Bernardinho, técnico da seleção brasileira de vôlei masculino, anunciou nesta sexta-feira, 12 de setembro de 2025, os 14 jogadores que representarão o país no Campeonato Mundial de Vôlei Masculino, sediado em Manila, nas Filipinas. A competição, que começou no mesmo dia, reúne 32 equipes em busca do título, e o Brasil entra em quadra pela primeira vez no domingo, 14 de setembro, às 10h (horário de Brasília), contra a China, no Smart Araneta Coliseum.
A escolha dos atletas reflete a estratégia do treinador para equilibrar juventude e experiência, após uma preparação intensa que incluiu treinos em Saquarema e amistosos na Polônia. O grupo H, onde o Brasil está inserido, inclui ainda República Tcheca e Sérvia, rivais que demandam atenção imediata para garantir vaga nas fases eliminatórias. Essa convocação surge em um momento de renovação para a equipe, que conquistou bronze na Liga das Nações de 2025 e agora mira o pódio mundial pela sétima edição consecutiva. A decisão de Bernardinho prioriza a coesão tática, com jogadores que se destacaram recentemente em competições internacionais, visando superar desafios como a viagem longa e o fuso horário asiático. O torneio, organizado pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), marca a estreia das Filipinas como anfitriãs, com expectativa de público recorde nos ginásios locais.
A preparação brasileira ganhou contornos finais nos últimos dias, com ajustes táticos em Tóquio para aclimatação. Atletas como o oposto Alan, que superou uma lesão recente, trazem bagagem de liderança para o elenco. O Mundial ocorre de 12 a 28 de setembro, com as duas melhores equipes de cada grupo avançando para as oitavas de final em 20 de setembro.
- Levantadores: Brasília e Cachopa, responsáveis pela distribuição precisa de bolas nos ataques.
- Opostos: Alan, Chizoba e Darlan, com potência em saques e remates decisivos.
- Ponteiros: Adriano, Arthur Bento, Honorato, Lucarelli e Lukas Bergmann, versáteis em defesa e ofensiva.
- Centrais: Flávio, Judson e Matheus Pinta, fortes no bloqueio e na rede.
- Líbero: Maique, especialista em recepção e cobertura de solo.
Preparação intensa antes da viagem
A seleção brasileira iniciou os treinos para o Mundial em agosto, no Centro de Desenvolvimento de Vôlei em Saquarema, no Rio de Janeiro. Bernardinho convocou inicialmente 18 jogadores para essa fase, que incluiu simulações de jogos e foco em condicionamento físico. Os atletas realizaram cerca de 30 sessões semanais, alternando entre quadra e academia, para lidar com a intensidade da competição. Essa etapa foi crucial para testar combinações táticas, especialmente no setor de ataque, onde o equilíbrio entre força e precisão se mostrou essencial.
Após os treinos iniciais, o grupo viajou para a Polônia, onde disputou o Memorial Hubert Jerzy Wagner, torneio preparatório que serviu como termômetro. Lá, o Brasil enfrentou rivais como Polônia e Argentina em dois amistosos cada, acumulando vitórias que elevaram a confiança coletiva. O técnico enfatizou a importância desses confrontos para simular o ritmo do Mundial, com ênfase em transições rápidas de defesa para ataque. A viagem para as Filipinas ocorreu em etapas, com paradas para recuperação, garantindo que todos chegassem em pleno vapor. Bernardinho destacou que a coesão do time, forjada nesses meses, representa a base para enfrentar um torneio de alta demanda física e mental.
Os cortes finais ocorreram em Tóquio, onde dois jogadores foram dispensados para priorizar a forma ideal do elenco.
A rotina diária incluiu análises de vídeo de adversários, com foco em fraquezas específicas de cada seleção.
Pilares da convocação e seus papéis
Lucarelli, ponteiro experiente, assume o protagonismo no ataque com sua capacidade de pontuar em momentos críticos. Ele, que brilhou na Liga das Nações com médias acima de 15 pontos por partida, será peça-chave contra defesas compactas como a da China. Ao lado dele, o oposto Darlan de Souza traz juventude e explosão, com saques potentes que podem desestabilizar recepções adversárias. Alan, recuperado de uma contusão no ombro, adiciona liderança e precisão nos remates, tendo sido decisivo em finais recentes. O levantador Cachopa, com visão de jogo apurada, distribui as bolas para maximizar os ataques, enquanto o central Flávio Gualberto reforça o bloqueio, uma arma tradicional do vôlei brasileiro.
