sexta-feira, 6 março, 2026
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Premiê Rosen Zhelyazkov renuncia após protestos da Geração Z derrubarem governo na Bulgária

O primeiro-ministro da Bulgária, Rosen Zhelyazkov, anunciou a renúncia de seu governo em 11 de dezembro de 2025, após semanas de manifestações em massa lideradas por jovens da Geração Z. Os protestos, concentrados em Sófia e em dezenas de outras cidades, exigiam medidas contra a corrupção generalizada e criticavam políticas econômicas do executivo. A decisão ocorreu minutos antes de uma votação de moção de desconfiança no Parlamento, que poderia derrubar a coalizão minoritária liderada pelo partido Gerb.

A queda do governo acontece menos de três semanas antes da entrada da Bulgária na zona do euro, prevista para 1º de janeiro de 2026. O país, membro da União Europeia desde 2007, enfrenta instabilidade política há anos, com sete eleições nacionais realizadas desde 2021. Apesar do recuo em propostas orçamentárias controversas, as mobilizações mantiveram a pressão sobre o executivo.

Milhares de manifestantes ocuparam ruas em várias localidades, com participação predominante de jovens nascidos entre 1997 e 2012. Eles expressavam frustração com a incapacidade de governos sucessivos em combater a corrupção, considerada um problema persistente no país mais pobre da UE.

Origem das manifestações

Os protestos iniciaram no final de novembro de 2025, desencadeados por um projeto de orçamento para 2026 que previa aumentos nas contribuições para a seguridade social e nos impostos sobre dividendos. Essas medidas visavam financiar maiores gastos públicos, mas foram vistas como favorecedoras de setores associados à corrupção. O governo retirou a proposta inicial após as primeiras mobilizações, mas isso não conteve a insatisfação popular.

A Geração Z organizou as ações principalmente por meio de redes sociais, ampliando o alcance rapidamente.

Slogans como “não permitiremos que nos roubem” e faixas com “Bulgária jovem sem máfia” dominaram as ruas de Sófia.

Manifestações ocorreram em coordenação com grupos opositores, unindo diferentes segmentos da sociedade.

As demonstrações começaram pacíficas, mas registraram episódios de confrontos com forças de segurança em alguns momentos. Dezenas de milhares participaram das principais concentrações, com imagens aéreas mostrando grandes aglomerações em frente ao Parlamento.

Geração Z protesta contra o Governo de Rosen Zhelyazkov – rkold/ Shutterstock.com

Declarações do premiê e oposição

Rosen Zhelyazkov afirmou em pronunciamento televisionado que a coalizão avaliou a situação e optou pela renúncia para atender às expectativas da sociedade. Ele descreveu os protestos como uma rejeição à arrogância, mais do que a políticas específicas, e destacou que uniram diversas faixas etárias e origens. O premiê enfatizou a necessidade de responsabilidade diante dos desafios enfrentados pelo país.

Líderes da oposição, como Asen Vassilev, do partido Continuamos a Mudança, consideraram a renúncia o primeiro passo para normalizar o país como nação europeia. Eles defenderam a realização de eleições justas, sem manipulações observadas em pleitos anteriores. O presidente Rumen Radev, que havia pedido a saída do governo, reforçou a importância de ouvir as vozes das praças públicas.

Movimentos semelhantes ao redor do mundo

A mobilização búlgara segue padrão de protestos liderados por jovens da Geração Z em outros países. Movimentos semelhantes resultaram na queda de governos em Bangladesh, Sri Lanka, Nepal e Madagascar ao longo de 2025. Essas ações destacam o uso de ferramentas digitais para organizar ativismo contra corrupção e desigualdades econômicas.

Na Bulgária, os jovens expressam desejo por maior integração europeia e combate efetivo à corrupção. As manifestações pressionaram autoridades em nações como Sérvia, Filipinas e Peru, mostrando uma tendência global de engajamento político dessa faixa etária. A coordenação via plataformas online ampliou a participação em tempo real.

Contexto político búlgaro

A Bulgária vive ciclo de instabilidade desde 2021, com governos de curta duração e coalizões frágeis. O executivo de Zhelyazkov, empossado em janeiro de 2025, sobreviveu a cinco moções de desconfiança anteriores. A renúncia abre caminho para consultas parlamentares visando formar novo gabinete ou convocar eleições antecipadas.

De acordo com a Constituição, o presidente Rumen Radev iniciará diálogos com partidos representados no Parlamento. Caso não haja acordo para nova maioria, uma administração interina será nomeada até a realização de novo pleito. O gabinete atual permanece em funções até a transição.

Detalhes das principais manifestações

A concentração de 10 de dezembro reuniu dezenas de milhares em Sófia, com participação majoritária de jovens. Manifestantes entoavam frases contra mentiras e roubo, exibindo cartazes que sinalizavam a chegada da Geração Z à cena política. A ação foi pacífica no início, mas evoluiu para tensões com a polícia em pontos específicos.

Dez pessoas foram detidas durante confrontos isolados.

Serviços de emergência atenderam feridos no local e em hospitais.

Protestos simultâneos ocorreram em cidades como Plovdiv, Varna e Burgas.

As mobilizações destacaram unidade contra atitudes percebidas como arrogantes no poder. Jovens profissionais e estudantes formaram o núcleo das ações, ampliando demandas por transparência.

Próximos passos institucionais

Com a renúncia formalizada, o Parlamento deve ratificar a decisão nos dias seguintes. Partidos terão oportunidade de tentar formar coalizão estável. Analistas apontam probabilidade de novas eleições, dada a fragmentação política atual.

A transição ocorre em momento delicado, com a adoção do euro se aproximando. Autoridades europeias monitoram o processo, considerando a estabilidade como fator relevante. O governo interino, se necessário, gerenciará o país até a definição de novo executivo.

Perfil da Geração Z nos protestos

Jovens entre 1997 e 2012 lideraram as ações com conhecimento digital avançado. Eles coordenaram convocações por redes sociais, alcançando engajamento recorde. A frustração acumulada com corrupção e falta de perspectivas impulsiona o ativismo.

Essa faixa etária busca mudanças estruturais para permanecer no país. Protestos unem demandas por valores democráticos e combate à desigualdade. A mobilização reflete tendência global de juventude desafiando estruturas tradicionais de poder.

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