Camila Cabello, a estrela cubano-americana de 28 anos, subiu ao palco Skyline do festival The Town 2025, no Autódromo de Interlagos em São Paulo, na noite deste domingo, 14 de setembro, para uma apresentação marcada por energia contagiante e homenagens ao Brasil, mesmo enfrentando problemas técnicos como falhas na equalização do som e no microfone que comprometeram partes da performance. A cantora, que abriu o show pouco antes da headliner Katy Perry, conquistou um público majoritariamente formado por fãs da atração principal ao misturar seus hits internacionais com elementos da cultura local, incluindo um cover completo de “Ai se eu te pego”, de Michel Teló, tocado no violão com acompanhamento de sanfona. “Me sinto um pouco brasileira… treinei muito meu português para cantar essa música”, declarou ela, arrancando aplausos efusivos.
O que motivou essa escolha foi o carinho acumulado pela nação sul-americana, onde já se apresentou em eventos como o Z Festival de 2018 e o Rock in Rio de 2022, e por quê isso importou: a interação direta com o público, gritando “gostosa” e dançando trechos de funk como “Tubarão te amo”, transformou o espetáculo em uma celebração cultural apesar das adversidades técnicas que a obrigaram a pausar momentos e improvisar. Como resultado, a voz charmosa e nasalada dela, assinatura de sua carreira solo desde 2016, brilhou em faixas como “Bam Bam” com harmonias gravadas de Ed Sheeran, provando sua versatilidade mesmo sem uma banda completa ou arranjos mais elaborados. Essa conexão imediata com os espectadores, que lotaram o local sob um céu nublado e temperaturas baixas, reforçou o apelo de Camila como artista que transcende barreiras linguísticas e sonoras, entregando cerca de 90 minutos de setlist que passeou por pop, R&B e influências latinas. A performance, parte da turnê “Your, C Tour” promovendo o álbum “C, XOXO” de 2024, destacou não só seu talento vocal, mas também a habilidade de adaptar-se a imprevistos, como quando o microfone falhou durante uma transição, forçando-a a continuar acústica. Fãs relataram em redes sociais o quanto essa autenticidade elevou o show, com gritos de “volta logo” ecoando no final. A escolha de covers brasileiros veio como uma estratégia para engajar o público local, algo que ela planejou nos ensaios, conforme vídeos prévios compartilhados por sua equipe, e que culminou em uma dancinha improvisada que viralizou instantaneamente. No geral, o evento reforçou o The Town como um hub de fusões musicais, com Camila servindo de ponte entre o global e o regional.
A expectativa para o show crescia desde a chegada de Camila a São Paulo na sexta-feira, 12 de setembro, quando desembarcou no Aeroporto de Guarulhos cercada por admiradores que a esperavam com cartazes e bandeiras. Essa foi sua terceira visita ao país em sete anos, e cada uma deixou marcas únicas na memória coletiva dos fãs brasileiros.
Problemas técnicos, no entanto, não foram novidade em festivais recentes; organizadores do The Town ajustaram o som em tempo real, mas o impacto foi visível na projeção vocal dela.
O público, estimado em milhares para o palco principal, reagiu com entusiasmo redobrado, transformando as falhas em momentos de proximidade maior com a artista.
- Setlist incluiu sucessos como “Havana”, que soou ainda mais vibrante com toques latinos adaptados ao clima noturno.
- Interações em português fluente surpreenderam, com frases como “eu amo vocês” repetidas ao longo da noite.
- Dançarinos sincronizados elevaram a coreografia, especialmente em faixas dançantes do novo álbum.
- Ausência de backing vocals ao vivo destacou sua voz principal, forçando improvisos criativos.
Homenagens brasileiras que roubaram a cena
Camila Cabello iniciou sua conexão com o Brasil de forma inesperada, ao pegar o violão e anunciar o cover de “Ai se eu te pego” como um presente especial para os espectadores. A música, lançada por Michel Teló em 2011 e que vendeu milhões de cópias globalmente, ganhou uma versão acústica com toques de sanfona, evocando as raízes sertanejas que contrastaram lindamente com seu estilo pop contemporâneo. Ela cantou a letra inteira em português, pronunciando palavras como “nossa, nossa” com um sotaque charmoso que misturava seu background cubano com o esforço de ensaios prévios.
Essa escolha não foi aleatória; reflete uma trajetória de admiração pelo país, onde “Havana” de 2017 explodiu nas rádios e playlists, alcançando o topo das paradas aqui. Durante a performance, o público se uniu em coro, balançando braços e celulares, criando uma onda de energia que compensou o frio da noite paulistana.
Mais adiante, ela incorporou “Tubarão te amo”, hit de 2023 com DJ LK, Ryan SP e Tchakabum, dançando o rebolado característico do funk carioca. Seus movimentos fluidos, combinados com os dançarinos, transformaram o palco em uma pista de dança coletiva, onde fãs de Katy Perry, muitos descobrindo seu repertório pela primeira vez, se renderam à espontaneidade.
