sábado, 7 março, 2026
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Ricky Hatton, ícone britânico do boxe, morre em casa na véspera de retorno aos ringues

Ricky Hatton

Ex-campeão mundial de boxe Ricky Hatton, conhecido como “The Hitman”, foi encontrado morto em sua residência em Hyde, Greater Manchester, na manhã de domingo, 14 de setembro de 2025, aos 46 anos de idade. A polícia local atendeu a um chamado de um morador por volta das 6h45 e localizou o corpo do pugilista, sem indícios iniciais de crime ou circunstâncias suspeitas, conforme declaração oficial da Greater Manchester Police. Hatton, que acumulou 45 vitórias em 48 lutas profissionais ao longo de 15 anos de carreira, planejava um retorno aos ringues em dezembro, após 13 anos de aposentadoria, para enfrentar o boxeador Eisa Al Dah em Dubai. Nascido em Stockport e criado em Hattersley, o atleta se tornou um ídolo na Inglaterra por seu estilo agressivo e carisma, conquistando títulos nas categorias superleve e welter pela IBF, WBA, WBC e The Ring. A notícia do falecimento, divulgada rapidamente por autoridades e veículos esportivos, gerou comoção imediata entre fãs, ex-rivais e o mundo do esporte, especialmente porque Hatton havia compartilhado recentemente vídeos de treinos, demonstrando preparo para o comeback. Sua morte prematura, em um momento de aparente otimismo profissional, levanta questões sobre os desafios pós-aposentadoria enfrentados por atletas de alto rendimento, embora as investigações preliminares apontem para causas não criminosas. Hatton, torcedor fervoroso do Manchester City, deixou três filhos e uma neta, e sua ausência foi sentida logo no derby local entre City e United, onde uma homenagem uniu torcidas rivais.

Autoridades da Greater Manchester Police confirmaram que o corpo foi descoberto após um chamado de um membro do público, e uma autópsia será realizada para determinar a causa exata do óbito, mas sem suspeitas de envolvimento de terceiros no momento. Hatton residia na Bowlacre Road, em Hyde, uma área residencial tranquila próxima a Manchester, onde mantinha laços fortes com a comunidade local desde a infância. Seu último treino público, postado em redes sociais dias antes, mostrava o pugilista em forma, shadow boxing e trabalhando com sacos de pancada, o que contrastava com relatos de amigos sobre sua ausência em uma academia na sexta-feira anterior e em um evento de boxe no sábado. O ex-campeão havia falado abertamente sobre lutas pessoais após a aposentadoria em 2012, incluindo depressão e dependência de álcool, mas em entrevistas recentes enfatizava superação e foco no retorno ao esporte.

  • Principais títulos conquistados: IBF superleve em 2005 contra Kostya Tszyu; WBA welter em 2006.
  • Record de invencibilidade: 43-0 até a derrota para Floyd Mayweather em 2007.
  • Vitórias notáveis: Contra Jose Luis Castillo em 2007 e Juan Urango em 2006.
  • Aposentadoria: Após nocaute para Vyacheslav Senchenko em 2012.
  • Honrarias: Induzido ao Hall da Fama Internacional de Boxe em 2024.

Esses feitos consolidaram Hatton como um dos boxeadores mais populares da Grã-Bretanha, com arenas lotadas em Manchester e Las Vegas, onde milhares de fãs o seguiam cantando “There’s only one Ricky Hatton”.

Trajetória no ringue que marcou gerações

Hatton iniciou sua jornada profissional em 1997, aos 18 anos, com uma vitória por nocaute técnico sobre Colin McAuley em Widnes, Inglaterra. Rapidamente, ele ascendeu nas categorias de base, conquistando o título britânico superleve em 2000 ao derrotar Jon Thaxton em uma luta sangrenta no Wembley Conference Centre. Seu estilo de pressão constante, com ganchos potentes e defesa sólida, atraía multidões, e ele defendeu o cinturão europeu várias vezes antes de mirar nos mundiais. Em 2001, Hatton capturou o título WBU superleve ao vencer Tony Pep no Canadá, iniciando uma sequência de 15 defesas, muitas no MEN Arena de Manchester, que se tornou seu palco favorito. Aquelas noites eram espetáculos, com fãs cantando hinos do Manchester City e transformando eventos em festas coletivas.

