O Tribunal de Justiça de L’Aquila, na Itália, determinou a remoção de três crianças da custódia dos pais, Nathan Trevallion, de 51 anos, britânico, e Catherine Birmingham, de 45 anos, australiana. A decisão ocorreu em 20 de novembro de 2025, na região de Abruzzo, após autoridades identificarem violações graves à saúde e segurança dos menores. O casal vivia em uma casa rural isolada na floresta de Palmoli, sem acesso a água encanada, eletricidade ou gás, e fornecia educação domiciliar aos filhos.
A família atraiu atenção pública em setembro de 2024, quando todos os cinco membros foram internados por intoxicação após consumirem cogumelos silvestres tóxicos coletados na mata. Serviços sociais avaliaram as condições de vida como inadequadas, citando ausência de interações sociais regulares e renda estável. Os menores, uma menina de oito anos e gêmeos de seis anos, foram transferidos para uma comunidade educacional protegida.
Histórico da família na Itália
O casal se mudou para a Itália em 2021, após Catherine abandonar sua carreira como instrutora de equitação na Austrália para se dedicar a práticas de coaching de vida e cura espiritual. Nathan, ex-chef profissional de Bristol, no Reino Unido, optou por uma vida autossuficiente na propriedade rústica, onde criam cavalos, burros e galinhas, e cultivam frutas e vegetais orgânicos.
Eles utilizam energia solar para necessidades básicas e retiram água de um poço próximo, mantendo uma rotina focada em educação alternativa. A residência, comprada em estado deteriorado, carece de instalações sanitárias modernas, o que contribuiu para a intervenção judicial.
Condições que motivaram a ação judicial
Autoridades relataram falta de facilidades sanitárias na casa, o que expõe os menores a riscos ambientais. A educação domiciliar, embora legal na Itália, não foi comprovada com currículo formal, gerando preocupações sobre desenvolvimento cognitivo.
O incidente com os cogumelos em 2024 acelerou investigações, revelando ausência de supervisão médica regular além de consultas pediátricas esporádicas. Assistentes sociais destacaram isolamento social, com interações limitadas à comunidade local.
Sem rede de suporte familiar próxima;
Dependência de coleta de alimentos silvestres sem orientação especializada;
Estrutura da casa com paredes rachadas, apesar de manutenção básica.
Declarações dos pais sobre a remoção
Nathan descreveu a operação policial como repentina, ocorrida na tarde de quinta-feira, com dez oficiais presentes. Ele nega negligência e afirma que as crianças recebem cuidados adequados, incluindo visitas a um pediatra.
Catherine, autorizada a acompanhar os filhos inicialmente para minimizar o impacto emocional, relatou separação forçada no abrigo após 10 dias. O advogado da família, Giovanni Angelucci, contesta alegações judiciais, alegando imprecisões no relatório, especialmente quanto à escolaridade.
O casal planeja recorrer da decisão, argumentando que a vida simples promove bem-estar superior ao convencional.
Famiglia nel Bosco – Reprodução/Youtube
Reações públicas e políticas ao caso
A notícia gerou debate nacional sobre estilos de vida alternativos, com mais de 33 mil assinaturas em petição online pedindo a reunificação. O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini criticou a ação como excessiva, comparando-a a intervenções em acampamentos de minorias.
A primeira-ministra Giorgia Meloni solicitou avaliação de inspetores para revisar o processo. Grupos de defesa da família, como Pro Vita & Famiglia, posicionam-se contra a remoção, defendendo a autonomia parental em escolhas não prejudiciais.
Especialistas em direitos infantis enfatizam equilíbrio entre proteção e liberdade, citando que casos semelhantes aumentaram 15% em regiões rurais italianas nos últimos dois anos.
Aspectos legais da educação domiciliar na Itália
A legislação italiana permite homeschooling desde que pais notifiquem autoridades e submetam planos anuais de estudo. No entanto, tribunais juvenis podem intervir se houver evidências de prejuízo ao desenvolvimento.
Neste caso, inspetores verificaram ausência de documentação curricular, levando à classificação de risco. Famílias off-grid enfrentam escrutínio maior, com 20% das remoções em Abruzzo ligadas a isolamento em 2024.
O processo de apelação pode durar até seis meses, durante os quais os menores permanecem em observação.
Vida diária na propriedade rural
A rotina envolvia tarefas compartilhadas, como cuidado com animais e horta, promovendo aprendizado prático. Os pais afirmam que isso fomenta independência, com as crianças auxiliando em colheitas sazonais.
No entanto, relatos indicam desafios logísticos, como transporte para consultas médicas a 30 quilômetros de distância. A propriedade, em área de 5 hectares, serve como refúgio, mas limita acesso a serviços essenciais.
Procedimentos de transição para os menores
Os filhos foram levados a uma estrutura acolhedora em Chieti, com suporte psicológico inicial. Autoridades priorizaram continuidade de rotinas, incluindo contato supervisionado com a mãe.
Avaliações mensais monitorarão adaptação, com possibilidade de retorno condicionado a melhorias na residência. O pai permanece na casa, proibido de visitas não autorizadas.
