Ousmane Dembélé ergueu a Bola de Ouro em uma cerimônia lotada no Théâtre du Châtelet, em Paris, na noite de 22 de setembro de 2025, consolidando uma temporada que transformou o atacante francês em ícone global do futebol. Aos 28 anos, o jogador do Paris Saint-Germain superou concorrentes como Lamine Yamal e Vitinha, recebendo o troféu das mãos de organizadores da France Football após uma votação unânime de jornalistas internacionais. A conquista marcou o ápice de uma campanha com 37 gols e 14 assistências em 60 partidas, números que impulsionaram o PSG a vitórias inéditas na Europa.
Enquanto Dembélé discursava emocionado, agradecendo à família e ao técnico Luis Enrique, uma onda de interações nas redes sociais trouxe à tona um episódio de fevereiro de 2024 envolvendo Neymar. O brasileiro, então no Al Hilal, havia reagido com um emoji de risada a uma postagem que comparava seus gols pelo antigo clube ao desempenho inicial do francês no PSG. A publicação, de uma página de fãs, destacava dois tentos de Neymar contra um de Dembélé, mas ignorava as lesões que limitavam o ídolo brasileiro.
A repercussão atual divide opiniões entre torcedores, com muitos apontando o episódio como um exemplo de ironia do destino no esporte. Dembélé, contratado em 2023 como substituto direto de Neymar na camisa 10 do PSG, não só assumiu o protagonismo, mas elevou o time a conquistas que o antecessor sonhava, incluindo a primeira Champions League do clube parisiense.
- A premiação ocorreu em Paris, com presença de estrelas como Kylian Mbappé e Achraf Hakimi.
- Votação envolveu 100 jornalistas de países filiados à Fifa, priorizando desempenho entre julho de 2024 e junho de 2025.
- PSG faturou prêmios coletivos, como melhor clube do ano, reforçando o impacto de Dembélé.
Conquista inédita impulsiona carreira de Dembélé
Ousmane Dembélé, nascido em Vernon, na França, em 1997, trilhou um caminho marcado por altos e baixos antes de alcançar o topo. Formado nas categorias de base do Rennes, ele explodiu em 2016 com 13 gols na Ligue 1, atraindo olhares do Borussia Dortmund. Lá, em apenas uma temporada, contribuiu com 10 gols e 20 assistências, o que levou o Barcelona a investir 105 milhões de euros em 2017 para contratá-lo como sucessor de Neymar, que havia partido para o PSG.
No Camp Nou, no entanto, as lesões crônicas frearam o potencial do francês, que disputou apenas 185 jogos em seis anos, marcando 40 gols. A passagem instável culminou em uma transferência gratuita ao PSG em agosto de 2023, justamente para preencher o vácuo deixado por Neymar, que saíra após cinco temporadas turbulentas em Paris. Dembélé herdou não só a numeração, mas a pressão de ser o novo maestro ofensivo do time.
Sob o comando de Luis Enrique, contratado em julho de 2024, Dembélé encontrou o ambiente ideal para renascer. O técnico espanhol, ex-Barcelona, adaptou o esquema tático para explorar a velocidade e o drible ambidestro do jogador, posicionando-o como falso 9 em momentos chave. Essa flexibilidade tática foi decisiva na virada do PSG na temporada 2024/25, especialmente após um início irregular na fase de grupos da Champions League.
A evolução se reflete em números concretos: além dos 37 gols, Dembélé liderou o time em assistências decisivas, com 14 passes para gol, e foi eleito o melhor jogador da final da Champions contra o Real Madrid, onde marcou o gol do título. Sua consistência física, alcançada com uma rotina rigorosa de treinos e dieta, contrastou com críticas passadas sobre indisciplina.
Saída conturbada de Neymar do PSG
Neymar chegou ao PSG em agosto de 2017 por 222 milhões de euros, o valor mais alto da história do futebol na época, formando um trio estelar com Mbappé e Edinson Cavani. A expectativa era de domínio imediato na Europa, mas os seis anos do brasileiro em Paris foram pontuados por conquistas domésticas – três Ligue 1, duas Copas da França e duas Supercopas – sem o troféu continental que o clube tanto almejava. Lesões recorrentes, como uma na tornozeleira que o afastou por meses em 2023, limitaram sua participação a 173 jogos, com 118 gols.
A relação com a torcida azedou progressivamente. Em 2023, após uma eliminação precoce na Champions para o Bayern de Munique, Neymar enfrentou vaias e acusações de falta de comprometimento. Sua saída para o Al Hilal, da Arábia Saudita, por 90 milhões de euros, foi vista como uma ruptura amarga, com o jogador declarando publicamente insatisfação com a pressão em Paris. Dembélé, anunciado logo após, simbolizava uma renovação que Neymar não conseguiu sustentar.
No Al Hilal, o brasileiro brilhou inicialmente, marcando 19 gols em 2023/24, mas lesões persistentes o mantiveram fora de boa parte da temporada seguinte. Em 2025, ele retornou ao Santos, seu clube formador, assinando por três anos em um contrato que prioriza recuperação física. Aos 33 anos, Neymar acumula 79 gols pela seleção brasileira, mas carrega o peso de nunca ter conquistado a Copa do Mundo ou a Bola de Ouro.
- Lesões totais: mais de 500 dias afastado no PSG.
- Títulos domésticos: seis no total, mas zero europeus.
- Transferência para Al Hilal: recorde na Ásia, com salário anual de 80 milhões de euros.