Maique, como líbero, garante a solidez na defesa, com reflexos que salvam pontos improváveis e permitiram ao Brasil o terceiro lugar na VNL. Esses atletas formam o núcleo que Bernardinho moldou para responder à pressão de um Mundial, onde cada set conta. A inclusão de nomes como Lukas Bergmann e Arthur Bento injeta velocidade nas laterais, permitindo variações táticas durante os jogos. O treinador optou por manter a base da conquista recente de bronze, ajustando apenas para profundidade no banco de reservas.
Chizoba, oposto reserva, oferece opções de rotação com sua altura e alcance no bloqueio.
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Judson e Matheus Pinta, centrais jovens, alternam para manter a frescura na rede ao longo das partidas.
Agenda inicial no grupo H
O Brasil abre o torneio contra a China, seleção que evoluiu na recepção mas ainda vulnerável em ataques rápidos. O jogo, marcado para as 10h de Brasília, ocorre sob o calor úmido de Manila, fator que testa a resistência física. Na sequência, na segunda-feira, 15 de setembro, às 23h, o confronto com a República Tcheca exige atenção aos bloqueios altos da equipe europeia. A Sérvia, na quarta-feira, 17 de setembro, no mesmo horário, representa o teste mais duro do grupo, com saques agressivos que podem forçar erros brasileiros. Esses três duelos definem o posicionamento no grupo, onde o Brasil busca o topo para evitar cruzamentos complicados nas oitavas. A FIVB divide os jogos em ginásios como o SM Mall of Asia Arena, com capacidade para milhares de torcedores filipinos, que prometem atmosfera vibrante. Bernardinho planeja rodízio inicial para preservar energias, priorizando saques e defesas nos sets iniciais. O formato do Mundial, com 16 equipes na fase final, recompensa consistência desde o começo, e o Brasil entra com meta de classificação direta sem sustos.
- Brasil x China: Domingo, 14/09, 10h – Foco em ataques laterais para explorar gaps na defesa chinesa.
- Brasil x República Tcheca: Segunda, 15/09, 23h – Ênfase em bloqueio contra remates centrais tchecos.
- Brasil x Sérvia: Quarta, 17/09, 23h – Preparação para saques flutuantes sérvios que desafiam recepções.
Histórico brasileiro em Mundiais
O Brasil acumula três títulos mundiais, conquistados em 2002, na Argentina, 2006, no Japão, e 2010, na Itália, sob comando de Bernardinho em todas as ocasiões. Nessas edições, a seleção superou favoritos como Polônia e Estados Unidos em finais eletrizantes, com médias de bloqueios acima de 12 por jogo. Em 2014 e 2018, veio o vice-campeonato, perdido para Polônia e Itália, respectivamente, em sets apertados que destacaram a resiliência brasileira. O bronze de 2022, na Polônia, veio após virada contra os EUA nas semifinais, consolidando seis pódios em oito edições recentes. Bernardinho, que retorna ao cargo após ciclo olímpico, usa esse legado para motivar o atual elenco, lembrando que o time de 2006 revolucionou o esporte com transições velozes. A participação brasileira no torneio data de 1956, com 19 presenças consecutivas, recorde que reflete a tradição do país no vôlei. Contra a China, histórico de 12 vitórias em 15 jogos favorece o Brasil, mas o adversário de 2025 mostra evolução na Liga das Nações. Esses feitos inspiram a atual geração, que treina para repetir glórias em um evento expandido pela FIVB.
Flávio Gualberto, central, evoca memórias de 2010, quando seu bloqueio decidiu sets finais.
A Sérvia, rival do grupo, eliminou o Brasil em quartas de 2022, motivando revanche tático.
