Naná Silva, a tenista brasileira de apenas 15 anos oriunda da comunidade Real Parque, no Morumbi, em São Paulo, realizou uma virada impressionante nesta segunda-feira, 8 de setembro de 2025, ao derrotar a experiente compatriota Carolina Meligeni Alves por 2 sets a 1, com parciais de 6/7 (0-7 no tie-break), 6/2 e 6/0, na estreia da chave principal do SP Open, torneio WTA 250 disputado no Parque Villa-Lobos, na capital paulista. O confronto, que durou 1 hora e 49 minutos nas quadras duras do evento, marcou a primeira vitória da jovem em um torneio de elite da WTA, impulsionada pela agressividade renovada a partir do segundo set e pelo apoio de uma torcida dividida, mas entusiástica. Naná, que entrou na chave principal graças a um convite da organização, agora avança às oitavas de final para enfrentar a argentina Solana Sierra, ranqueada como a 82ª do mundo, em um duelo previsto para terça-feira, 9 de setembro, representando um salto significativo em sua breve carreira profissional. Essa conquista não só eleva seu ranking em cerca de 420 posições, saindo da 1.206ª para aproximadamente a 786ª na atualização semanal, mas também destaca o potencial de uma geração emergente no tênis brasileiro, em um torneio que retorna à elite feminina após nove anos de ausência no país e 25 anos em São Paulo.
A partida começou equilibrada, com as duas atletas confirmando seus serviços iniciais e exibindo estilos contrastantes: Naná apostando em pancadas potentes do fundo de quadra, enquanto Carol, com 29 anos e mais experiência em circuitos profissionais, optava por uma abordagem mais estratégica e calma. A jovem paulistana, que cresceu treinando nas mesmas quadras públicas do Villa-Lobos ao lado do pai, Paulinho Silva, mostrou sinais de nervosismo no início, comum em uma estreia de tal magnitude, mas manteve a competitividade ao devolver uma quebra sofrida no sétimo game do primeiro set.
No tie-break decisivo daquela parcial, Carol dominou completamente, vencendo por 7-0 e assumindo a liderança no placar geral. Apesar da desvantagem, Naná demonstrou maturidade ao ajustar rapidamente sua postura, focando em saques precisos que alcançaram 91% de aproveitamento no primeiro serviço durante o segundo set, dificultando qualquer oportunidade de quebra para a adversária. Essa eficiência permitiu que ela convertesse dois break points e empatasse o confronto em 1 a 1, forçando o terceiro set.
O set final foi um domínio absoluto da adolescente, que quebrou o serviço de Carol logo no início e manteve a pressão com forehands agressivos e variações de ângulos, fechando a parcial em 6/0 sem ceder um único game. Essa performance não só garantiu a vitória, mas também rendeu à Naná seus primeiros pontos substanciais no ranking WTA, consolidando sua transição do circuito juvenil para o profissional.
Estratégias que definiram a virada de Naná
A vitória de Naná Silva sobre Carol Meligeni revelou aspectos táticos que vão além da potência física da jovem, destacando sua capacidade de adaptação em um ambiente de alta pressão. No primeiro set, a paulistana de 15 anos enfrentou dificuldades com erros não forçados, totalizando 12 em comparação às oito da adversária, o que permitiu que Carol explorasse brechas em seu jogo de fundo.
A partir do segundo set, Naná priorizou o primeiro saque, acertando 12 de 13 pontos com ele, uma taxa que subiu para 91% no geral daquela parcial, forçando Carol a defender mais e cometer 18 erros não forçados ao longo do confronto. Essa mudança tática, orientada por seu treinador Danilo Ferraz, da Rede Tênis Brasil, enfatizou a agressividade sem perder precisão, especialmente na direita, que gerou winners decisivos nos momentos críticos.
- Saque como arma principal: Velocidades médias de 150 km/h, com picos próximos a 180 km/h, neutralizaram retornos de Carol.
- Variação de spins: Uso de topspin na direita para abrir ângulos, combinado com slices defensivos para prolongar rallies.
- Controle emocional: Após perder o tie-break, Naná respirou fundo entre pontos, evitando tilt e focando em um game por vez.
- Exploração de fraquezas: Identificou o segundo saque de Carol como vulnerável, convertendo 4 de 6 break points em oportunidades.
- Suporte da torcida: Gritos de incentivo divididos ajudaram a manter o foco, transformando o nervosismo inicial em motivação.
Esses elementos não só garantiram a virada, mas também serviram como lição para futuros duelos, onde Naná precisará manter essa consistência contra oponentes mais ranqueadas.
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O SP Open, com premiação total de US$ 250 mil e 32 jogadoras na chave principal, representa um marco para o tênis feminino no Brasil, reunindo 12 representantes nacionais em diversas fases. Beatriz Haddad Maia, ranqueada 22ª do mundo e cabeça de chave 1, estreia contra a italiana Miriana Tona, vinda do qualifying, em um confronto que pode definir o rumo do torneio. Bia, que chega de oitavas no US Open 2025, busca seu primeiro título da temporada em quadras duras, superfície onde tem 75% de vitórias em 2025.