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Interação de 2024 reacende debates online
Em fevereiro de 2024, quando Neymar ainda se recuperava de uma lesão no joelho, uma fanpage dedicada ao jogador postou uma imagem comparativa no Instagram. O texto ironizava: “Gols pelo PSG nesta temporada: Neymar 2, Dembélé 1”. Apesar de Neymar estar lesionado e sem jogar pelo Al Hilal havia meses, o post viralizou entre fãs brasileiros, e o próprio craque reagiu com um like e um emoji de risada, alimentando narrativas de rivalidade pós-PSG.
A postagem, agora recuperada por perfis como @EmpNeymar e @geladeiratrikas, explodiu em visualizações após a premiação de 22 de setembro. Usuários compartilharam prints, com comentários como “Quem ri por último ri melhor” e “Karma puro”. Outros defenderam Neymar, argumentando que sua era coincidiu com o domínio de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, que monopolizaram o prêmio entre 2008 e 2017.
A divisão reflete o tom polarizado das redes: de um lado, memes celebrando a ascensão de Dembélé como “vingança”; do outro, críticas à “cultura de haters” que ignora os 79 gols de Neymar pela seleção e suas cinco indicações ao top 10 da Bola de Ouro. O episódio ganhou tração em plataformas como o X, com mais de 50 mil interações em 24 horas.
Dembélé, em entrevista pós-cerimônia, evitou polemizar, focando em gratidão ao PSG e à França, onde contribuiu com seis gols na Eurocopa 2024. Sua postura madura contrastou com o silêncio de Neymar, que apenas comentou sobre a colocação de Raphinha na premiação.
Temporada brilhante do PSG em 2024/25
O Paris Saint-Germain dominou a temporada 2024/25 com uma tríplice coroa doméstica – Ligue 1, Copa da França e Supercopa – e o breakthrough na Champions League, superando o Manchester City nas semifinais por 4 a 2 no agregado. Dembélé foi o eixo do ataque, com 21 gols na liga francesa e oito na competição europeia, superando recordes pessoais e silenciando dúvidas sobre sua regularidade.
Luis Enrique, premiado como melhor técnico, implementou um 4-3-3 fluido que maximizou a velocidade de Dembélé ao lado de Mbappé, transferido ao Real Madrid em 2024, e Hakimi. O time sofreu apenas 22 gols na Ligue 1, com Donnarumma levando o Troféu Yashin como melhor goleiro. A campanha culminou na final da Champions em Wembley, onde Dembélé assistiu o gol de Vitinha na vitória por 2 a 1 sobre o Bayern.
Financeiramente, o PSG investiu 150 milhões de euros em reforços, incluindo o retorno de Verratti, mas o brilho veio do coletivo. A torcida, outrora dividida, lotou o Parc des Princes em 95% dos jogos, com média de 65 mil pagantes. Essa coesão, ausente na era Neymar, pavimentou o caminho para prêmios como o de melhor clube do ano.
- Gols do PSG na Champions: 28 em 13 jogos, recorde do clube.
- Assistências de Dembélé na Ligue 1: 10, empatado com o artilheiro.
- Público médio: aumento de 15% em relação a 2023/24.
Reações de brasileiros à premiação
Raphinha, do Barcelona, terminou em quinto na Bola de Ouro, gerando frustração entre compatriotas. O atacante brasileiro somou 34 gols e 25 assistências em 54 jogos, conquistando LaLiga e Copa do Rei, mas ficou atrás de Yamal, Vitinha e Salah. Neymar, em post no Instagram, chamou a colocação de “sacanagem demais”, ecoando protestos de figuras como Joaquim Piera, que destacou o papel de Raphinha na seleção.
Vinícius Júnior, 16º colocado, viu sua queda em relação ao vice de 2024 atribuída a uma temporada irregular no Real Madrid. Ainda assim, o Brasil celebrou as oito presenças no top 10 desde 2015, incluindo as de Neymar em 2013, 2014, 2015, 2016 e 2017. A ausência de um vencedor brasileiro desde Kaká em 2007 alimenta debates sobre o impacto de lesões e calendários sobrecarregados.
Entre os torcedores, perfis como @Culernews elogiaram Raphinha como “fundamental na seleção”, enquanto haters de Neymar usaram o episódio para questionar sua liderança. A CBF, por meio de comunicados, parabenizou Dembélé e incentivou foco na Copa América 2026.
Legado de Neymar e futuro no Santos
De volta ao Santos em junho de 2025, Neymar assinou por três anos, com salário de 5 milhões de euros anuais e cláusulas por desempenho. Em 21 jogos, marcou seis gols e deu três assistências, ajudando o Peixe a escapar do rebaixamento no Brasileirão. Lesões na coxa o afastaram de clássicos recentes, mas ele prioriza fisioterapia integrada para estender a carreira até os 40 anos.
Seu currículo impressiona: 435 gols em clubes, duas Champions pelo Barcelona e ouro olímpico em 2016. No entanto, a falta de Bola de Ouro, com terceiro lugar em 2015 e 2017, é um ponto sensível. Analistas apontam que, sem as lesões, ele poderia rivalizar com os recordes de Messi.
No Santos, Neymar inspira jovens da Vila Belmiro, com projetos sociais como o Instituto Projeto Neymar Jr., que atende 2.500 crianças. Seu retorno ao Brasil, após passagens por Santos, Barcelona, PSG e Al Hilal, simboliza um ciclo de redenção, focado em legado familiar e nacional.
- Gols pela seleção: 79 em 128 jogos, recorde brasileiro.
- Assistências no Santos 2025: foco em armação para o Brasileirão 2026.
- Projetos sociais: expansão para 10 unidades em periferias.
