sexta-feira, 6 março, 2026
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Golpe dos avós’ atinge 400 idosos nos EUA com prejuízo de R$ 26,9 milhões

Uma operação transnacional de fraude, conhecida como “golpe dos avós”, foi desarticulada após causar prejuízos de mais de R$ 26,9 milhões a cerca de 400 idosos nos Estados Unidos, com idade média de 84 anos. Treze pessoas foram indiciadas por operar um sofisticado call center na República Dominicana, de onde enganavam vítimas, principalmente em Massachusetts, fingindo ser netos ou outros parentes em situações de emergência. As ligações, feitas em inglês, manipulavam os idosos para que enviassem dinheiro, que era lavado e transferido de volta ao país caribenho. A quadrilha utilizava motoristas de aplicativos e serviços de correio para coletar os valores, muitas vezes retornando para extorquir as mesmas vítimas. As autoridades americanas e dominicanas colaboraram na investigação, que revelou um esquema estruturado e tecnologicamente avançado.

A rede criminosa operava com precisão, explorando a vulnerabilidade emocional dos idosos. As vítimas eram convencidas a realizar pagamentos urgentes para supostos problemas familiares, como acidentes ou prisões. A operação, que gerou lucros milionários, chocou pela ousadia e pela organização dos golpistas, que enfrentam agora acusações graves.

Como funcionava o esquema: Os golpistas iniciavam com uma ligação se passando por um neto em apuros, seguida por outra de um suposto advogado pedindo dinheiro para honorários ou fianças.

Métodos de coleta: Pacotes de dinheiro eram recolhidos por motoristas de aplicativos ou enviados por correio a endereços específicos.

Lavagem de dinheiro: Os valores eram transferidos para a República Dominicana após passarem por uma rede de cúmplices nos EUA.

Perfil das vítimas: Idosos, com média de 84 anos, alvos fáceis pela confiança e menor familiaridade com tecnologia.

Modus operandi da quadrilha

Os golpistas dominicanos usavam técnicas sofisticadas para enganar suas vítimas. As chamadas eram feitas com tecnologia de spoofing, que mascarava a origem das ligações, fazendo parecer que vinham dos Estados Unidos. Um integrante da quadrilha, chamado de “abridor”, iniciava o contato fingindo ser um parente em apuros, como um neto que sofrera um acidente de carro ou fora preso. Em seguida, um “fechador” assumia, posando como advogado, policial ou funcionário judicial, para convencer a vítima a pagar altas quantias em dinheiro.

PeopleImages.com – Yuri A/shutterstock.com

A manipulação psicológica era central no esquema. Os golpistas criavam um senso de urgência, explorando o amor e a preocupação dos idosos por seus familiares. Em muitos casos, após a vítima enviar o primeiro pagamento, recebia novas ligações pedindo mais dinheiro, com pretextos adicionais. A quadrilha contava com uma rede de mensageiros nos EUA, que coletavam o dinheiro diretamente nas casas das vítimas ou em pontos combinados, muitas vezes usando nomes falsos e recibos fraudulentos.

Tecnologia de spoofing: Fazia chamadas parecerem locais, aumentando a credibilidade do golpe.

Divisão de papéis: “Abridores” iniciavam o contato, enquanto “fechadores” finalizavam a extorsão.

Uso de mensageiros: Motoristas de aplicativos ou entregadores coletavam o dinheiro em espécie.

Retorno às vítimas: Após o primeiro pagamento, golpistas ligavam novamente para extrair mais fundos.

Estrutura transnacional do golpe

A operação criminosa era altamente estruturada, com divisões claras de tarefas entre os membros. Na República Dominicana, o call center funcionava como uma empresa, com computadores, telefones e equipes trabalhando em tempo integral. A quadrilha contava com “despachadores” que coordenavam os mensageiros nos EUA, responsáveis por recolher o dinheiro e enviá-lo ao exterior. A lavagem de dinheiro era outro pilar do esquema, com os lucros sendo movimentados por meio de transferências bancárias, criptomoedas e outros métodos para dificultar o rastreamento.

As autoridades estimam que o grupo operava há pelo menos três anos, vitimando idosos em estados como Nova York, Nova Jersey, Pensilvânia e Massachusetts. A colaboração entre o FBI, a Homeland Security Investigations (HSI) e a polícia dominicana foi essencial para desmantelar a rede. Durante os raides, foram apreendidos computadores, celulares, armas, veículos e cerca de US$ 400 mil em dinheiro, evidenciando a escala da operação.

Call centers ilegais: Operavam em cidades como Santiago, Santo Domingo e Puerto Plata.