Destaques individuais no elenco
Darlan de Souza, oposto de 24 anos, emerge como estrela em ascensão, com 18 pontos médios na VNL e prêmios de melhor servidor. Sua capacidade de alternar entre ataques potentes e saques colocados o torna imprevisível contra blocos asiáticos. Lucarelli, com 32 anos, equilibra o time com experiência de 300 jogos internacionais, focando em liderança vocal durante timeouts. Alan, aos 38, supera limites físicos para entregar remates acima de 3.500 km/h, métrica que impressiona em análises da FIVB. Cachopa, levantador, registra taxa de 65% de eficiência em passes, essencial para setups precisos a ponteiros. Maique, líbero, liderou recepções na VNL com 70% de acerto, salvando bolas que viraram pontos. Esses perfis individuais somam forças coletivas, com Bernardinho ajustando formações para explorar matchups favoráveis. Adriano, ponteiro reserva, traz velocidade em substituições, enquanto Honorato adiciona altura em defesas de rede. A diversidade de idades, de 22 a 38 anos, permite adaptações a ritmos variados de jogo.
Lukas Bergmann, ponteiro, destaca-se em defesas de linha, com alcance que cobre quadras inteiras.
Chizoba, oposto, oferece profundidade com bloqueios de dois metros de altura.
Formato e expectativa nas Filipinas
O Mundial de 2025 adota formato com oito grupos de quatro equipes, avançando as tops duas para eliminatórias diretas. As oitavas ocorrem em 20 de setembro, com quartas em 23, semis em 25 e final em 28, todos em Manila para centralizar a ação. As Filipinas, anfitriãs pela primeira vez, investiram em infraestrutura com ginásios modernizados, esperando 200 mil espectadores totais. O Brasil, ranqueado terceiro pela FIVB, beneficia-se de chaveamento que evita early clashes com Polônia ou Itália. Bernardinho vê o grupo H como acessível, mas alerta para zebras em torneios longos. A transmissão global via Volleyball World TV amplia o alcance, com jogos brasileiros ao vivo no SporTV. A logística inclui fusos de 12 horas, gerenciados com rotinas de sono ajustadas. Outras potências, como França campeã da VNL, adicionam tensão, mas o foco brasileiro permanece na execução tática.
- Oitavas: Possíveis rivais do grupo A, como Irã ou Tunísia, em 20/09.
- Quartas: Enfrentamentos cruzados com grupos vizinhos, priorizando tops de H.
- Semis e final: Caminho para ouro contra elites europeias ou asiáticas.
Estratégias táticas contra rivais iniciais
Contra a China, Bernardinho planeja sobrecarregar o lado direito, explorando fraquezas em bloqueios baixos observadas na VNL. A equipe asiática, com média de 10 erros por set, cede pontos em saques flutuantes, arma que o Brasil domina com 85% de acerto. Na partida contra a República Tcheca, o foco vira para centrais, neutralizando remates altos com duplos bloqueios de Flávio e Judson. A Sérvia, com saques agressivos de 120 km/h médios, testa a recepção de Maique, que treinou cenários semelhantes em amistosos. Essas abordagens derivam de vídeos analisados em equipe, com sessões diárias de 90 minutos. O treinador rotaciona opostos para manter pressão ofensiva, alternando Darlan e Alan em sets pares. A umidade filipina influencia bolas mais pesadas, favorecendo ataques curtos que o Brasil executa bem. Bernardinho integra dados de desempenho recente, como 62% de eficiência em ataques na Polônia, para refinar planos.
Arthur Bento, ponteiro, treina variações de piping para surpreender defesas sérvias.
Brasília, levantador reserva, prepara setups rápidos para centrais em jogos noturnos.
Legado de Bernardinho no vôlei mundial
Bernardinho, com mais de 30 anos de carreira, acumula 11 títulos em Mundiais entre naipes, moldando gerações com ênfase em disciplina. Sua volta à seleção masculina em 2024 revitalizou o time, elevando o ranking FIVB em duas posições. O técnico prioriza cultura de vitória, com palestras diárias sobre foco mental. Em 2006, sua estratégia de rotação levou ao ouro invicto, padrão que replica agora. A convocação reflete sua filosofia de mesclar veteranos com novatos, como visto em 2010. Fora da quadra, Bernardinho colabora com a CBV em projetos de base, expandindo o vôlei no país. Seu impacto se estende globalmente, influenciando treinadores asiáticos e europeus.
