A seleção brasileira masculina de vôlei entrou em quadra com a missão de confirmar a vaga nas oitavas de final do Mundial 2025, mas encontrou uma Sérvia implacável na Mall of Asia Arena, em Pasay City, nas Filipinas. Na noite de 17 de setembro, pela terceira rodada do Grupo H, os sérvios venceram os dois primeiros sets por 25 a 22 e 25 a 20, colocando o Brasil em uma situação delicada. O oposto Luburic, com 16 pontos, liderou o ataque europeu, explorando falhas na defesa e no bloqueio verde-amarelo. Bernardinho, técnico da equipe, pediu tempos técnicos para tentar reorganizar o time, mas os ajustes ainda não surtiram efeito pleno.
O confronto ganhou contornos emocionais com a homenagem à mãe de Bernardinho, Maria Ângela Rezende, falecida no mesmo dia. Os jogadores usaram tarjas pretas nos braços durante os hinos, um gesto que uniu o grupo em meio à pressão da partida. Apesar das vitórias anteriores sobre China (3 a 1) e República Tcheca (3 a 0), o Brasil abusou de erros de recepção e contra-ataque, permitindo que a Sérvia ditasse o ritmo.
Com o placar em 0 a 2, o terceiro set começou com o Brasil precisando de uma reação imediata para evitar o risco de eliminação precoce. Judson, central brasileiro, já somava seis pontos, mas o time ainda buscava equilíbrio. A torcida local, animada por um fã filipino com um “canarinho” na cabeça, tentava impulsionar os atletas, mas o domínio sérvio persistia.
- Luburic: destaque com ataques precisos e um ace decisivo.
- Alan e Judson: principais pontuadores brasileiros até o momento.
- Erros brasileiros: saques para fora e falhas no bloqueio somam dez pontos cedidos.
- Estratégia sérvia: foco em viradas de bola e defesa sólida.
Ataques sérvios decidem os primeiros sets
A Sérvia impôs seu jogo desde o saque inicial, forçando erros brasileiros e capitalizando em contra-ataques rápidos. No primeiro set, o equilíbrio durou até o 21 a 21, quando Alan empatou com um ataque forte, mas Luburic virou com uma bola explorando o bloqueio simples. Peric, ponta sérvio, explorou a ponta com eficiência, marcando pontos cruciais após pulos errados da defesa verde-amarela. O set terminou 25 a 22, com os europeus aproveitando quatro erros de saque do Brasil. Bernardinho parou o jogo no empate, mas a Sérvia manteve a concentração e fechou com um rali de 28 segundos vencido por Luburic.
O segundo set seguiu o padrão de domínio sérvio, com abertura rápida para 7 a 3 graças a ataques de Stefanovic no meio de rede. O Brasil reagiu com pontos de Lucarelli e Arthur Bento, chegando a 11 a 14, mas um tempo técnico de Bernardinho não evitou a vantagem adversária. Judson brilhou com um bloqueio sobre Luburic, empatando momentaneamente em 6 a 6, mas Peric e Kujundzic responderam com ataques imparáveis. A parcial encerrou em 25 a 20, após um set point desperdiçado por Darlan no bloqueio de Peric. A eficiência sérvia em todos os fundamentos deixou o Brasil sem respostas consistentes.
- Principais pontos sérvios: contra-ataques de Luburic e bloqueios de Jovovic.
- Momentos brasileiros: ace de Flávio com sorte na fita da rede.
- Estatísticas do primeiro set: Sérvia com 60% de eficiência no ataque.
Destaques individuais em quadra
Luburic emergiu como o jogador do jogo, com ataques potentes que superaram o bloqueio brasileiro em diversas ocasiões. O oposto sérvio marcou em largadinhas, pancadas diagonais e até um ace que forçou Honorato a uma recepção falha, levando a um tempo pedido por Bernardinho. Do lado brasileiro, Alan mostrou garra com pontos em ralies longos, incluindo um paredão sobre Kujundzic e uma pancada após toque de Flávio. Judson, com viradas de bola no meio, somou bloqueios importantes, mas isolados, não bastaram para reverter o placar.
Flávio contribuiu com defesas e um bloqueio sobre Luburic que animou o time, mas erros como o toque na rede de Judson e saques para fora de Cachopa pesaram. Arthur Bento voou do fundo de quadra para pontos morais, enquanto Lucarelli empurrou bolas em decisões contra-ataque. A entrada de Honorato como líbero trouxe vibração, com uma defesaça de Maique levando a um ponto dele. Ainda assim, a Sérvia, com Gajovic e Nedeljkovic fortes no meio, controlou o ritmo e evitou surpresas.
O jogo revelou a profundidade do elenco sérvio, com Peric explorando falhas na ponta e Stefanovic encontrando buracos na rede. Para o Brasil, a recepção liderada por Maique funcionou em momentos, mas vacilou sob pressão de saques forçados. Bernardinho mexeu no time, substituindo Arthur Bento por Honorato, mas o impacto foi gradual.
