O Santos Futebol Clube, afundado em uma crise financeira com dívidas superiores a R$ 500 milhões e lutando contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2025, anunciou em 8 de setembro, na Vila Belmiro, litoral de São Paulo, a adoção do modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) inspirado no sucesso de Ronaldo Fenômeno no Cruzeiro. A decisão, liderada por Celso Pires, presidente da Comissão do Estatuto, visa atrair investidores globais, reestruturar finanças e evitar a queda para a Série B. Para isso, o clube contratou Alexandre Cobra, ex-gestor financeiro da SAF cruzeirense, que coordenará negociações com a XP Investimentos. A medida reflete a urgência de salvar o Alvinegro Praiano, que amarga a penúltima colocação na Série A com apenas 15 pontos em 23 rodadas, sob pressão de torcedores e com Neymar como símbolo de esperança.
A transição para SAF surge como resposta à crise que paralisa o clube. Com débitos trabalhistas, fiscais e transfer bans da CBF, o Santos enfrenta dificuldades para contratar e pagar salários. A estratégia, já testada no Cruzeiro, promete profissionalizar a gestão e liberar recursos para reforços. A torcida, com mais de 100 mil sócios, apoia parcialmente a mudança, mas exige transparência para preservar a identidade do clube, famoso pelos títulos mundiais de 1962 e 2011.
- Dívidas acumuladas superam R$ 500 milhões, incluindo R$ 200 milhões com a Receita Federal.
- Alexandre Cobra, ex-Cruzeiro, lidera negociações com a XP Investimentos.
- Modelo híbrido mantém 10% das ações com a associação, garantindo voz aos sócios.
- Neymar, mesmo com lesões, eleva o apelo para atrair investidores.
Estratégia de Ronaldo como inspiração
O modelo SAF do Cruzeiro, implementado por Ronaldo em 2021, serve de guia para o Santos. A Raposa, então na Série B com dívidas de R$ 1,3 bilhão, recebeu aporte inicial de R$ 400 milhões e subiu à elite em 2022, com receitas operacionais crescendo de R$ 146 milhões para R$ 224 milhões em um ano. Alexandre Cobra, peça-chave na reestruturação, quitou R$ 25 milhões em dívidas com FIFA e CNRD, além de atrair patrocínios. No Santos, Cobra conduzirá auditoria financeira e prospecção de investidores, visando aportes de R$ 200 milhões para cobrir salários e infraestrutura.
A XP Investimentos, que intermediou a venda da SAF cruzeirense por R$ 600 milhões em 2024, busca parceiros globais para o Peixe. O clube planeja um modelo híbrido, mantendo 10% das ações na associação para preservar a essência democrática. Celso Pires destacou a expertise de Cobra: “Ele transformou o Cruzeiro em um caso de sucesso. É o profissional certo para nossa crise”. A meta é estabilizar as finanças em 12 meses, com foco em receitas de patrocínios e naming rights da Vila Belmiro, estimados em R$ 50 milhões anuais.
- Aporte inicial previsto: R$ 200 milhões para débitos urgentes e contratações.
- Redução de custos operacionais em até 30%, seguindo o exemplo do Cruzeiro.
- Exploração de ativos como o CT Rei Pelé, avaliado em R$ 150 milhões.
- Negociações com credores via recuperação judicial, similar ao Cruzeiro.
Desafios no gramado e a pressão por resultados
Juan Pablo Vojvoda, técnico argentino contratado em junho de 2025, enfrenta um cenário delicado. Com apenas três vitórias em 23 jogos e 35 gols sofridos, o Santos luta para escapar do Z-4. O treinador implantou um 4-3-3 defensivo, mas lesões e limitações orçamentárias dificultam o desempenho. Neymar, que retornou ao clube após passagem pelo Al-Hilal, marcou 12 gols em 2025, mas sua relutância em jogar em gramados sintéticos, como na Arena Castelão, preocupa a comissão técnica.
A possível compra de Zé Ivaldo, zagueiro emprestado pelo Ceará, é um exemplo das restrições financeiras. Avaliado em R$ 10 milhões, o jogador de 28 anos impressionou com dois gols em 12 jogos, mas a decisão depende de Vojvoda e da liberação de recursos via SAF. Outras negociações, como o retorno do goleiro João Paulo do Bahia, aguardam avanços financeiros. O técnico argentino cobra reforços pontuais, como laterais e meias ofensivos, para enfrentar jogos decisivos contra Bahia e Cuiabá em setembro.
