Em 2022, mais da metade (51,3%) da população de 10 anos ou mais do país vivia em união conjugal, o que representa 90,3 milhões pessoas. O Paraná com 55,3% ficou em terceiro, entre os estados com maiores percentuais de pessoas vivendo em união conjugal, atrás de Santa Catarina (58,4%) e Rondônia (55,4%).
Paraná tem alerta de temporal, dias após chuvas devastarem 40 municípios; sexta risco é extremo
Os números são do Censo Demográfico 2022: Nupcialidade e Família: Resultados preliminares da amostra. Foram divulgados nesta quarta, 5, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e, revelam um dado inédito. Essa é a primeira vez, que o tipo de união mais frequente foi a união consensual (38,9%), que ultrapassou o casamento civil e religioso (37,9%).
Em 2000, menos da metade da população vivia em união (49,5%), chegando a 50,1% em 2010 e atingindo os 51,3% em 2022. A proporção de pessoas que não viviam em união conjugal, mas já viveram, também cresceu no período, saindo de 11,9% em 2000 para 14,6% em 2010 e atingindo 18,6% em 2022, um aumento de 56,3% considerando todo o período.
Por outro lado, houve redução no percentual de pessoas que nunca viveram em união, com queda de 38,6% em 2000 para 35,4% em 2010 e chegando a 30,1% em 2022.
O Rio de Janeiro destacou-se por ter o maior percentual de pessoas que viveram dissoluções da união conjugal (21,4%), seguido por Bahia (20,4%) e Sergipe (20,1%). Os menores percentuais estavam em Santa Catarina (16,1%), Pará e Mato Grosso (16,9%, ambos).
“O aumento na proporção de uniões consensuais reforça as mudanças comportamentais que têm sido experimentadas na sociedade brasileira, quando as uniões no civil e religioso vem perdendo espaço para as uniões não formalizadas. No entanto, vale ressaltar que as uniões consensuais podem ser registradas em cartório ou não”, ressalta Luciene Longo, analista da pesquisa.
União consensual tem maiores proporções entre jovens, sem religião e menores rendimentos
As uniões consensuais eram mais frequentes entre pessoas até 39 anos, concentrando 56,2% delas em 2022, evidenciando uma importante relação geracional. Já entre as uniões formais (casamento no civil e no religioso) há preponderância entre as pessoas de 40 anos ou mais (76,3%).
“A união consensual estava mais presente entre as pessoas em condições socioeconômicas mais precárias, na medida em que as pessoas nas faixas de menor rendimento domiciliar per capita tiveram maior representação nesse tipo de união”, avalia Luciene. Para aqueles cujo rendimento era de até ½ salário-mínimo, 52,1% das uniões eram consensuais. À medida que o rendimento aumenta, maiores são as proporções de casamento civil e religioso, chegando a 54,3% para aqueles cujo rendimento era de mais de 5 salários-mínimos.
O estado conjugal está relacionado a escolhas individuais, mas é também influenciado pelas convicções religiosas. Entre os que optaram pelo casamento civil e religioso, houve uma maior frequência de católicos (40%) ou evangélicos (40,9%), enquanto a união consensual foi a principal escolha para os sem religião (62,5%).
Mulheres se unem mais novas, mas diferença em relação aos homens diminuiu
Os dados mostram que mulheres mais novas, com idade até 39 anos (42,9%), estavam unidas em uma proporção mais elevada do que homens do mesmo grupo etário (35,8%). Entre os 40 e 49 anos, isso se inverte, com maior proporção de homens unidos (23,2% versus 23,1% para mulheres), chegando há uma diferença de quase 6 pontos percentuais entre as pessoas de 60 anos ou mais (22,5% e 16,7%, respectivamente).
“Isso reflete a maior expectativa de vida das mulheres. Com uma maior longevidade feminina, aumenta a proporção de mulheres nunca unidas e aquelas que passam a viver sem os seus cônjuges ou companheiros, seja por separação ou viuvez, fazendo com que a proporção de homens que vivem em união seja maior a partir dos 60 anos de idade”, observa Luciene.
A idade média à primeira união mostrou uma ligeira tendência de crescimento nas últimas décadas. Em 1980, era de 24,1 anos; em 1991, 24,3 anos; em 2000, 24,2 anos; em 2010, 24,4; e em 2022 passou a 25,0 anos de idade. Homens continuam se unindo em idades superiores, no entanto, essa diferença diminuiu ao longo dos anos: enquanto em 2000 e 2010 era em torno de 3 anos, em 2022 passou para 2, 7 anos. O Sudeste (25,9) apresentou a maior idade médias ao se unir pela primeira vez, tanto para homens (27,2) quanto para mulheres (24,6).
Confira os principais destaques do estudo divulgado nesta quarta:
Em 2022, 51,3% da população de 10 anos ou mais do país viviam em união conjugal. Em 2010, eram 50,1% e, em 2000, 49,5%.
De 2000 para 2022, a proporção de pessoas na população de 10 anos ou mais que nunca viveram em união conjugal caiu de 38,6% para 30,1%. Já a proporção dos que não viviam, mas já haviam vivido em união conjugal subiu de 11,9% para 18,6%.
De 2000 a 2022, cresceram os casamentos somente no civil (17,5% para 20,5%) e as uniões consensuais (28,6% para 38,9%) e caíram os casamentos no civil e religioso (49,4% para 37,9%) e apenas no religioso (4,4% para 2,6%).
O percentual de uniões consensuais superou a proporção de casamentos civis e religiosos pela primeira vez, tornando-se a forma de união mais frequente.
Entre as pessoas que viviam em união por grupos de cor ou raça, o casamento civil e religioso predomina na população branca (46,0%) e amarela (48,2%), enquanto a união consensual predomina na população indígena (56,0%), preta (46,1%) e parda (43,8%).
Entre os que optaram pelo casamento civil e religioso, houve uma maior frequência de católicos (40%) e evangélicos (40,9%), enquanto a união consensual foi a principal escolha para os sem religião (62,5%).
De 2010 para 2022, o total de uniões entre pessoas do mesmo sexo subiu de 58 mil (ou 0,1% do total de unidades domésticas) para 480 mil (ou 0,7%). Em 2022, 77,6% dos casais homoafetivos viviam em união consensual e 13,5% em uniões realizadas apenas no civil.
O post Paraná é o terceiro estado com mais casais em união conjugal que casamentos; virada histórica apareceu primeiro em Bem Paraná.