A virada para a elite global veio em 2005, quando Hatton desafiou o invicto Kostya Tszyu pelo título IBF superleve. A luta, realizada no MEN Arena, viu o russo dominar cedo, mas Hatton virou o jogo com resistência e volume de golpes, forçando Tszyu a se aposentar no banquinho após o 11º round. Essa vitória, considerada uma das maiores upsets da década, elevou Hatton a status de herói nacional e abriu portas para Las Vegas. Lá, ele manteve o ritmo com nocautes sobre Carlos Maussa em 2005 e Luis Collazo em 2006, antes de subir para welter e conquistar o WBA contra Juan Urango em janeiro de 2007. Hatton acumulava então 41-0, com 30 nocautes, demonstrando versatilidade em pesos e adaptação a adversários de elite.

Em 2007, o confronto com Floyd Mayweather Jr. pelo WBC welter no MGM Grand foi um marco, embora terminasse em derrota por TKO no 10º round. Hatton absorveu punição pesada, mas sua coragem impressionou, e ele voltou forte com vitória sobre Jose Luis Castillo meses depois. No entanto, em 2009, Manny Pacquiao o nocauteou no segundo round, expondo vulnerabilidades em welter. Após uma breve aposentadoria e retorno fracassado em 2012 contra Senchenko, Hatton pendurou as luvas de vez. Sua carreira de 48 lutas incluiu apenas três derrotas, com 75% de finalizações por nocaute, números que o colocam entre os mais eficientes de sua era.

Homenagens unem rivais e fãs no derby de Manchester

O falecimento de Hatton coincidiu com o derby entre Manchester City e Manchester United no Etihad Stadium, transformando o evento em tributo coletivo. Antes do apito inicial, jogadores e torcedores de ambos os lados observaram um minuto de aplausos em memória do pugilista, que era torcedor fanático dos Citizens desde a infância. Fãs rivais, conhecidos por animosidades, se uniram no gesto, com cânticos ecoando “There’s only one Ricky Hatton” pelas arquibancadas. O City venceu por 3 a 0, e Phil Foden, autor de um gol, dedicou a performance à família de Hatton, destacando o impacto emocional do momento.

Pep Guardiola, técnico do City, elogiou a maturidade das torcidas em entrevista pós-jogo, descrevendo o aplauso como um dos mais intensos em seus 10 anos no clube. “Foi especial ver o respeito mútuo, especialmente de torcedores do United”, comentou o espanhol, que havia conhecido Hatton pessoalmente em eventos locais. O clube emitiu nota oficial lamentando a perda de um “ícone do boxe britânico e apoiador leal”, reforçando que Hatton usava shorts azuis e “Blue Moon” como música de entrada, simbolizando sua devoção. Fora do estádio, flores, luvas de boxe e camisas do City foram deixadas na residência de Hatton, com mensagens de fãs locais expressando gratidão por memórias compartilhadas em pubs e ginásios.

Essa união no derby reflete o legado de Hatton como ponte entre esportes e comunidades em Manchester. Ele frequentemente aparecia em jogos do City, carregando faixas e incentivando a equipe, e sua presença em eventos misturava boxe com futebol, atraindo gerações de admiradores.

  • Gestos de respeito: Aplausos unificados de torcidas rivais no Etihad.
  • Dedicação no jogo: Gol de Foden em homenagem à família Hatton.
  • Nota do clube: Reconhecimento à carreira e paixão pelo City.
  • Memórias locais: Fãs deixam itens simbólicos na porta da casa.
  • Impacto emocional: Guardiola chama de “momento inesquecível”.
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Uma publicação compartilhada por Ricky Hatton MBE (@rickyhitmanhatton)

Lutas pessoais após o auge nos ringues

Após a aposentadoria em 2012, Hatton enfrentou batalhas fora do quadrilátero, compartilhando publicamente experiências com depressão e vícios em álcool, o que o levou a tratamentos de reabilitação em 2013 e 2016. Ele transformou essas dificuldades em advocacy, tornando-se embaixador de causas de saúde mental no esporte e fundando academias em Manchester para jovens boxeadores. Em 2024, sua indução ao Hall da Fama Internacional de Boxe em Canastota, Nova York, marcou um renascimento, com Hatton discursando sobre resiliência e o papel do boxe em superar adversidades. O documentário “Hatton”, lançado em 2023, explorou sua vida pós-ringue, incluindo divórcios e paternidade, humanizando o ídolo para fãs globais.

