O juiz Arun Subramanian anunciou nesta sexta-feira, 3 de outubro de 2025, a sentença de 50 meses de prisão para Sean “Diddy” Combs em um tribunal de Nova York. O músico e empresário, figura central do hip-hop, foi condenado por duas acusações de transporte para fins de prostituição. A pena considera o tempo já cumprido desde setembro de 2024, totalizando quatro anos e dois meses efetivos.
A decisão ocorre após o veredito de julho, quando Diddy foi considerado culpado em duas das cinco acusações iniciais. As penas máximas para esses crimes poderiam chegar a 20 anos, mas o juiz optou por uma faixa intermediária de 70 a 87 meses, ajustada para 50 meses após argumentos da defesa e promotoria.
Dezenas de pessoas se reuniram em frente ao tribunal horas antes da leitura da sentença. A audiência destacou o impacto das ofensas e o arrependimento expressado pelo réu.
Anúncio da sentença no tribunal
O juiz Subramanian iniciou a sessão descrevendo o período de prisão como desafiador para Diddy, especialmente pela separação da família. Ele mencionou cartas de apoio que demonstram o círculo afetivo do artista.
Subramanian agradeceu às vítimas por seus depoimentos, incluindo Cassie Ventura e outras que usaram pseudônimos. O magistrado enfatizou o orgulho das famílias e o valor de suas contribuições ao processo.
A multa de US$ 500 mil foi imposta como complemento à pena. Diddy, que já está detido, teve negados múltiplos pedidos de fiança desde sua prisão.
Sean Diddy – Foto: Rede Sociais
Declarações do juiz durante a audiência
Subramanian destacou a necessidade de uma sentença substancial para reforçar a punição ao abuso contra mulheres. Ele reconheceu as contribuições de Diddy como artista e empresário, que inspiraram comunidades negras e promoveram o empreendedorismo.
O juiz rejeitou a caracterização da defesa sobre os eventos conhecidos como “freak offs”, vistos como experiências consensuais. Em vez disso, descreveu-os como abusos físicos, emocionais e psicológicos exercidos por meio de poder e controle.
Subramanian considerou o trauma da infância de Diddy, incluindo a morte violenta do pai. Ainda assim, afirmou que boas ações não eliminam os danos causados às vítimas.
Ele elogiou a dedicação familiar do réu, mas priorizou a responsabilidade pelos crimes cometidos ao longo de anos.
Argumentos da promotoria e defesa
A promotora Christy Slavik defendeu a sentença como ato de justiça para vítimas cujas vidas foram afetadas por abusos repetidos. Ela descreveu o caso como envolvendo danos reais, além de questionamentos sobre valor pessoal.
A defesa, por meio do advogado Jason Driscoll, questionou disparidades em sentenças sob a Lei Mann, argumentando ausência de lucro para Diddy com a prostituição. Nicole Westmoreland reforçou o arrependimento do cliente, descrevendo-o como humano com falhas.
Brian Steel mencionou traumas não resolvidos de Diddy, como a perda precoce do pai e dependências familiares. Marc Agnifilo apontou punições públicas já sofridas pelo réu.
A sessão incluiu exibição de um vídeo sobre o trabalho filantrópico de Diddy, apresentado após intervalo.
Discurso de Diddy e apoio familiar
Diddy expressou arrependimento em seu depoimento, afirmando que experiências transformadoras mudam trajetórias pessoais. Ele agradeceu ao júri pelos veredictos de inocência nas acusações mais graves.
Seus seis filhos presentes no tribunal prestaram depoimentos emocionados. Quincy Brown o chamou de super-herói transformado, enquanto Justin destacou lições aprendidas.
Chance Combs notou maior paciência no pai, e Jessie Combs recordou o apoio após a morte da mãe em 2018. Os filhos enfatizaram a presença paterna necessária em suas vidas.
Acusações e veredictos do julgamento
O processo abrangeu denúncias de 2004 a 2024, com foco em abusos por meio de poder empresarial. Diddy foi inocentado de conspiração para extorsão e tráfico sexual, mas culpado em transportes para prostituição envolvendo Cassie Ventura e “Jane”.
Conspiração para extorsão: Inocente (pena máxima de prisão perpétua).
Tráfico sexual com Cassie Ventura: Inocente (pena máxima de prisão perpétua).
Transporte para prostituição com Cassie Ventura: Culpado (pena máxima de 10 anos).
Tráfico sexual com Jane: Inocente (pena máxima de prisão perpétua).
Transporte para prostituição com Jane: Culpado (pena máxima de 10 anos).
O julgamento começou em maio de 2025, com veredito em julho. Cassie depôs por quatro dias sobre controle e violência sofridos.
Contexto do caso e prisões anteriores
A ruína da imagem de Diddy iniciou em novembro de 2023, com processo de Cassie sobre coerção em “freak offs”. Um acordo foi selado horas após a denúncia, mas motivou outras ações civis.
Em março de 2024, buscas federais ocorreram em mansões do rapper. Um vídeo de agressão a Cassie em 2016 vazou em maio, levando à prisão em setembro.
Diddy, nascido em 1969 no Harlem, fundou a Bad Boy Records em 1994 e produziu hits globais. Seu império inclui moda e bebidas, com influência no hip-hop desde os anos 1990.
