Meryl Streep, ícone do cinema com mais de 70 filmes e 21 indicações ao Oscar, revelou em uma recente conversa no Festival de Cannes 2024 que o beijo com Robert Redford em “Entre Dois Amores” (1985) foi o mais marcante de sua carreira. A atriz, que interpretou a baronesa dinamarquesa Karen Blixen, destacou a química única com Redford, que deu vida ao caçador Denys Finch Hatton, em uma produção que conquistou sete estatuetas no Oscar. Durante as filmagens no Quênia, sob a direção de Sydney Pollack, a dupla enfrentou desafios como a presença de animais selvagens, mas criou momentos de rara intimidade, como a icônica cena do shampoo à beira do rio. Streep descreveu a experiência como profundamente delicada, um marco em sua trajetória, e elogiou a sutileza de Redford, refutando críticas à sua atuação. A revelação reacende o interesse no clássico romântico, que continua a encantar gerações.
A declaração de Streep veio à tona durante um evento em Cannes, onde ela recebeu a Palma de Ouro honorária. A atriz, então com 74 anos, emocionou o público ao relembrar a parceria com Redford, hoje com 87 anos, e a conexão que transcendeu as telas. O filme, baseado no livro autobiográfico de Karen Blixen, marcou época pela narrativa envolvente e pela química entre os protagonistas, que, segundo Streep, trouxe uma nova perspectiva à sensualidade no cinema.
- Momentos marcantes: A cena do shampoo, com Redford recitando versos de “The Rime of the Ancient Mariner”, foi descrita como uma “cena de amor” por sua intimidade.
- Desafios no set: A presença de hipopótamos e leões importados da Califórnia exigiu cuidados extras durante as gravações no Quênia.
- Impacto do filme: “Entre Dois Amores” arrecadou mais de 250 milhões de dólares em bilheteria global e é um marco do gênero romântico.
- Carreira de Streep: Com três Oscars e uma carreira de quase cinco décadas, ela é considerada uma das maiores atrizes vivas.
Química única entre Streep e Redford
A conexão entre Meryl Streep e Robert Redford durante as filmagens de “Entre Dois Amores” foi além do profissional. Streep admitiu ter desenvolvido uma forte admiração pelo colega, descrevendo-o como um ouvinte excepcional e um ator de presença marcante. Em entrevista ao South Florida Sun Sentinel em 1985, ela revelou que a proximidade com Redford facilitou a construção da história de amor no filme. Essa química, no entanto, causou desconforto ao diretor Sydney Pollack, que, segundo Redford, tentou limitar as interações da dupla fora das câmeras para manter o foco no projeto.
A relação entre os dois atores era alimentada por conversas descontraídas e um senso de humor compartilhado. Redford, já um ícone de Hollywood após sucessos como “Butch Cassidy and the Sundance Kid”, trouxe experiência e carisma, enquanto Streep, aos 36 anos, estava em ascensão com cinco indicações ao Oscar. A dinâmica resultou em cenas que capturaram a essência de um amor complexo, marcado por paixão e independência.
- Intimidade em cena: A cena do shampoo foi filmada em cinco takes, com Redford recebendo dicas do maquiador de Streep para melhorar sua técnica.
- Tensão com o diretor: Pollack desaprovava a proximidade entre os atores, temendo que afetasse a visão do filme.
- Legado duradouro: A química da dupla é frequentemente citada como um dos pontos altos do cinema romântico dos anos 1980.
Bastidores desafiadores no Quênia
As filmagens de “Entre Dois Amores” ocorreram em locações no Quênia, trazendo desafios logísticos e ambientais. A equipe enfrentou a presença de animais selvagens, como leões e hipopótamos, que representavam riscos reais. Streep relembrou em Cannes que a produção alertou sobre os perigos dos hipopótamos, conhecidos por serem os animais mais letais da África quando separados da água. Apesar das dificuldades, a atriz destacou que esses obstáculos intensificaram a experiência, tornando as cenas ainda mais memoráveis.