- Zé Ivaldo: versatilidade como zagueiro e volante agrada Vojvoda.
- Neymar: treina separadamente, mas é esperado contra o Bahia em 14 de setembro.
- Reforços potenciais: Billal Brahimi, atacante argelino, por R$ 12 milhões.
- Meta: somar nove pontos em três jogos para sair do Z-4.
Reação da torcida e o peso da tradição
A torcida santista, conhecida por sua paixão, lota a Vila Belmiro em clássicos, como o empate por 1 a 1 contra o Palmeiras. Com média de 12 mil pagantes por jogo, os mais de 100 mil sócios em 2025 demonstram fidelidade, apesar dos resultados ruins. Protestos na Baixada Santista em julho cobraram transparência na transição para SAF, temendo a perda da identidade clubística. Grupos como a Torcida Jovem elogiaram a contratação de Cobra, mas exigem garantias de que ídolos como Neymar e jovens da base, como Ângelo, permaneçam.
O retorno de Neymar, mesmo irregular devido a lesões, eleva o moral e atrai investidores. A diretoria aposta no apelo do craque, comparável ao de Ronaldo no Cruzeiro, para captar recursos. A SAF pode liberar verbas para contratações estratégicas, como o meia Rollheiser, adquirido por R$ 5 milhões, e o atacante Guilherme, recuperado de lesão. A torcida espera que a modernização preserve a história de glórias, como os mundiais de 1962 e 2011.
- Média de público: 12 mil pagantes por jogo na Vila Belmiro.
- Sócios: mais de 100 mil em 2025, mesmo com crise esportiva.
- Demanda: transparência na venda de ações e manutenção da base.
- Apelo de Neymar: central para atrair investidores globais.
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Bastidores da transição para SAF
As negociações para a SAF avançam com urgência. Em 5 de setembro, Celso Pires revelou a conselheiros a assinatura de um contrato com a XP Investimentos, iniciado há duas semanas. A empresa conduz due diligence financeira, avaliando ativos como o CT Rei Pelé e renegociando dívidas de R$ 200 milhões com a Receita Federal. Cobra, que gerenciou R$ 92 milhões em auxílios ao Cruzeiro, lidera a prospecção de investidores, incluindo fundos como Exa Capital e empresários locais, como Marcelo Teixeira.
A estratégia inclui otimizar contratos de TV, que podem aumentar receitas em 40%, e explorar naming rights da Vila Belmiro, estimados em R$ 40 milhões anuais. Vojvoda participa do planejamento, sugerindo contratações acessíveis, como o meia Ângelo, promovido da base. O próximo jogo contra o Bahia, em 14 de setembro, será um teste, com possível estreia de jovens atletas. A integração entre diretoria e comissão técnica é vista como diferencial para a recuperação.
- Due diligence: auditoria de ativos e débitos para atrair compradores.
- Contratos de TV: potencial de aumento de 40% nas receitas.
- Naming rights: Vila Belmiro pode render R$ 40 milhões por ano.
- Jovens da base: promoção de até 10 atletas para o profissional.
Planejamento para o futuro imediato
O Santos treina intensamente na Vila Belmiro, com Vojvoda priorizando a defesa. Veteranos como Luan Peres são poupados para evitar lesões, enquanto Neymar treina separadamente, mas deve jogar contra o Bahia. A avaliação de Zé Ivaldo avança, com o zagueiro participando de coletivos. Sua versatilidade agrada, mas a compra depende da SAF. Outros alvos, como o lateral João Lucas, aguardam liberação orçamentária.
O elenco de 28 jogadores mescla experiência e juventude. Promessas como Guilherme e Rollheiser ganham espaço, enquanto a diretoria negocia reforços como Billal Brahimi, atacante argelino formado no Nice. A meta é clara: somar pontos em setembro para escapar do rebaixamento. Vojvoda reforça a união: “A crise exige foco e trabalho conjunto”. A SAF, se concretizada até o fim de 2025, pode transformar o Santos, replicando o sucesso do Cruzeiro e devolvendo o clube à elite do futebol brasileiro.
- Foco defensivo: treinos visam reduzir os 35 gols sofridos.
- Reforços: Billal Brahimi, por R$ 12 milhões, pode chegar via SAF.
- Jogos-chave: Bahia, Vasco e Grêmio em setembro definem futuro.
- Base: Guilherme e Ângelo são apostas para o profissional.
