Jacob Elordi revelou que estudou o butô, uma forma de dança japonesa conhecida por movimentos lentos e expressões intensas relacionadas à morte e à reanimação, para preparar sua performance como a Criatura no filme Frankenstein, dirigido por Guillermo del Toro. O ator australiano destacou essa influência durante entrevistas promocionais do longa, disponível na Netflix desde novembro de 2025. A produção adapta o clássico de Mary Shelley e conta com Oscar Isaac como Victor Frankenstein e Mia Goth no elenco.
O filme recebeu indicações ao Golden Globe, incluindo melhor ator coadjuvante para Elordi, que passou horas diárias em maquiagem para transformar-se no personagem. Del Toro, realizador mexicano vencedor do Oscar, descreveu o projeto como um sonho de longa data, com foco em temas de criação, isolamento e humanidade.
Essa abordagem corporal permitiu a Elordi explorar a vulnerabilidade e a inocência inicial da Criatura, contrastando com sua evolução ao longo da narrativa. O butô, com sua ênfase em estados internos e transformações, alinhou-se perfeitamente à ideia de um ser recomposto buscando identidade.
Origens do butô no pós-guerra
O butô surgiu no Japão no final da década de 1950, em um contexto de reconstrução após a Segunda Guerra Mundial. Artistas buscavam formas de expressão que rompessem com tradições ocidentais dominantes e com estilos japoneses clássicos, como o kabuki e o noh. Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno fundaram essa linguagem artística, marcada por questionamentos sobre o corpo e a sociedade.
A primeira apresentação significativa ocorreu em 1959, com a obra Kinjiki, inspirada em literatura contemporânea e temas tabus. Hijikata enfatizava a escuridão e a angústia, enquanto Ohno trazia elementos mais líricos e espirituais. Essa dualidade definiu o butô como uma dança que explora o inconsciente e a fragilidade humana.
Performances iniciais chocaram o público por rejeitarem passos codificados, priorizando impulsos internos e imagens poéticas.

Características principais da dança
O butô distingue-se por movimentos hipercontrolados, muitas vezes lentos e contorcidos, que evocam estados entre vida e morte. Performers frequentemente usam maquiagem branca no corpo, criando figuras fantasmagóricas, e exploram nudez parcial ou total para enfatizar vulnerabilidade.
- Movimentos baseados em sensações físicas e memórias, sem coreografias fixas.
- Uso de expressões faciais intensas, como olhos revirados ou bocas abertas.
- Temas de metamorfose, grotesco e conexão com o primal.
- Influências do expressionismo alemão e surrealismo europeu.
Essa estética permite ao intérprete acessar camadas profundas da condição humana, tornando o butô uma ferramenta valiosa para atores em papéis complexos.
Influência no cinema atual
Jacob Elordi descreveu o butô como uma “reanimação de cadáver”, ideal para incorporar a Criatura recomposta a partir de partes de corpos. Ele treinou essa técnica para desenvolver gestos hesitantes e expressões que transmitem inocência e dor. O ator mencionou que a prática ajudou a entrar no corpo prostético, com horas de aplicação diária.
Guillermo del Toro aprovou a escolha, pois o butô complementa a visão gótica do filme, com cenários físicos e maquiagem artesanal. Críticos destacaram a performance de Elordi como o ponto alto da produção, que recebeu elogios por sua fidelidade ao romance de Shelley.
Outros atores já usaram elementos semelhantes em papéis de transformação física, mas Elordi adaptou o butô especificamente para explorar a jornada da Criatura de ingenuidade a raiva.
Preparação física de Elordi
Elordi dedicou semanas intensas à preparação, combinando butô com observações de movimentos animais e infantis para capturar a descoberta do mundo pela Criatura. Ele praticava gestos no espelho, focando em lentidão e controle extremo. A maquiagem, com dezenas de peças prostéticas, exigia paciência, mas permitia que a performance começasse já no trailer.
O ator perdeu peso em projeto anterior e reconstruiu o físico para o papel, enfatizando altura e presença imponente. Del Toro redesignou o visual da Criatura após a entrada de Elordi no elenco, substituindo Andrew Garfield por conflitos de agenda.
Essa dedicação resultou em uma interpretação que críticos chamaram de “bela e trágica”, destacando olhos expressivos sob a maquiagem.
Elementos visuais no butô
Performances tradicionais de butô incluem corpos pintados de branco, shaved heads em alguns casos e cenários minimalistas ou absurdos. Movimentos evocam decadência ou êxtase, com foco no não verbal.
- Figuras contorcidas que desafiam gravidade e normalidade.
- Integração de silêncio ou sons ambientes para intensificar presença.
- Exploração de tabus como sexualidade e mortalidade.
- Adaptação contemporânea em festivais internacionais e companhias como Sankai Juku.
No contexto cinematográfico, esses elementos traduzem-se em physicalidade única, como visto na transformação de Elordi.
Legado internacional do butô
Desde os anos 1980, o butô expandiu-se globalmente, com apresentações na Europa e América. Companhias japonesas touraram festivais, influenciando dança contemporânea e performance art. No Brasil, artistas como Takao Kusuno introduziram a prática desde os anos 1970.
Hoje, o butô inspira criações híbridas, mantendo essência experimental. Sua aplicação em cinema, como no caso de Elordi, demonstra versatilidade para narrativas de identidade e renascimento.
O filme Frankenstein reforça essa conexão, unindo tradição japonesa a clássico literário ocidental.
Repercussão da performance
A atuação de Elordi gerou indicações a prêmios e elogios por humanizar a Criatura. Revistas especializadas destacaram como o butô trouxe profundidade emocional, diferenciando da versão clássica de Boris Karloff. Del Toro e o ator discutiram o processo em entrevistas, enfatizando metamorfose pessoal e artística.
O longa, com trilha lírica e visuais góticos, posiciona-se como adaptação moderna fiel ao espírito de Shelley. A escolha do butô adiciona camada cultural única à produção.