O set também foi palco de embates criativos. Sydney Pollack inicialmente questionou a escalação de Streep, considerando-a pouco sensual para o papel de Karen Blixen, e chegou a cogitar Jane Seymour. No entanto, a autenticidade e o comprometimento da atriz o convenceram. Conflitos surgiram, especialmente sobre a voz de Blixen, com Streep insistindo em um tom aristocrático que Pollack achava exagerado.
- Riscos no set: A equipe precisou monitorar constantemente a presença de animais selvagens para garantir a segurança.
- Escolha de elenco: A decisão de escalar Streep veio após ela demonstrar uma abordagem direta e sem rodeios.
- Conflitos criativos: As discussões sobre o sotaque de Blixen refletiram a dedicação de Streep à autenticidade.
- Sucesso comercial: O filme foi um hit, com bilheteria global que superou expectativas para um drama romântico.
Elogios à atuação de Redford
Meryl Streep não hesitou em defender Robert Redford contra críticas que classificavam sua atuação como “fria” ou “distante”. Em entrevistas, ela destacou a sutileza do ator, argumentando que sua interpretação de Denys Finch Hatton trouxe profundidade ao personagem. A visão de Streep ecoa entre fãs e críticos que revisitam o filme, apontando que a contenção de Redford reflete a personalidade reservada do caçador, contrastando com a intensidade emocional de Karen Blixen.
A parceria entre os dois também se estendeu a outro projeto, “Lions for Lambs” (2007), embora com menos impacto. A força de “Entre Dois Amores” reside na habilidade de ambos em transmitir emoção com gestos sutis, como olhares e toques, que marcaram o público.
- Defesa de Streep: A atriz refutou críticas ao colega, elogiando sua capacidade de transmitir emoção com economia.
- Segundo encontro: A reunião em “Lions for Lambs” não repetiu o mesmo brilho, mas reforçou o respeito mútuo.
- Impacto visual: A fotografia de David Watkin, premiada com um Oscar, ampliou a força das atuações.
Legado de “Entre Dois Amores”
O filme permanece como um marco do cinema romântico, com sua trilha sonora de John Barry e a fotografia de locações africanas ainda celebradas. A história de Karen Blixen, baseada em seu livro homônimo, explora temas de amor, perda e resiliência, ressoando com audiências globais. A atuação de Streep rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, enquanto o filme venceu em categorias como Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado.
A revelação de Streep em Cannes reacendeu o interesse pelo filme, com plataformas de streaming registrando aumento na procura pelo título. A cena do shampoo, em particular, é frequentemente citada em listas de momentos mais românticos do cinema, destacando a habilidade da dupla em criar intimidade sem recorrer a clichês.
- Prêmios conquistados: Sete Oscars, incluindo Melhor Filme, consolidaram o status do longa.
- Impacto cultural: A cena do shampoo é um ícone do romantismo, influenciando outras produções.
- Relevância atual: O filme continua a atrair novos públicos em plataformas digitais.
- Influência de Blixen: A narrativa autobiográfica trouxe autenticidade à adaptação.
Influência de Streep no cinema
Aos 74 anos, Meryl Streep segue como referência no cinema, com uma carreira que abrange dramas, comédias e musicais. Sua habilidade de mergulhar em personagens complexos, como em “A Escolha de Sofia” e “Kramer vs. Kramer”, a tornou um ícone. A parceria com Redford é apenas uma faceta de sua trajetória, mas reflete sua capacidade de elevar qualquer produção.
A atriz também se destaca fora das telas, com ativismo ambiental e apoio a roteiristas mulheres. Sua conexão com Redford, que recomendou a organização Natural Resources Defense Council, influenciou seu engajamento com causas ecológicas.
- Versatilidade: Streep transitou por gêneros diversos, de dramas históricos a musicais como “Mamma Mia!”.
- Ativismo: Sua atuação em causas ambientais começou após experiências nas filmagens de “Entre Dois Amores”.
- Reconhecimento: A Palma de Ouro honorária em Cannes 2024 celebra sua contribuição ao cinema.
