sábado, 7 março, 2026
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No Paraná, ciclistas atropelam quase quatro vezes mais do que são atropelados

O Paraná é um dos estados que mais manda ciclistas para o hospital e para o caixão em ocorrências no trânsito. Não raro, entretanto, esses mesmos ciclistas deixam o papel da vítima para assumir o de algozes. É o que revela um levantamento do Bem Paraná, feito com base em dados do Ministério da Saúde, os quais revelam que, em suma, os ciclistas atropelam quase quatro vezes mais do que são atropelados no estado.

As estatísticas oficiais, extraídas do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), revelam que ao longo dos últimos 10 anos (entre 2015 e 2024) um total de 1.256 pessoas que andavam de bike pelo Paraná foram parar no hospital após se envolverem em acidentes do transporte. Na lista estão ciclistas que se feriram após colisões com pedestres, com outros veículos a pedal, com carros, motos, trens e outros tipos de veículos, motorizados ou não.

Por outro lado, ao longo desse mesmo período, 4.637 pedestres acabaram sendo internados após serem atingidos por uma bicicleta ou outro veículo a pedal. O número de ocorrências chegou a cair entre 2019 e 2021, passando de 621 casos em 2018 para 90 em 2021 (uma redução de (-85,5%). Em 2022, 2023 e 2024, no entanto, houve 252, 512 e 451 registros de casos desse tipo, respectivamente.

Ou seja, os ciclistas paranaenses atropelam 3,69 vezes mais do que são atropelados. Isso equivale dizer que, para cada 10 ciclistas atropelados, temos 36 pedestres lesionados após alguma colisão com uma bicicleta.

Paraná é o segundo estado que mais matou ciclistas no país

Apesar do grande número de internações, são raros os casos de atropelamento de pedestres por bicicleta ou outro veículo a pedal que terminam em morte. Entre 2015 e 2024, por exemplo, ocorreram apenas nove óbitos em casos assim, com quatro mortes em 2023, duas em 2022 e mais uma nos anos de 2015, 2017 e 2018.

Por outro lado, as mortes de gente pedalando em acidentes envolvendo outros veículos são bem mais comuns. E o Paraná, em 2024, foi ainda a segunda unidade da federação com mais mortes de ciclistas.

Sempre de acordo com os dados do Ministério da Saúde, entre 2015 e 2024 um total de 13.686 ciclistas faleceram em acidentes de transporte em todo o país. O Paraná, com 1.335 registros, foi o terceiro estado com mais registros, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. Nos dois estados, houve 2.556 e 1.350 óbitos no período analisado, respectivamente.

Considerando-se apenas os dados de 2024, no entanto, temos um cenário alarmante para o Paraná. Isso porque o estado bateu um recorde de ciclistas mortos no trânsito, com 158 registros, número 17,9% superior aos 134 registros de 2023. Dessa forma, o trânsito paranaense foi o segundo que mais matou ciclistas no país no ano em análise, atrás apenas de São Paulo, que teve 265 óbitos.

Seguir as regras faz bem ao trânsito

A bicicleta, como todo meio de mobilidade, exige atenção e respeito às regras de trânsito. Com cuidado, garante-se a segurança de todos e realça-se o prazer de pedalar. Assim sendo, todos – motoristas, ciclistas e pedestres – devem respeitar as regras, garantindo boa convivência e uso adequado dos espaços públicos.

Por isso é importante que se respeite, primeiramente, a sinalização de trânsito, como semáforos, faixa de pedestres e uso das calçadas. Também é proibido pedalar na contramão do fluxo de veículos na rua e nas canaletas exclusivas para ônibus, enquanto nas calçadas e calçadões o certo é quem está pedalando desmontar da bicicleta.

Alguns equipamentos também são importantes para reforçar a segurança dos ciclistas, como espelho retrovisor, campainha e sinalização reflexiva. Capacete, luzes adicionais, luvas, joelheiras e cotoveleiras também são uma boa para quem quer ficar ainda mais seguro.

Finalmente, evite pedalar usando aparelho celular ou fones de ouvido, para poder escutar algum possível alerta. Ademais, também é importante usar gestos para sinalizar o trajeto aos outros veículos, evitando colisões. Também não pegue, jamais, ‘carona’ em outro veículo – a famosa rabeira -, prática que já resultou em tragédia na cidade de Curitiba.
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