Parece enredo de um filme, mas uma obra de arte foi furtada durante uma festa de de réveillon em uma galeria de arte de Curitiba no dia 31 de dezembro. A tela “A pele da pintura (para Dora Longo Bahia)”, peça do artista Gustavo Magalhães que faz parte do acervo permanente da Galeria Soma, desapareceu.
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Segundo Malu Meyer, proprietária da galeria, a ausência da peça foi notada no dia 5 de janeiro, quando ela retornou ao local. De acordo com fotos feitas durante a festa, o quadro estava na parede da galeria até pelo menos as 5 horas da madrugada do primeiro dia de janeiro. A festa no estabelecimento, no entanto, durou até as 10 horas da manhã. “O valor é inestimável, não apenas pelo aspecto material, mas por representar um patrimônio”, diz Malu. O furto foi comunicado à polícia civil, que investiga o caso. Malu acredita que o quadro será encontrado ou devolvido.
Foi a segunda vez que Galeria Soma virou palco de uma festa de réveillon. A festa era paga com ingressos que custavam até R$ 170. Cerca de 400 pessoas participaram do evento. O local não tem câmeras de vigilância.
“É como se um filho tivesse desaparecido: algo que pus no mundo”
O artista Gustavo Magalhães publicou no Instagram um pedido para que a tela seja devolvida com a garantia de que tudo seja mantido em sigilo. “Fiquei desolado ao saber disso. Considero este trabalho uma obra seminal em minha trajetória. Foi uma das primeiras em que utilizei o corte (ou tagli, nos termos de Fontana) e a manipulação da “pele da pintura” de maneira mais incisiva e precisa, diferentemente das manchas orgânicas que eu produzia com os dedos nos trabalhos anteriores que integraram a exposição “A Pele da Pintura”, com curadoria de Fabrícia Jordão. A partir dele, percebi outras possibilidades e, assim, nasceu todo um novo corpo de trabalho — e, com isso, uma nova práxis — que venho desenvolvendo desde o início de 2025”, afirmou ele na postagem.
“É muito triste pensar que este trabalho possa se perder, restando apenas suas imagens. Obcecado pela materialidade das coisas e entendendo, há muito tempo, a pintura como um corpo, sem exageros, é como se um filho tivesse desaparecido: algo que pus no mundo e que agora se encontra ilocalizável”, escreveu ele.
Artista pede que obra de arte furtada seja devolvida
O artista ainda pediu que quem tiver alguma informação sobre a obra compartilhe: “Quem sabe assim esta mensagem chegue à pessoa que, em um ato inconsequente, tomou a decisão de levá-la consigo ao final da festa, e a toque de alguma maneira que a estimule a fazer a coisa certa. Isso vai muito além de um bem material. Meu trabalho é também minha vida e minha verdade”.
Segundo Gustavo, a obra pode ser devolvida de forma anônima à galeria, no endereço R. Mal. José Bormann, 730 – Bigorrilho, Curitiba – PR, 80730-350.”
Sobre o artista
Gustavo Magalhães é Artista Visual natural de Goioerê, no Paraná, e produz no campo da Pintura desde 2013. É formado em Licenciatura em Artes Visuais pela FAP/UNESPAR e atualmente é mestrando do PPGAV/UNESPAR.
A partir da apropriação e descontextualização de imagens e coleta de suportes oriundos de fontes precárias, elabora trabalhos que dialogam com a historiografia da arte e questões próprias da linguagem da pintura, perpassando por assuntos como raça, identidade, materialidade e violência.
Em 2018, começou a desenvolver a série “violência” (2018-2023), com obras expostas no CUBIC4 (Circuito Universitário da Bienal Internacional de Curitiba), em 2019. Em 2022 a obra “sem título” da série “violência” passa a integrar o acervo museológico do Museu de Arte do Rio. Em 2023 aconteceu sua primeira exposição individual, “Ateliê Aberto”, no apartamento em que o artista residia e trabalhava, transformando-o em um espaço expositivo efêmero. Mais tarde, no mesmo ano, sua segunda individual, “O Irretratável”, com curadoria de Rafael Rodrigues, na Soma Galeria. Em 2024, sua terceira exposição solo “Fusão”, com curadoria de Ayala Prazeres, é selecionada no Programa de Ocupação dos Espaços da Caixa Cultural RJ.
Entre exposições recentes, destacam-se: Objeto Sujeito (2023), no Museu Paranaense, onde sua obra “Jogada Ensaiada” comissionada para a exposição passa a integrar o acervo da instituição; Antes e Agora, Longe e Aqui Dentro (2024), com curadoria de Galciani Neves no Museu Oscar Niemeyer.
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