Um grande júri federal em Maryland indiciou John Bolton, ex-conselheiro de segurança nacional de Donald Trump, por crimes relacionados ao manuseio indevido de informações classificadas.
A acusação, anunciada nesta quinta-feira, envolve oito contagens de transmissão de dados de defesa nacional e dez de retenção ilegal, com penas que podem chegar a dez anos por acusação.
Bolton, demitido em 2019 após atritos com Trump, deve se apresentar na corte de Greenbelt até sexta-feira, sob a presidência do juiz Theodore D. Chuang, nomeado por Barack Obama em 2014.
Acusações detalham compartilhamento de anotações diárias
Procuradores afirmam que Bolton enviou mais de mil páginas de entradas de diário sobre suas atividades diárias no cargo, entre 2018 e 2019, para duas pessoas da família sem autorização de acesso.
Essas anotações incluíam detalhes de reuniões com líderes estrangeiros, briefings de inteligência e discussões sobre armas de destruição em massa, classificados até o nível top secret.
Os documentos foram compartilhados via contas pessoais de e-mail e aplicativos de mensagens, violando protocolos de segurança federal.
Busca e apreensões revelam violações
Agentes do FBI revistaram a residência de Bolton em Bethesda, Maryland, e seu escritório em Washington, DC, em agosto de 2025, recuperando impressões e arquivos digitais.
Entre os itens, havia notas impressas e dispositivos com cópias de entradas de diário contendo informações sensíveis.
A investigação, iniciada em 2022 durante o governo Biden, ganhou impulso após evidências de retenção contínua até agosto deste ano.
O caso destaca riscos à segurança nacional, com procuradores argumentando que as ações de Bolton expuseram segredos a potenciais ameaças externas.
Hackers iranianos acessam e-mails de Bolton
Uma conta de e-mail AOL de Bolton foi hackeada por atores ligados ao Irã em 2021, expondo as anotações compartilhadas.
Mensagens do invasor ameaçavam vazar o conteúdo para o FBI, comparando o incidente a escândalos anteriores como o de Hillary Clinton.
Isso motivou buscas adicionais, confirmando a presença de documentos classificados em locais não autorizados.
Declarações de autoridades federais
O diretor do FBI, Kash Patel, declarou que a investigação seguiu fatos sem interferências políticas, enfatizando o compromisso com a proteção de segredos nacionais.
A procuradora-geral Pamela Bondi reforçou que ninguém está acima da lei, independentemente de posições passadas no governo.
A promotora interina de Maryland, Kelly O. Hayes, endossou as acusações, destacando o trabalho de procuradores de carreira na divisão de segurança nacional.
John Bolton – Foto: paparazzza / Shutterstock.com
Respostas de Bolton e sua defesa
Bolton emitiu nota negando irregularidades e acusando o Departamento de Justiça de Trump de retaliação política.
Seu advogado, Abbe Lowell, argumentou que as anotações eram diários pessoais não classificados, compartilhados apenas com familiares e conhecidos pelo FBI desde 2021.
Ele afirmou que o livro “The Room Where It Happened”, publicado em 2020, foi aprovado por oficiais de clearance, sem ações durante o primeiro mandato de Trump.
Bolton criticou as acusações como esforço para silenciar dissidentes, defendendo o direito à discordância em um sistema constitucional.
Contexto de outros indiciamentos recentes
Bolton é o terceiro crítico de Trump indiciado em menos de um mês, após James Comey em setembro por declarações falsas ao Congresso e Letitia James por fraude em hipoteca.
Diferente dos casos anteriores, o de Bolton envolve procuradores de carreira e investigação prévia ao atual governo.
Trump, questionado sobre o tema, chamou Bolton de “mau sujeito”, negando conhecimento prévio do indiciamento.
Esses episódios ocorrem em meio a tensões no Departamento de Justiça sob a administração Trump 2.0.
Histórico de Bolton no governo Trump
Bolton atuou como assessor de segurança de abril de 2018 a setembro de 2019, promovendo posturas duras contra Irã e Coreia do Norte.
Sua demissão seguiu divergências sobre negociações com o Talibã, levando à publicação crítica sobre o primeiro mandato de Trump.
O acordo de 2021 pelo livro exigia devolução de materiais possivelmente classificados, condição alegada como violada no indiciamento.
O caso pode resultar em prisão perpétua se todas as contagens forem comprovadas.
Audiência inicial marcada para próxima semana em Greenbelt.
Investigação incluiu análise de mais de mil páginas digitais e físicas.
