sábado, 7 março, 2026
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Familiares e Coletivos convocam ato em memória de Odara, vítima de feminicídio em Curitiba

No próximo domingo, dia 21 de dezembro, Curitiba vai receber um ato em memória de Odara Vitor Moreira. A mulher, uma jovem negra de 28 anos, foi morta na madrugada do dia 13 de dezembro pelo ex, Lucas Cherobim Ferreira de Souza, no apartamento onde que os dois dividiam, no bairro Portão, em Curitiba. A manifestação, que acontecerá na Praça Santos Andrade, a partir das 10 horas, também vai pedir a responsabilização do acusado, que tem alegado legítima defesa para justificar o crime.

Lucas e Odara estavam divorciados desde o dia 5 de novembro. A mulher, inclusive, estava prestes a assinar o contrato da sua nova casa, para onde se mudaria dentro de um mês.

De acordo com o depoimento do suspeito, na noite do crime Odara chegou ao apartamento com seu atual namorado, de quem se despediu na porta de casa, sem que ele chegasse a entrar na residência. Ainda assim, e mesmo com Lucas tendo conhecimento da atual relação de Odara, os dois se desentenderam e tiveram uma breve discussão.

Suspeito alega legítima defesa, mas família contesta história

A versão apresentada pelo acusado sustenta que, durante a madrugada, Odara teria entrado no quarto de Lucas e o atingido com golpes de faca enquanto ele dormia. Os dois teriam se envolvido em uma briga corporal, que terminou com Odara morta com várias facadas.

A versão de Lucas é contestada pela família de Odara, que afirma que ela era uma menina pequena e ele enorme, alto. “Ela não ia conseguir fazer nada com ele”, apontam.

Durante o depoimento, ao ser perguntado se tinha intenção de matar Odara, Lucas negou, afirmando que “só queria acabar com a situação”. Ele afirmou ter atingido Odara com quatro facadas. Contudo, o laudo pericial mostrou que a vítima acabou atingida mais vezes. Lucas estava de viagem marcada para Toronto, no Canadá, no dia do crime, onde ficaria por duas semanas.

Funcionária da APP Sindicato, Darinha estava prestes a celebrar 29 anos

Odara trabalhava há seis anos na APP-Sindicato, onde exercia a função de Assistente Técnica na sede estadual, realizando atendimento aos sindicalizados.

Chamada carinhosamente de “Darinha” pela família, Odara comemoraria 29 anos no dia 15 de dezembro.

“Ela estava muito feliz nos últimos dias. Comprou o carro dela, o apartamento, estava muito feliz. A Odara era uma menina trabalhadora, corria atrás dos sonhos dela. Estamos arrasados e queremos justiça”, contou a irmã de Odara, em entrevista ao repórter Tiago Silva da Ric RECORD.

O local de trabalho da jovem também é o espaço de atuação do pai do suspeito. O pai de Lucas, Mário Sérgio Ferreira de Souza, tem uma longa trajetória dentro da entidade que Odara era funcionária, tendo atuado como presidente da APP e secretário de Assuntos Jurídicos.

654 casos de violência contra a mulher por dia

O feminicídio de Odara ocorre em um contexto alarmante de violência contra a mulher no Paraná. Apenas nos dez primeiros meses de 2025, o estado registrou 198.737 casos de violência contra mulheres, segundo o Centro de Análise, Planejamento e Estatística (Cape) da Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), o que equivale a uma média de 654 ocorrências por dia, um novo registro a cada dois minutos.

Entre janeiro e setembro de 2025, o foram 64 vítimas de feminicídio no Estado, conforme o Relatório Estatístico Criminal de Vítimas de Crimes Relativos à Morte.
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