Ainda envolto em preconceitos, o pole dance está ganhando espaço entre os atletas de Curitiba – inclusive entre os homens. Um deles é Diover Almeida, um curitibano de 27 anos que já ganhou alguns campeonatos mundiais da modalidade.Aos 19 anos, Diover, que trabalhava como caixa de supermercado, recebeu um convite diferente: fazer aulas de Pole Dance. Levado pela curiosidade, o jovem foi à sua primeira aula e acabou surpreso com a experiência. Muito além de sensualidade e movimentos “sexys”, Diover descobriu um esporte e, claro, uma nova paixão.“Foi realmente uma paixão assim, imediata. Não era aquilo que eu esperava, mas me surpreendeu muito. Eu nunca gostei de academia. Academia, pra mim, é uma coisa que você vai e sempre repete. E o pole, ele sempre tá te surpreendendo. São movimentos novos, milhões de movimentos. Me apaixonei mesmo”, contou o atleta.É claro que, inicialmente, a prática não foi fácil. Diferente do que pode parecer, o pole dance é uma modalidade difícil, que exige consciência corporal e força. Para Diover, que entrou na modalidade sendo sedentário, o caminho foi longo, mas valeu a pena.“Então, aquele começo foi sofrido, principalmente na questão da força. A gente tem muito trabalho de sustentação. Então, esse trabalho foi crescendo, crescendo, ficando cada vez mais pesado. E as dores são outro fator também, porque a gente amassa o nosso corpo para conseguir se segurar”, relata.Hoje Diover treina no Estúdio Plural, que atende homens e mulheres no Pole Dance e Aéreos. A academia fica na R. Prof. Ulisses Vieira, 610 – loja 03, no bairro Vila Izabel.“Infelizmente ainda não é um esporte reconhecido como deveria. Não temos apoio financeiro. Algumas marcas ajudam com roupas e uniformes, mas todo o resto — passagens, hospedagem, inscrições — é por nossa conta. Eu vivo o pole. Não financeiramente ainda, mas minha vida gira em torno disso”, afirma Diover Almeida, que não perde a esperança de um dia poder se dedicar apenas ao esporte.
Curitibano começou a competir com apenas 6 meses de prática
Com apenas 6 meses de pole dance, Diover participou da sua primeira competição não oficial. Foi ali que percebeu que queria ir além. Em 2022, entrou no universo do “pole sport”, representando federações brasileiras e viajando pela primeira vez para competir na Polônia.No momento, o Brasil é representado principalmente pela Confederação Brasileira de Aéreos e Pole Sports (CBAPS), mas também existe a Federação Brasileira de Pole Brasil & SulAmérica (FBPOLE). Diover já competiu por ambas, e neste ano conquistou o primeiro lugar pela CBAPS, em Buenos Aires, em duas categorias: pole sport e pole art. Além disso, foi vice-campeão pelo ultra pole.
Mais: As diferenças entre Pole Sport, Pole Art e Ultra Pole
As modalidades do pole dance têm características distintas. No pole sport, a apresentação segue códigos e movimentos obrigatórios, exigindo força, precisão e resistência. “É quase como uma ginástica acrobática. A gente monta uma coreografia seguindo uma tabela de pontuação”, explica.O pole art, por outro lado, valoriza expressão, história e interpretação. O atleta escolhe um tema, cria uma narrativa e traduz isso em movimentos. E, por fim, o ultra pole é totalmente diferente: funciona como uma batalha entre dois atletas. O objetivo é entregar impacto, um verdadeiro show.O Bem Paraná já explicou a origem do pole dance e um pouco das diferenças entre as modalidades. Leia aqui.
Entre treinos e a rotina CLT
Apesar dos títulos internacionais, a realidade financeira do esporte ainda é desafiadora. Diover continua trabalhando no supermercado. O dia termina às 17h, e depois disso ele segue direto para o estúdio, onde treina até 21h ou 22h. Para bancar as viagens, muitas vezes recebe ajuda de amigos, rifas e vaquinhas.“Infelizmente ainda não é um esporte reconhecido como deveria. Não temos apoio financeiro. Algumas marcas ajudam com roupas e uniformes, mas todo o resto – passagens, hospedagem, inscrições – é por nossa conta. Eu vivo o pole. Não financeiramente ainda, mas minha vida gira em torno disso”, afirma.
Homens no pole dance
Mesmo sendo um ambiente majoritariamente feminino, Diover encontrou acolhimento nos estúdios. Preconceitos existem, mas, segundo ele, nunca foram barreiras. “Minha família sempre me apoiou. E nos campeonatos vejo homens do mundo inteiro. O pole é para todos.”E, claro, para quem ainda associa o pole apenas à sensualidade, ele deixa um convite direto: faça uma aula experimental. “É difícil explicar. Você só entende quando tenta. É um esporte completo e muito desafiador.”A temporada deste ano já terminou, mas os treinos continuam. Em 2026, ele espera se classificar novamente para o mundial, que será na República Tcheca.
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