Lavagem sofisticada: Uso de criptomoedas e transferências internacionais para ocultar lucros.

Apreensões: Equipamentos eletrônicos, veículos de luxo e dinheiro em espécie foram confiscados.

Impacto nas vítimas

Os idosos alvos do golpe sofreram não apenas perdas financeiras, mas também traumas emocionais. Muitos entregaram economias de anos, acreditando estar ajudando familiares em situações críticas. Em alguns casos, as vítimas enviaram dezenas de milhares de dólares, com prejuízos individuais que variavam de US$ 10 mil a US$ 50 mil. A repetição dos contatos por parte dos golpistas agravava o impacto, explorando a confiança e a fragilidade das vítimas.

A média de idade de 84 anos reflete a escolha deliberada de alvos vulneráveis, com menor capacidade de identificar fraudes ou buscar ajuda. Organizações de proteção ao consumidor, como a Comissão Federal de Comércio (FTC), alertam que idosos são alvos frequentes devido à confiança em chamadas telefônicas e à menor familiaridade com golpes digitais.

Perdas individuais: Variavam de US$ 10 mil a US$ 50 mil por vítima.

Trauma emocional: Idosos enfrentaram estresse e medo após acreditar em emergências falsas.

Alvos vulneráveis: Escolha de vítimas com baixa familiaridade tecnológica.

Resposta das autoridades

A investigação, que culminou na Operação Cidade de Caballeros, envolveu meses de cooperação entre autoridades americanas e dominicanas. Raides simultâneos em Santiago de Caballeros e outras cidades resultaram na prisão de 60 pessoas na República Dominicana e 50 nos EUA, muitas em Nova York. Os 13 indiciados enfrentam acusações de fraude postal, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro, com penas que podem chegar a 20 anos de prisão por cada crime.

A colaboração internacional foi destacada como essencial para combater crimes transnacionais. O FBI e a HSI continuam investigando possíveis ramificações do esquema, enquanto a Procuradoria Dominicana busca identificar outros envolvidos. A FTC recomenda que vítimas de golpes similares denunciem à Comissão ou ao Centro de Queixas de Delitos na Internet do FBI.

Operação Cidade de Caballeros: Raides em call centers ilegais na República Dominicana.

Prisões: 60 detidos no Caribe e 50 nos EUA, principalmente em Nova York.

Penas potenciais: Até 20 anos por fraude e mais 20 por lavagem de dinheiro.

Prevenção contra fraudes semelhantes

A disseminação de golpes como o “golpe dos avós” levou as autoridades a reforçar campanhas de conscientização. A FTC e outras organizações recomendam cautela com chamadas inesperadas, especialmente aquelas que criam urgência ou solicitam informações pessoais. Verificar diretamente com familiares antes de realizar qualquer pagamento é uma medida simples, mas eficaz.

Os idosos são incentivados a discutir chamadas suspeitas com pessoas de confiança e a evitar transferências por meios como MoneyGram, Western Union ou criptomoedas. Denunciar tentativas de golpe, mesmo que não resultem em perdas, ajuda as autoridades a rastrear e desmantelar redes criminosas.

Verificação familiar: Ligar para o suposto parente em apuros antes de enviar dinheiro.

Evitar pagamentos urgentes: Desconfiar de solicitações de transferência imediata.

Denúncias: Reportar à FTC ou ao Centro de Queixas do FBI para investigação.

Conscientização: Idosos devem ser alertados sobre golpes telefônicos comuns.

Cooperação internacional na luta contra o cibercrime

A desarticulação da quadrilha reflete o crescente desafio do cibercrime transnacional. A colaboração entre países é essencial para enfrentar redes que operam além das fronteiras, utilizando tecnologia avançada e táticas de engenharia social. A Procuradoria Geral da República Dominicana destacou a operação como um marco no combate a fraudes eletrônicas, enquanto o FBI reforçou a necessidade de vigilância contínua.

A rede desmantelada operava em várias cidades dominicanas, como Santiago, Santo Domingo, La Vega e Puerto Plata, evidenciando a escala do problema. As autoridades apreenderam equipamentos eletrônicos, armas e veículos de luxo, indicando que os lucros eram reinvestidos em bens de alto valor. A investigação segue para identificar possíveis novos alvos e ramificações do esquema.

Colaboração global: FBI, HSI e polícia dominicana trabalharam em conjunto.

Cidades envolvidas: Call centers operavam em múltiplas regiões da República Dominicana.

Apreensões: Equipamentos, armas e US$ 400 mil em dinheiro confiscados.

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