O Conselho Deliberativo do Corinthians, com 200 conselheiros trienais e 99 vitalícios, manifestou maioria contra a transformação do departamento de futebol em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A decisão ocorre em meio à dívida de R$ 2,7 bilhões do clube e à apresentação recente do projeto SAFiel, que prevê captação de até R$ 2,5 bilhões com torcedores como acionistas.
Representantes da SAFiel entregaram carta de intenções na quarta-feira (29) aos presidentes Osmar Stabile, da diretoria executiva, e Romeu Tuma Júnior, do Conselho, no Parque São Jorge. O encontro, que durou três horas, resultou em compromisso para novas discussões internas.
A proposta surge para profissionalizar a gestão e quitar débitos, mas enfrenta barreiras no anteprojeto de reforma estatutária apresentado na segunda-feira (27).
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- Dívida atual: R$ 2,7 bilhões, com déficit projetado de R$ 83 milhões em 2025.
- Captação SAFiel: R$ 1,6 bilhão a R$ 2,5 bilhões via ações populares.
- Benefícios: Modernização do CT, investimentos no elenco e royalties ao clube social.
Anteprojeto estatutário impõe limites à SAF
O documento exige aprovação por dois terços no Conselho de Orientação (Cori), no Deliberativo e em assembleia de associados. Vedada qualquer aquisição de controle majoritário por externos, o clube deve reter pelo menos 51% das ações. Royalties mínimos de 10% da receita líquida da SAF voltam ao associativo, preservando identidade popular do Timão.
Idealizadores da SAFiel detalham modelo
Carlos Teixeira, Maurício Chamati, Eduardo Salusse e Lucas Brasil lideram o grupo. Ações partem de valores acessíveis, com limite de 1 voto por CPF e comprovação de origem para compras elevadas.
Gestão ocorre via comitê independente, inspirado no Bayern de Munique, com foco em compliance e auditorias. O clube social separa-se do futebol, recebendo pagamentos mensais para atividades tradicionais.
Vozes contrárias defendem administração atual
Conselheiros como Caio Blandi, do Cori, afirmam que fiscalização interna revela irregularidades e basta gestão austera para reverter a crise.Miriam Athié e Manoel Cintra, vitalícios presentes no lançamento SAFiel, cobraram contrapropostas da diretoria.
Não vejo SAF como maléfica, mas natural no futuro. Corinthians é do povo, sem dono, declarou Blandi.
Especialista alerta para reforma tributária
José Francisco Manssur, autor da Lei da SAF, aponta resistência ligada à perda de status dos conselheiros.
A partir de 2027, tributação sobe para associativos (10,6% a 11,4% até 2033), contra 5% a 8,5% para SAFs, segundo Elisa Tebaldi. Flamengo e Palmeiras prosperam como associações, mas SAF abre venda de ações para receitas extras.
Reuniões marcam avanço do diálogo
Tuma Júnior comprometeu-se a submeter a carta aos jurídicos e agendar apresentação aos 299 conselheiros.
Idealizadores admitem desafios, mas insistem na viabilidade sem controlador único.
Votação do anteprojeto ocorre em novembro no Deliberativo.