A palavra “gostosa”, repetida em diversos momentos como elogio ao público feminino, gerou risadas e aplausos, mostrando seu lado brincalhão e acessível. Essa interação verbal, intercalada com pausas para hidratação e ajustes no equipamento, manteve o fluxo dinâmico, mesmo quando o microfone oscilou novamente.
- A sanfona trouxe um elemento regional inédito, homenageando o forró nordestino que influenciou o hit de Teló.
- Trechos de funk foram inseridos em transições, conectando “I Luv It” do novo álbum a ritmos locais.
- Fãs gravaram vídeos que acumularam visualizações rápidas, impulsionando o alcance orgânico do show.
- A camisa da seleção brasileira, vestida por ela em parte da apresentação, simbolizou essa afinidade cultural.
Desafios técnicos e superação no palco
Apesar do brilho das homenagens, o show de Camila enfrentou obstáculos evidentes desde o início, com a equalização do som distorcendo graves em faixas como “Never Be the Same”. O microfone, que falhou pelo menos duas vezes, interrompeu sequências vocais e obrigou a equipe a intervir com trocas rápidas, algo comum em eventos ao ar livre mas que testou sua resiliência.
Ela prosseguiu sem hesitar, optando por arranjos mais simples em momentos acústicos, o que realçou sua voz nasalada e expressiva, traço que define álbuns como “Camila” de 2018 e “Romance” de 2019. Essa adaptação não só manteve o engajamento, mas elevou a intimidade do espetáculo, fazendo com que o vasto palco Skyline parecesse menor e mais pessoal.
O público, atento a esses percalços, reagiu com solidariedade, cantando junto para preencher silêncios e aplaudindo improvisos. Horários ajustados pela organização, com o show iniciando às 20h30, permitiram que ela se recuperasse, culminando em “Bam Bam” com harmonias pré-gravadas de Ed Sheeran que soaram cristalinas apesar das limitações.
Sem uma banda completa – apenas dançarinos e músicos essenciais –, a apresentação priorizou coreografias e presença de palco, áreas onde Camila se destaca desde os dias no Fifth Harmony. Essa configuração minimalista, embora criticada por alguns observadores, permitiu foco na narrativa emocional de suas letras, como em “Consequences”, que explorou temas de amor e separação com intensidade vocal.
A turnê “Your, C Tour”, sua segunda solo em sete anos, já passou por Europa e América do Norte, onde recebeu elogios por inovações, mas no Brasil ganhou camadas extras de culturalidade. Equipes técnicas do festival, que gerou 25 mil empregos na edição segundo estudos econômicos, trabalharam nos bastidores para mitigar os issues, garantindo que o fechamento com Katy Perry fluísse sem sobressaltos.
Trajetória solo cheia de altos e experimentações
Desde que deixou o Fifth Harmony em dezembro de 2016, Camila Cabello construiu uma carreira marcada por ousadias sonoras, começando com o álbum de estreia homônimo em 2018, que vendeu mais de três milhões de cópias graças a “Havana”, single com Young Thug que acumula bilhões de streams. Esse hit, inspirado em suas raízes cubanas, pavimentou o caminho para parcerias globais e indicações ao Grammy.
Seu segundo disco, “Romance”, de 2019, mergulhou em baladas românticas, enquanto “Familia” de 2022 trouxe colaborações com Ed Sheeran e elementos latinos mais profundos. O mais recente, “C, XOXO”, lançado em junho de 2024, representa uma virada para o hyperpop e R&B experimental, com faixas como “He Knows” feat. Lil Nas X que exploram sensualidade e liberdade, temas que ecoaram no show de domingo.
Ao longo dessa jornada, ela acumulou prêmios como dois Latin Grammys e cinco American Music Awards, consolidando-se como uma das vozes hispânicas mais influentes da década. No Brasil, suas visitas anteriores – o dueto com Anitta em 2018 e a fusão com funk no Rock in Rio 2022 ao lado de Biel do Furduncinho, Bianca e L7nnon – criaram um laço que se renovou no The Town.
Essas experiências moldaram sua abordagem performática, priorizando autenticidade sobre perfeição técnica. Críticos notaram que, mesmo com os contratempos, sua presença de palco – danças fluidas e olhares diretos para a plateia – compensou qualquer falha, transformando o evento em um marco de sua turnê.
- “Havana” continua como seu maior sucesso, com certificação de diamante pela RIAA.
- Colaborações brasileiras, como no Rock in Rio, influenciaram setlists futuros.
- Álbuns subsequentes venderam coletivamente mais de 10 milhões de unidades.
- Turnês anteriores lotaram arenas, com média de 15 mil espectadores por data.
Reações do público e viralização instantânea
Logo após o final da apresentação, redes sociais explodiram com relatos de fãs que destacaram a energia de Camila, com vídeos do cover de “Ai se eu te pego” acumulando milhares de visualizações em minutos. Muitos, vindos para ver Katy Perry, saíram convertidos, elogiando a mistura de pop global com toques locais que tornou o show memorável.
