sábado, 7 março, 2026
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CRM do Paraná cobra “OAB da Medicina” após Enamed expor falhas na formação médica

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) se manifestou sobre os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) na segunda-feira (19). O desempenho dos cursos reacendeu o debate sobre a qualidade da formação médica no país e levou a entidade a defender publicamente a criação de uma espécie de “OAB da Medicina”.

De acordo com os dados oficiais, dos 351 cursos de Medicina que participaram do exame, cerca de um terço recebeu conceito insatisfatório e deverá passar por medidas de supervisão do MEC. O resultado acendeu um alerta entre conselhos profissionais e especialistas em educação e saúde.

Enamed expõe fragilidades na formação médica

O Enamed foi criado para avaliar o nível de preparação dos estudantes concluintes dos cursos de Medicina em todo o Brasil. A ideia é medir competências técnicas, conhecimento teórico e capacidade de tomada de decisão clínica antes do ingresso definitivo no mercado de trabalho.

Na nota oficial, o CRM afirma que acompanha com grande inquietação a proliferação indiscriminada de cursos de Medicina no país, a baixa qualidade da formação oferecida por parte das instituições de ensino e os impactos negativos desse cenário na assistência à população.

Diante do cenário revelado pelo Enamed, o CRM-PR reforçou que é urgente que o Congresso Nacional aprove o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed). A proposta prevê que a aprovação nessa prova seja obrigatória para que o recém-formado obtenha o registro profissional nos Conselhos Regionais de Medicina.

Brasil pode exigir prova tipo “OAB da Medicina” para médicos exercerem a profissão

Na prática, o modelo funcionaria de forma semelhante ao exame da Ordem dos Advogados do Brasil, criando um filtro mínimo de qualidade antes da liberação para o exercício da profissão.

Debate sobre qualidade ganha força no país

A manifestação do CRM do Paraná ocorre em um momento em que o Brasil discute de forma mais intensa o futuro da formação médica. O crescimento do número de faculdades, principalmente na rede privada, ampliou o acesso, mas também levantou questionamentos sobre infraestrutura, corpo docente e campos de prática.

Com o Enamed revelando que cerca de um terço dos cursos teve desempenho insatisfatório, a pressão por mudanças tende a aumentar no Congresso e no Ministério da Educação.

Veja a seguir a nota na íntegra:

“O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) acompanha com grande preocupação, já há algum tempo, a proliferação indiscriminada de cursos de Medicina no País, a baixa qualidade na formação oferecida por parte das instituições de ensino e os impactos negativos desse cenário sobre a qualidade da assistência prestada à população e sobre o exercício ético da própria Medicina.Os recentes resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) reforçam esse alerta, ao evidenciar que um número expressivo de escolas médicas não atinge níveis mínimos aceitáveis de qualidade, o que compromete a segurança do cuidado em saúde e impõe riscos diretos à sociedade.Diante desse contexto, o CRM-PR tem atuado de forma contínua na busca por maior aproximação com as universidades. Entre as ações desenvolvidas, destaca-se o incentivo e o esclarecimento quanto à importância da acreditação das escolas médicas por meio do SAEME-CFM (Sistema de Acreditação de Escolas Médicas do Conselho Federal de Medicina). Trata-se de um instrumento voluntário de avaliação e certificação do ensino médico no Brasil, que também oferece consultoria às instituições que apresentem fragilidades e demonstrem interesse em aprimorar seus processos formativos.O Conselho do Paraná também tem proposto às universidades que mantêm cursos de Medicina no Estado a adesão ao “Projeto Ética”, iniciativa por meio da qual o CRM-PR promove, de forma gratuita, debates sobre temas essenciais ao exercício profissional, como as normas éticas da Medicina, a caracterização das infrações éticas, os critérios para a publicidade médica, o enfrentamento da dependência química no meio médico, entre outros assuntos fundamentais à formação responsável do futuro médico.O CRM-PR reforça que seguirá atuando de forma alinhada às medidas adotadas pelo CFM, compartilhando do entendimento de que a responsabilidade pela formação médica exige rigor, compromisso institucional e ação efetiva dos órgãos competentes.Nesse contexto, é urgente que o Congresso Nacional aprove o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), que será obrigatório para concessão do registro aos novos médicos. A preservação da qualidade do ensino e da segurança da população deve ser prioridade absoluta, acima de interesses administrativos ou mercadológicos.“

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