sexta-feira, 6 março, 2026
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Memórias póstumas de Virginia Giuffre revelam abusos de Epstein e elite

Virginia Giuffre, uma das principais denunciantes de Jeffrey Epstein, relata em seu livro póstumo, Nobody’s Girl, o terror de ser vítima de abusos sexuais orquestrados pelo financista e sua rede de poderosos. Publicado após sua morte em 2025, o memoir detalha encontros forçados com figuras influentes, incluindo o príncipe Andrew, e descreve o medo constante de “morrer como escrava sexual”. A obra, lançada nesta terça-feira, expõe a dinâmica de poder e manipulação que marcou sua adolescência. A BBC obteve o livro antes de sua divulgação oficial em Londres.

A narrativa de Giuffre destaca a crueldade de Epstein e Ghislaine Maxwell, sua ex-namorada, condenada a 20 anos por tráfico sexual. A autora descreve episódios de violência física e psicológica, incluindo práticas sadomasoquistas que a levaram a desejar “desmaiar de dor”.

Encontros com o príncipe Andrew

Giuffre relata ter sido forçada a manter relações sexuais com o príncipe Andrew em três ocasiões, entre 2001 e 2002. O primeiro encontro ocorreu em Londres, após uma noite no clube Tramp, onde Andrew, então com 41 anos, teria agido com “direito” sobre ela, que tinha 17 anos.

Os outros episódios teriam ocorrido em Nova York e em uma ilha de Epstein, onde Giuffre descreve um evento com outras jovens. Andrew, que nega as acusações, chegou a um acordo financeiro com Giuffre em 2022.

Rede de abusos e poder

O memoir expõe uma rede de exploração envolvendo homens ricos e influentes. Giuffre conta que era incentivada a manter uma aparência “infantil” e que sua adolescência foi marcada por humilhações e abusos físicos.

Epstein, segundo ela, usava sua riqueza para silenciar vítimas e manipulá-las. A autora revela que recebeu US$ 15 mil por um dos encontros com Andrew, reforçando a lógica de exploração.

Livro da Virginia Giuffre – Foto: Reprodução/x

Reações e impacto político

O livro reacende o debate sobre os títulos de Andrew, que abriu mão voluntariamente do ducado de York e da Ordem da Jarretiéra. Parlamentares como Rachael Maskell e Stephen Flynn defendem a remoção formal de suas honrarias.

O governo britânico, porém, considera a questão um assunto da família real. A secretária de Educação, Bridget Phillipson, reiterou que o governo não interfere em decisões da monarquia.

Investigação policial

A Polícia Metropolitana de Londres analisa denúncias de que Andrew tentou obter informações pessoais de Giuffre por meio de um oficial de proteção, em 2011.

O caso levanta questões sobre o uso indevido de dados e possíveis crimes, com especialistas sugerindo investigações por violação de proteção de dados ou má conduta.

Contexto da obra

Nobody’s Girl, escrito com a coautoria de Amy Wallace, é descrito como uma leitura angustiante, que detalha a extensão dos crimes de Epstein, morto em 2019. A família de Giuffre expressa indignação com a impunidade de alguns envolvidos.

A obra reforça a gravidade do tráfico sexual operado por Epstein.

O livro destaca a resiliência de Giuffre ao denunciar abusos.

A publicação coincide com eventos reais, como a visita do rei Charles ao Vaticano.

Posicionamento da família real

Buckingham Palace reconhece o impacto do livro, mas fontes afirmam que não há planos para retirar o título de príncipe de Andrew. O foco da monarquia está nos compromissos do rei Charles, apesar da atenção midiática sobre o caso.

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