularização das plataformas de apostas.
No âmbito esportivo, a possível suspensão de Bruno Henrique seria um golpe para o Flamengo, que conta com o atacante como peça-chave no elenco. O jogador, que segue em atividade, participou de partidas recentes, como contra o Ceará, pelo Brasileirão, e mantém o apoio do clube e da comissão técnica, liderada por Filipe Luís.
- Declaração de Filipe Luís (novembro de 2024): “Partimos da presunção de inocência. Ele se diz inocente e está bem.”
- Impacto no elenco: Bruno Henrique é titular e referência no ataque.
- Contexto: aumento de casos de apostas no futebol brasileiro.
Próximos passos no STJD
A 1ª Comissão Disciplinar do STJD, responsável pelo julgamento, tem agenda lotada, o que levou à marcação para setembro. A audiência de 18 de agosto não incluirá o caso devido ao volume de processos, mas a data oficial, possivelmente 1º de setembro, será confirmada em breve. O tribunal avalia se haverá suspensão preventiva, mas a tendência é que Bruno Henrique siga jogando até o julgamento.
A procuradoria do STJD, liderada por Paulo Dantas, considera as provas robustas, incluindo mensagens e depoimentos. Contudo, a decisão final dependerá da análise dos auditores, que podem aplicar penas variadas, desde advertência até a suspensão máxima de dois anos.
- Próxima audiência: prevista para 1º de setembro.
- Possível suspensão preventiva: até 30 dias, prorrogáveis por mais 30.
- Auditores envolvidos: Marcelo da Rocha Ribeiro Dantas e Maxwell Borges de Moura Vieira.
Paralelo na esfera criminal
Além do STJD, Bruno Henrique é réu em um processo criminal na Justiça do Distrito Federal, acusado de estelionato e manipulação de resultados. A pena máxima, se condenado, pode chegar a 17 anos de prisão, embora a defesa acredite em absolvição ou pena reduzida. O caso envolve a casa de apostas Blaze, que teria recebido apostas relacionadas ao cartão de Bruno Henrique.
A Justiça negou sigilo ao processo e autorizou o compartilhamento de provas com o STJD e a CPI do Senado, ampliando a exposição do caso. A investigação criminal segue em paralelo, com foco nas mensagens trocadas entre o jogador e seu irmão, que intermediava as apostas.
- Acusação criminal: estelionato e manipulação de resultados.
- Pena máxima: até 17 anos de prisão.
- Envolvidos: Bruno Henrique, Wander Nunes e familiares.
- Empresa citada: Blaze, operadora de apostas.