Comentários enfatizaram sua pronúncia em português e o uso repetido de “gostosa”, visto como um gesto afetuoso e divertido que quebrou o gelo. Fãs de longa data compararam essa performance à de 2022, notando evoluções na coreografia e na integração de elementos funk, que adicionaram camadas rítmicas ao repertório.
O festival, em sua segunda edição de 2025, viu um aumento de 21% no impacto econômico em relação a 2023, com o dia 14 concentrando atrações como Iza, Ludmilla e J Balvin, ampliando o apelo multicultural. Camila, ao assistir parte do show de Perry de uma área VIP, reforçou laços entre artistas, gerando fotos e stories que circularam amplamente.
Essa interação pós-show, incluindo saudações a fãs nos bastidores, humanizou a estrela, contrastando com produções mais polidas de outros atos. Para muitos, os problemas técnicos viraram anedotas secundárias diante da entrega total dela, que incluiu mudanças na letra de “Never Be the Same” para incluir referências ao Brasil.
- Vídeos de dança no funk “Tubarão te amo” se tornaram os mais compartilhados da noite.
- Fãs pediram “CPF brasileiro” em brincadeiras online, celebrando sua afinidade.
- Presença de celebridades locais no público elevou o glamour do momento.
- Transmissões ao vivo capturaram reações em tempo real, impulsionando engajamento.
Elementos visuais e produção que cativaram
A produção do show priorizou visuais vibrantes, com luzes LED em tons quentes que simulavam pores do sol cubanos durante “Havana” e explosões de confetes em faixas dançantes. Seus figurinos – um conjunto metálico prateado mudando para a camisa do Brasil – refletiram a transição de glamour pop a casualidade cultural, mantendo o foco na mobilidade para danças.
Dançarinos, vestidos em sincronia com ela, executaram rotinas que mesclavam hip-hop e samba, especialmente em “I Luv It”, onde o rebolado brasileiro se fundiu ao beat eletrônico. A ausência de telões gigantes, comum em festivais, forçou atenção total ao palco, intensificando a conexão visual.
Ajustes de iluminação compensaram as falhas sonoras, com feixes focados na sanfona durante o cover, criando um spotlight intimista. Essa estratégia, planejada nos ensaios em Atlanta no início de 2025, adaptou-se bem ao ambiente aberto de Interlagos, onde ventos leves desafiaram estruturas leves.
No geral, a encenação reforçou o tema da turnê, “Yours, C”, que explora intimidade e ousadia, com Camila circulando pelo palco para alcançar todas as seções do público. Elementos como o violão acústico em momentos chave adicionaram camadas emocionais, equilibrando o espetáculo entre espetáculo e conversa.
Influências latinas e pop em fusão perfeita
Raízes cubanas sempre guiaram a música de Camila, evidentes em ritmos de “Havana” que ecoam salsa e reggaeton, mas no The Town ela ampliou isso com influências brasileiras diretas. O funk inserido, inspirado em colaborações passadas, mostrou sua curiosidade por gêneros periféricos, algo que “Familia” já explorava com toques de cumbia.
Sua voz, com timbre único e nasalado, navegou por registros graves em baladas e agudos em hits dançantes, provando versatilidade mesmo com backing tracks limitados. Essa fusão, que atraiu críticas iniciais de “Ratamilla” – apelido maldoso superado por sucessos – agora é celebrada como assinatura autêntica.
No contexto da turnê, o show em São Paulo serviu como teste para mercados latinos, com faixas de “C, XOXO” como “June Gloom” ganhando aplausos por letras vulneráveis sobre crescimento pessoal. A resposta positiva sugere potencial para mais visitas, alinhando-se à estratégia de expansão global dela.
- Reggaeton em “Havana” influenciou adaptações ao vivo com percussão extra.
- Explorações em hyperpop no novo álbum adicionam frescor às performances.
- Vozes fora do padrão, como a dela, desafiam normas do pop mainstream.
- Colaborações com artistas latinos acumulam mais de 500 milhões de streams.
Bastidores e preparativos para o grande dia
Antes de pisar no palco, Camila passou horas nos bastidores do The Town, ensaiando transições com dançarinos e testando o violão para o momento acústico. Sua chegada na sexta incluiu uma parada para provar petiscos locais como pão de queijo, gesto que humanizou sua imagem e gerou conteúdo leve nas redes.
A equipe, vinda de Miami, coordenou com produtores locais para integrar a sanfona, instrumento alugado em São Paulo para autenticidade. Esses preparativos, que incluíram aulas rápidas de português com um coach, visavam maximizar o impacto cultural, algo que rendeu frutos na recepção calorosa.
Falhas técnicas foram previstas em briefings, com planos B como microfones reserva e equalizadores manuais, mas a imprevisibilidade do ao vivo adicionou adrenalina. Pós-show, ela se juntou a Perry em uma área reservada, trocando elogios que simbolizaram a irmandade pop feminina no festival.
Esses detalhes revelam o profissionalismo por trás da espontaneidade, com Camila emergindo não só como performer, mas como curadora de experiências que celebram diversidade sonora.
