sábado, 7 março, 2026
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Torcedor agredido no dérbi em Campinas relata trauma e abandona torcida organizada

Torcedor agredido no dérbi em Campinas relata trauma e abandona torcida organizada

Um torcedor de 29 anos, Luan Cerqueira, foi vítima de uma violenta confusão durante o dérbi entre Guarani e Ponte Preta, ocorrido no último sábado, 6 de setembro, no estádio Brinco de Ouro, em Campinas, pelo quadrangular da Série C do Brasileiro. Acusado de ser um torcedor infiltrado, Luan foi agredido por membros de uma torcida organizada, caiu no fosso do estádio e ficou internado por quatro dias. Após receber alta, ele relatou à EPTV, afiliada da Rede Globo, o trauma sofrido, detalhando como a situação escalou rapidamente após se recusar a tirar o shorts para provar que não tinha tatuagens da Ponte Preta. O caso gerou indignação entre familiares, que cobram apoio do Guarani para os custos médicos, enquanto o clube afirma que a estrutura do estádio não contribuiu para o incidente. A Polícia Militar também foi envolvida, com cinco feridos registrados, incluindo Luan e três policiais. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) analisa o caso, que paralisou a partida por sete minutos.

O incidente marcou o dérbi 211, um clássico histórico entre os dois clubes campineiros, conhecido pela rivalidade intensa. Luan, que participava de seu primeiro jogo com a torcida organizada, descreveu a festa inicial como empolgante, mas a situação mudou drasticamente quando foi confrontado. O caso levanta questões sobre segurança nos estádios e o comportamento de torcidas organizadas.

  • Detalhes do incidente: Luan foi acusado de ser torcedor da Ponte Preta por uma integrante da torcida.
  • Desfecho imediato: Ele caiu no fosso após ser empurrado e sofreu lesões graves.
  • Impacto na partida: O jogo foi interrompido, e a Ponte venceu por 1 a 0 com gol de Jonas Toró.

O relato de Luan Cerqueira

Luan, que nunca havia frequentado uma torcida organizada, detalhou o ocorrido em entrevista à EPTV. Ele chegou ao estádio por volta das 14h, acompanhado de amigos, e se entusiasmou com a recepção aos jogadores do Guarani. Após ir ao banheiro, perdeu-se do grupo e decidiu se juntar a outra torcida organizada que cantava animadamente. Foi quando uma torcedora o acusou de ser um infiltrado, exigindo que mostrasse o corpo para provar não ter tatuagens relacionadas à Ponte Preta. Luan tirou a camiseta, mas recusou tirar o shorts, o que gerou hostilidade.

  • Ele foi empurrado e caiu de costas no fosso do estádio.
  • Perdeu a consciência e só acordou na UTI do Hospital Mário Gatti.
  • Sofreu um edema na cabeça e lesões no braço direito, que ainda requer cirurgia.
  • Luan decidiu abandonar as torcidas organizadas, traumatizado pela violência.

O jovem relatou o susto ao perceber que a torcida parou de cantar para confrontá-lo. A situação, segundo ele, foi agravada pela falta de intervenção de outros torcedores para conter a confusão. A mãe de Luan, Ângela Silva, destacou a gravidade do caso, chamando a recuperação do filho de “milagre” e cobrando responsabilidade do Guarani.

A resposta do Guarani e as cobranças da família

O Guarani emitiu uma nota oficial afirmando que o caso está sob análise de seu departamento jurídico e de órgãos competentes. O clube destacou que Luan foi prontamente socorrido por profissionais de saúde contratados e levado de ambulância ao hospital. A nota também esclarece que não houve falhas estruturais no estádio, conforme laudos técnicos que confirmam a conformidade com normas de segurança.

A família de Luan, no entanto, busca um acordo com o clube para custear o tratamento, incluindo a cirurgia no braço direito, que será realizada em Santa Bárbara d’Oeste, onde Luan reside. A advogada que representa a família entrou em contato com o departamento jurídico do Guarani, mas, até o momento, não obteve resposta positiva.

  • Visita do clube: O vice-presidente Erik Franco visitou Luan no hospital e entregou uma camisa autografada.
  • Demanda da família: Ângela Silva, mãe de Luan, pede que o Guarani arque com os custos médicos.
  • Posição do clube: O Guarani afirma que está investigando o caso, mas nega responsabilidade direta.

A mãe de Luan expressou gratidão pela recuperação do filho, mas reforçou a necessidade de suporte financeiro para os procedimentos médicos. A negativa inicial do clube gerou críticas, com a família considerando medidas legais para garantir assistência.

Bruno Santos Guarani
Bruno Santos Guarani – Foto: Instagram

Contexto da violência no dérbi

O dérbi entre Guarani e Ponte Preta é conhecido pela rivalidade histórica, mas episódios de violência têm manchado a festa. No jogo do último sábado, a confusão não se limitou à agressão contra Luan. Após a queda, a Polícia Militar interveio, resultando em confronto com torcedores. Três policiais ficaram feridos, e um torcedor, que agrediu uma policial com uma voadora, também foi internado.

  • Intervenção policial: A PM usou balas de borracha e bombas de efeito moral para conter a confusão.
  • Paralisação do jogo: A partida foi interrompida por sete minutos, entre os 36 e 43 minutos do primeiro tempo.
  • Outras confusões: Focos de tumulto nas arquibancadas levaram famílias a deixarem o estádio.
  • Investigação em curso: O STJD analisa a súmula do árbitro e o relatório da delegada da partida.

A violência no dérbi expôs fragilidades na segurança de eventos esportivos em Campinas. A presença de crianças e famílias no estádio, que deixaram o local antes do fim do jogo, reforça a necessidade de medidas preventivas para evitar novos incidentes.

Medidas de segurança e prevenção

A segurança em estádios brasileiros é um tema recorrente, especialmente em clássicos regionais. O caso de Luan Cerqueira reacende o debate sobre o papel das torcidas organizadas e a responsabilidade dos clubes. Especialistas apontam que a identificação de torcedores e a fiscalização nas arquibancadas são medidas essenciais para coibir a violência.

  • Identificação de torcedores: Sistemas biométricos podem ajudar a evitar a entrada de infiltrados.
  • Treinamento de seguranças: Profissionais capacitados podem intervir antes de escaladas de conflitos.
  • Campanhas educativas: Clubes e federações podem promover a cultura de paz nas arquibancadas.
  • Punições rigorosas: Sanções a torcedores envolvidos em brigas desencorajam novos episódios.

O Guarani, em sua nota, destacou que os laudos técnicos do Brinco de Ouro estão em conformidade, mas o incidente evidencia a necessidade de reforçar a segurança interna, especialmente em jogos de alta rivalidade. A CBF e o STJD podem aplicar multas ou outras punições ao clube, dependendo das conclusões da investigação.

Repercussão entre torcedores e amigos

Os amigos que convidaram Luan para o dérbi também se manifestaram, expressando choque com a violência. Um deles, com 40 anos de arquibancada, descreveu o incidente como “covardia” e afirmou que não pretende voltar ao estádio tão cedo. A indignação reflete o impacto do caso na comunidade de torcedores do Guarani, que esperam providências do clube.

A rivalidade entre Guarani e Ponte Preta, embora parte da cultura do futebol campineiro, tem gerado episódios que afastam torcedores. O gol de Jonas Toró, que garantiu a vitória da Ponte por 1 a 0, ficou em segundo plano diante da gravidade do ocorrido. A paralisação do jogo e a saída de famílias do estádio evidenciam como a violência pode comprometer a experiência do futebol.

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