Amigos próximos, como o comentarista Steve Bunce, notaram que Hatton parecia “em um bom lugar” recentemente, focado no treinamento para o exhibition em Dubai. No entanto, sua ausência em compromissos na sexta e sábado levantou preocupações entre o círculo íntimo. Hatton também atuou como treinador, guiando Zhanat Zhakiyanov ao título bantamweight da IBF em 2017, e como promotor, organizando eventos que misturavam boxe com entretenimento local. Sua MBE, concedida em 2007 por serviços ao esporte, e entrada no Hall da Fama de Manchester em 2019, atestam o reconhecimento oficial.

Esses anos pós-aposentadoria mostraram Hatton como mentor, com visitas a ginásios amadores e palestras em escolas, inspirando milhares. Sua honestidade sobre vulnerabilidades contrastava com a imagem de guerreiro invencível, tornando-o relatable para uma audiência além dos fãs de boxe.

Tributos de ex-rivais ecoam no mundo do boxe

Logo após a confirmação da morte, figuras proeminentes do boxe prestaram homenagens, destacando o carisma e o talento de Hatton. Amir Khan, ex-campeão britânico e compatriota, chamou-o de “amigo, mentor e guerreiro”, enfatizando seu lugar eterno nas memórias do esporte. Tyson Fury, atual campeão heavyweight, postou fotos ao lado de Hatton com a legenda “Só haverá um Ricky Hatton”, expressando incredulidade pela idade jovem do falecimento. Manny Pacquiao, que o derrotou em 2009, lembrou o respeito mútuo e a bravura demonstrada na luta, afirmando que Hatton lutou com alma tanto no ringue quanto na vida.

Chris Eubank Jr., filho do lendário Chris Eubank, saudou com “Descanse em paz, senhor Ricky Hatton. Nós o saudamos”. Frank Warren, seu ex-promotor, descreveu-o como “talento supremo que inspirou gerações” pela personalidade e entretenimento no ringue. David Beckham, ídolo do futebol e amigo, chamou Hatton de “único em sua espécie”, enquanto Wayne Rooney, que carregou seus cinturões em 2007, o qualificou como “lenda e grande pessoa”. Até Liam Gallagher, do Oasis, expressou devastação, reforçando os laços culturais de Hatton com Manchester.

Essas mensagens, divulgadas em redes sociais e entrevistas, pintam o retrato de um atleta que transcendia o boxe, construindo amizades duradouras. A World Boxing Association lamentou a perda de um “espírito indomável”, e promotores como Matchroom Boxing enviaram condolências à família.

  • Homenagens chave: Khan como mentor; Fury como lenda única.
  • Rivais notáveis: Pacquiao elogia bravura; Eubank Jr. saúda respeito.
  • Celebridades: Beckham e Rooney destacam humanidade.
  • Instituições: WBA e Warren reconhecem inspiração global.
  • Conexões locais: Gallagher reflete laços com Manchester.

Preparativos para o retorno que não se concretizou

Hatton anunciou seu comeback em julho de 2025, um exhibition de três rounds contra Eisa Al Dah nos Emirados Árabes, promovido como oportunidade de encerrar a carreira em alto. Treinadores relataram que ele estava em forma, com peso controlado em 66 kg e rotinas diárias incluindo corrida e sparring leve. Vídeos de treinos mostravam Hatton confiante, comentando sobre a emoção de voltar após anos como espectador. O evento em Dubai prometia ser nostálgico, com transmissão global e presença de fãs britânicos, ecoando suas noites em Las Vegas.

Essa decisão veio após uma exhibition em 2022 contra Marco Antonio Barrera, que reacendeu sua paixão pelo esporte. Hatton via o boxe como terapia, ajudando a gerenciar questões pessoais, e planejava usar a luta para arrecadar fundos para caridades de saúde mental. Parceiros promocionais destacaram seu entusiasmo, com negociações finais em andamento na semana anterior ao falecimento. A notícia do retorno gerou buzz, com ingressos esgotados antecipadamente e entrevistas onde Hatton falava de gratidão aos fãs.

Embora o exhibition não fosse por título, representava fechamento para uma carreira interrompida por lesões e aposentadorias prematuras. Amigos notaram que os preparativos o mantinham motivado, contrastando com períodos de inatividade anterior.

A família de Hatton emitiu uma nota expressando perda imensurável e gratidão pelo apoio global, pedindo privacidade. Seus filhos, Millie, Fearne e Campbell, e neta Lyla, herdam um legado de determinação. O irmão Matthew, também ex-boxeador, postou “Te amo, Richard. Vejo você do outro lado”. Fãs continuam deixando tributos em sua academia em Manchester, onde murais e fotos celebram suas conquistas.

FALANDO NISSO
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