sexta-feira, 6 março, 2026
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Suprema Corte da Itália livra Maradona de cobrança fiscal histórica

A Suprema Corte de Cassação da Itália absolveu, em janeiro de 2024, o ex-jogador Diego Maradona das acusações de evasão fiscal que o perseguiram por mais de 30 anos. A decisão encerrou uma batalha jurídica iniciada nos anos 1980, quando o craque atuava pelo Napoli, envolvendo uma dívida de € 37 milhões com o governo italiano. O caso, que marcou a vida do ídolo argentino, foi resolvido três anos após sua morte, em novembro de 2020. A sentença beneficia os herdeiros de Maradona, que agora podem buscar indenizações.

A disputa começou devido a alegações de que Maradona usava empresas em Liechtenstein para ocultar ganhos com direitos de imagem entre 1985 e 1990. O jogador sempre negou as acusações, afirmando que desconhecia detalhes das obrigações fiscais geridas pelo Napoli. Durante anos, o fisco italiano confiscou bens do atleta, como relógios e joias, para quitar parte da dívida.

Principais pontos do caso:

Dívida inicial: € 37 milhões, com € 23,5 milhões em juros acumulados.

Período da disputa: 1985 a 2024.

Bens confiscados: € 42 mil, dois relógios de luxo e brincos de diamante.

Resultado: Absolvição total em janeiro de 2024.

Decisão judicial histórica

A sentença da Suprema Corte de Cassação foi celebrada pelos herdeiros de Maradona. O advogado Angelo Pisani destacou que a decisão “restabelece a justiça” e honra a memória do jogador.

O veredicto reconheceu que as acusações contra Maradona careciam de fundamento legal sólido. A corte considerou irregularidades na forma como o fisco italiano conduziu o processo.

Impacto nos herdeiros

Os filhos de Maradona, reconhecidos oficialmente, podem agora buscar compensações financeiras. O advogado Pisani sugeriu que a família tem direito a indenizações por danos morais e materiais sofridos durante décadas.

A disputa fiscal reduziu significativamente o patrimônio de Maradona, estimado em apenas US$ 500 mil na época de sua morte. A absolvição pode abrir caminho para recuperação financeira dos herdeiros.

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Origem do conflito fiscal

O caso teve início durante os anos de glória de Maradona no Napoli, entre 1984 e 1991. As autoridades italianas acusaram o jogador de sonegação em contratos de publicidade.

Maradona alegava que o clube era responsável pelas declarações fiscais. Ele afirmou desconhecer as complexidades tributárias envolvidas nos acordos.

O fisco italiano, porém, manteve a pressão, aplicando multas e juros que elevaram a dívida. A batalha jurídica se arrastou por tribunais italianos até a decisão final.

O processo gerou confiscos de bens em várias ocasiões, como em 2006 e 2009. Mesmo assim, Maradona pagou apenas uma fração do valor cobrado.

Legado financeiro conturbado

A dívida fiscal foi um dos maiores entraves na vida de Maradona. Apesar de sua fortuna acumulada, estimada entre US$ 75 milhões e US$ 100 milhões em ativos, os problemas tributários comprometeram seu patrimônio.

O jogador enfrentou dificuldades financeiras agravadas por gastos elevados e má gestão. Sua morte, em 2020, deixou um espólio complexo, com pelo menos oito herdeiros disputando a herança.

A absolvição póstuma alivia a pressão sobre os bens remanescentes. A decisão também reforça a imagem de Maradona como vítima de um sistema tributário rigoroso.

Repercussão na Itália

Na Itália, a notícia foi recebida com alívio por fãs do Napoli. Maradona é reverenciado como ídolo por levar o clube a dois títulos da Serie A.

A absolvição reacendeu debates sobre a gestão fiscal de atletas na Europa. Especialistas apontam que casos semelhantes ainda afetam jogadores de elite.

Maradona além do campo

Diego Maradona, morto aos 60 anos em Tigre, Argentina, foi um dos maiores jogadores de futebol da história. Sua passagem pelo Napoli transformou o clube e elevou o orgulho do sul da Itália.

Apesar das glórias, sua vida foi marcada por controvérsias, incluindo problemas com drogas e finanças. A resolução do caso fiscal, anos após sua morte, encerra um capítulo turbulento de sua trajetória.

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