Contexto da campanha brasileira
Antes do duelo com a Sérvia, o Brasil liderava o Grupo H com vitórias convincentes. A estreia contra a China veio de virada, 3 a 1, após um set inicial perdido, mostrando resiliência sob o comando de Bernardinho. Contra a República Tcheca, a equipe passeou com 3 a 0, parciais de 25/11, 25/22 e 25/18, destacando Alan com 12 pontos e Arthur Bento com 11. Esses resultados garantiram seis pontos e a necessidade de apenas um set para classificar.
A tradição brasileira no Mundial é imponente, com três títulos (2002, 2006, 2010) e pódios nas últimas seis edições, incluindo bronze em 2018. Bernardinho, tricampeão como técnico, trouxe experiência para lidar com pressões, mas o luto familiar adicionou camadas emocionais. A altinha no aquecimento, tradição da seleção, tentou aliviar a tensão, mas o foco permaneceu na recuperação. Flávio e Judson, com sete e seis bloqueios no torneio, são pilares defensivos, enquanto o ataque depende de Darlan e Alan para explodir.
- Vitórias anteriores: China (3-1) e Tchéquia (3-0).
- Pontuadores totais: Arthur Bento com 28 pontos em dois jogos.
- Bloqueios brasileiros: Flávio lidera com sete no Mundial.
Momentos tensos e viradas perdidas
O primeiro set teve viradas eletrizantes, como o empate em 17 a 17 com o ace de Flávio, onde a bola tocou na fita e caiu. Um rali feio, mas vencedor, de Alan levou a 18 a 18, mas a Sérvia respondeu com bloqueio de Jovovic e ataque de Peric. No segundo set, o Brasil brigou por pontos, com Lucarelli superando bloqueio em 11 a 14, e Judson marcando de primeiro tempo. No entanto, erros como o levantamento ruim de Cachopa para a rede e ataque para fora de Alan custaram a reação.
Um ponto de set para a Sérvia veio com saque de Peric pegando na rede e caindo, enquanto o Brasil vibrou com o bloqueio de Judson em 9 a 12. O drama aumentou quando Brasília sacou bem para um pontaço, mas Luburic contra-atacou imparável. Esses lances destacaram a superioridade sérvia em decisões, com quatro aces e apenas dois erros de saque. O Brasil, com recepções em 50%, perdeu oportunidades em contra-ataques, como Darlan parando em Peric.
- Ralies longos: 28 segundos no primeiro set, vencido por Luburic.
- Aces brasileiros: Flávio com ajuda da rede em momento chave.
- Erros sérvios: quatro saques para fora, mas compensados por defesa.
- Substituições: Honorato entra e pontua com vibração.
- Tempo técnico: Bernardinho para no 8 a 18 do segundo set.
Emoção e homenagem na arena
A partida transcendeu o esporte com a notícia do falecimento de Maria Ângela Rezende, mãe de Bernardinho e avó de Bruninho. A família do vôlei brasileiro se uniu na homenagem, com tarjas pretas durante os hinos, e os jogadores perfilados transmitiram solidariedade. Bruninho, ausente em quadra, divulgou a perda nas redes, e o time entrou motivado para honrar a memória. Esse contexto emocional pode ter influenciado o foco inicial, mas serviu como combustível para a busca pela reação.
A atmosfera na Mall of Asia Arena misturou torcida filipina e brasileira expatriada. Um fã local, radicado em Los Angeles, chamou atenção com um “canarinho” na cabeça, simbolizando apoio incondicional. Os aquecimentos com altinha trouxeram leveza, mas o peso do jogo prevaleceu. A transmissão pelo SporTV 2 capturou esses detalhes, enquanto o tempo real do ge manteve os fãs atualizados.
Caminho para as oitavas de final
Com o placar em 0 a 2, o Brasil foca no terceiro set para conquistar o ponto necessário à classificação. Uma vitória em dois sets garantiria a liderança do Grupo H, mas qualquer set basta para avançar. Os adversários potenciais nas oitavas vêm do Grupo A, onde Tunísia, Irã, Egito e Filipinas brigam com três pontos cada, e jogos decisivos ocorrem na madrugada de 18 de setembro, às 2h30 e 6h30 de Brasília.
Bernardinho planeja ajustes na rotação para melhorar a recepção e o bloqueio, explorando a velocidade de Darlan e a força de Lucarelli. A Sérvia, necessitando da vitória para sonhar com o mata-mata, joga sem amarras, mas o Brasil tem histórico de viradas épicas. O Mundial, com 32 equipes em oito grupos, avança para o mata-mata em Pasay, com 16 partidas definindo os classificados. A seleção verde-amarela, com retrospecto de nove vitórias nos últimos dez contra os sérvios, confia na experiência para reverter o quadro.
- Cenários de classificação: um set para vaga, dois para liderança.
- Grupo A: jogos na madrugada definem rivais.
- Histórico: Brasil venceu 9 dos últimos 10 contra Sérvia.
- Próximo foco: eficiência em contra-ataques no terceiro set.
