
A incômoda sequência de jogos sem triunfos do Santos neste início de temporada ganhou mais um episódio. Nesta quarta-feira (28), depois de flertar com o triunfo ao virar para 2 a 1 no segundo tempo, o time levou três gols da Chapecoense em 17 minutos, largou com revés de 4 a 2 no Brasileirão e chegou ao quinto tropeço seguido no ano.
O Santos entrou em campo sob a dura lembrança da campanha ruim da temporada passada, na qual sofreu demasiadamente e só escapou do rebaixamento (seria o segundo em três anos) na última rodada. Largar bem, portanto, era obrigação para voltar a evitar sofrimento desnecessário. Gabigol foi poupado no gramado sintético de Chapecó para estar em condições para o clássico contra o São Paulo, domingo (1º).
Ciente da força de muitos concorrentes no Brasileirão, o técnico Juan Pablo Vojvoda sabia, entretanto, que não poderia desperdiçar pontos diante de um dos caçulas na elite. E o ordem era se recuperar na temporada, na qual amarga quatro tropeços em sequência no Estadual.
O começo foi promissor, com o rápido e atrevido Miguelito aparecendo bem em jogadas pelo esquerda. Faltavam aos companheiros complementarem as jogadas do atacante. Gabriel Menino, na primeira finalização santista, mandou na rede pelo lado de fora. A Chapecoense, mesmo em casa, apenas buscava os contragolpes.
E no primeiro deles, que começou com lindo chapéu, Ítalo foi derrubado por Gabriel Brazão. Pênalti cobrado ‘estilo Jorginho’ pelo argentino Walter Clar e ainda mais pressão nos santistas. Vojvoda, irritado, distribuía broncas na beira do campo insatisfeito com alguns de seus comandados – o time era refém de Miguelito.
Rapidamente os chuveirinhos viraram a tática de um Santos pobre em repertório e carente de nomes de peso. Lautaro Díaz acertou o travessão em cabeçada livre. Antes do intervalo, os desgostosos santistas já pediam, em coro, a entrada de Robinho Júnior no ataque. Mas se acalmaram com Gabriel Menino mandando no ângulo para empatar antes do intervalo.
A blitze nos primeiros minutos da fase final era grande e os santistas se animaram nas arquibancadas. Miguelito soltou a bomba e arrancou o “uh” da galera. Já Lautaro mandou para fora. A virada parecia questão de tempo.
Com a Chapecoense sufocada, Gilmar Dal Pozzo optou por colocar mais peças no ataque para tentar diminuir o ímpeto do Santos, que mesmo carente de uma melhor qualidade na armação e nas conclusões da jogada, chegava a todo tempo na frente de Léo Vieira. Bastou a bola cair no pé de Barreal, porém, para vir a virada, em batida indefensável.
Quando a torcida da Chapecoense começou a cantar para lembrar das 71 vítimas do acidente aéreo que completa 10 anos neste ano, Higor Meritão apareceu na área para empatar. Celebrou apontando aos céus. O que parecia improvável, aconteceu aos 34, quando Ítalo bateu, a bola desviou em Luan Peres e sobrou para Jean Carlos cabecear e recolocar os mandantes na frente do placar. Ainda deu tempo para Rafael Carvalheira ampliar.
*Estadão Conteúdo