Outras brasileiras como Laura Pigossi, 106ª, e Ingrid Martins, que atuam em duplas, enfrentam desafios semelhantes, com Pigossi duelando contra compatriotas na chave mista. Luisa Stefani, 37ª em duplas, forma parceria com a húngara Timea Babos e é favorita ao título na modalidade, após vice em Wimbledon. O evento, organizado pela IMM, inclui ativações como estandes de patrocinadores e experiências gastronômicas, atraindo cerca de 30 mil espectadores ao longo da semana.
Trajetória inicial de Naná no circuito
Nauhany Silva, ou Naná, iniciou sua jornada no tênis aos dois anos, incentivada pelo pai Paulinho, professor da modalidade que improvisava treinos na sala de casa ou no asfalto da rua, na comunidade Real Parque. Sem acesso inicial a quadras profissionais, pai e filha usavam paredes e fitas adesivas como redes, adaptando o esporte a uma realidade humilde na zona sul de São Paulo.
Aos seis anos, Naná competiu em seu primeiro torneio local e, aos oito, federou-se oficialmente, mostrando competitividade feroz mesmo em derrotas. Em 2023, com 13 anos, venceu o ITF J30 da Guatemala, superando atletas até 18 anos, e em 2024 tornou-se a primeira nascida em 2010 a entrar no ranking WTA, aos 14 anos, após pontuar em torneios ITF como o W35 de Leme e São Paulo.
Sua ascensão incluiu o título no Roland Garros Junior Series em abril de 2024, garantindo vaga no juvenil do Grand Slam francês, onde caiu na estreia, mas ganhou experiência valiosa. No Wimbledon juvenil de 2025, alcançou oitavas de final, e no US Open júnior, na semana anterior ao SP Open, disputou a chave principal pela primeira vez em todos os majors.
- Primeiros treinos: Improvisados em casa e ruas, focando em coordenação e diversão.
- Entrada no ranking WTA: Aos 14 anos, com pontos de ITF W50 e W35 em São Paulo.
- Conquistas juvenis: Campeã Roland Garros Junior Series 2024; oitavas em Wimbledon 2025.
- Transição profissional: Integração à Rede Tênis Brasil aos 12 anos, com equipe multidisciplinar.
- Saque recorde: 189 km/h em treinos, rivalizando com velocidades de elite.
Essa base sólida permitiu que Naná mesclasse agenda juvenil e profissional, acumulando quatro vitórias e quatro derrotas em ITF em 2025, antes da estreia vitoriosa no SP Open.
Presença brasileira no torneio
O SP Open destaca o momento positivo do tênis feminino brasileiro, com oito atletas na chave principal de simples: Bia Haddad Maia, Laura Pigossi, Ingrid Martins, Luiza Fullana, Ana Candiotto, Victoria Barros, Carolina Meligeni e Naná Silva. Victoria Barros, também de 15 anos e ranqueada 1.143ª, estreia contra a americana Whitney Osuigwe, 136ª, em outro duelo de promessas.
Nas duplas, o Brasil tem força com Stefani e Babos como cabeças de chave 1, Bia com Candiotto e Pigossi com Martins, todas buscando vagas no WTA Finals. O qualifying incluiu Thaisa Pedretti, que venceu uma partida mas parou na final, e Pietra Rivoli, reforçando a profundidade nacional. O torneio, com quadras duras semelhantes ao US Open, oferece 250 pontos à campeã, vital para rankings.
Adversárias internacionais incluem a australiana Ajla Tomljanovic, cabeça de chave 4, e a filipina Alexandra Eala, top 100, elevando o nível da competição. A estrutura no Villa-Lobos, com arena central e ativações, transforma o evento em festival, com ingressos esgotados para quadra principal e ground pass a R$ 30-50 para secundárias.
Preparação para o confronto com Sierra
Solana Sierra, argentina de 23 anos e 82ª do mundo, representa o maior teste até agora para Naná, com histórico sólido em pisos rápidos, incluindo vitórias em WTA 125 recentes. Sierra, conhecida por defesa tenaz e retornos agressivos, tem 16 vitórias em ITF e WTA em 2025, mas enfrenta juvenis com sucesso limitado, o que abre brechas para a potência de Naná.
A jovem brasileira, treinando na Rede Tênis Brasil, foca em variar ângulos para evitar rallies longos, explorando seu saque de até 189 km/h e forehand cruzado. Uma vitória renderia mais 54 pontos no ranking, aproximando-a do top 700 e consolidando convites futuros. O duelo, na quadra central, pode atrair multidão, com Naná contando com torcida local para repetir a virada.
Bia Haddad, referência de Naná, treina no mesmo projeto e inspira a nova geração, enquanto o torneio reforça o crescimento do esporte no país, com 12 brasileiras envolvidas. O SP Open, transmitido pelo SporTV, promete mais surpresas em uma semana de tênis intenso.
