Muita gente já torceu o nariz para elas e até mesmo as chamou de brega. Mas as pochetes, que foram uma verdadeira febre nos anos 80 e 90, estão novamente em voga. E há quem acredite que não se trate apenas de uma moda, mas de uma tendência que veio para ficar. Para algumas pessoas, aliás, nunca deixou de ser um item fundamental. Mas o ressurgimento do acessório tem Curitiba como um lugar de referência no caso brasileiro. Mais um motivo para se comemorar o 12 de março, conhecido como Dia Internacional da Pochete.
Se antigamente as bolsinhas eram utilizadas na cintura, hoje o uso já é mais versátil. Há quem vista as pochetes transversalmente no peito/costas para um visual moderno, na cintura (frente ou lateral) para um estilo clássico ou mesmo sobre um dos ombros, cruzando o corpo como um cinto de segurança ou a deixando pendurada como se fosse uma bolsa. Um acessório que combina com looks urbanos, esportivos ou casuais, capaz de agradar aos mais diversos públicos.
Em Curitiba, um dos principais “usuários” de pochete é o jornalista e publicitário Lycio Vellozo Ribas. Desde 1991, conta ele, o acessório o acompanha por aí.
“Eu tiro a pochete para dormir, para jogar bola, para tomar banho… A única situação que eu realmente não uso pochete, porque daí também já acho que é demais, é quando estou de terno. Mas também é raro, não fico me fantasiando de banqueiro direto”, brinca.
Uma tradição (quase um símbolo) que surgiu quase que por acaso, após Lycio ganhar o acessório como brinde num cursinho que fazia na época. “Eu achei muito prático de usar. Eu vivia esquecendo carteira, documento, dinheiro, vale-transporte, canivete… Agora, coloco tudo na pochete e vou embora. Ela é muito prática”, comenta o jornalista.
Lycio e sua pochete no estilo clássico: item o acompanha diariamente, desde 1991 (Foto: Franklin de Freitas)
Marca curitibana ajudou a trazer as pochetes de volta à moda
Nos anos 1990 a pochete viveu seu auge. Era um item da moda, usado tanto por homens quanto por mulheres. “Esses dias até fui olhar umas fotos antigas, de uns 30 anos atrás, e nas imagens tinha mais gente de pochete. Até falei ‘pô, olha só’”, relata Lycio. “Depois, nos anos 2000, virou um item obsoleto, brega. Muita gente fazia troça comigo por causa da pochete. Mas agora já vejo mais gente usando de novo o acessório, só que a tiracolo, não presa na cintura”, comenta ainda ele.
Não se trata apenas de uma impressão. E uma marca curitibana é prova disso: a Katsukazan, fundada entre 2017 e 2018 por Priscila de Araújo Sabino e Guilherme Akio, que além de fundadores da marca são também companheiros de vida, ambos nascidos e criados em Curitiba.
Eles se conheceram quando cursavam Design de Produtos na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2016. Cerca de dois anos depois, ele já tinha terminado a faculdade e ela estava nos últimos momentos da graduação. E a bicicleta passou a fazer parte de suas vida, como estilo de vida, meio de transporte e até de trabalho, já que eles ganhavam um dinheiro fazendo entregas.
“Nessa época fomos morar juntos e eu peguei uma máquina antiga de costura da minha vó e trouxe para casa, enquanto ele pegou uma máquina de costura bem caseira, da mãe dele, e começamos a costurar juntos. Tudo que sabemos fazer hoje começou a surgir naquela época, que começamos a tentar costurar uns materiais diferentes, porque a gente andava muito de bicicleta e sempre tomava chuva. E eu queria muito uma bolsa que não fosse molhar meu celular quando pegasse chuva. Foi aí também surgiu um material que é a lona, que usamos até hoje para fazer praticamente todos os materiais da marca”, explica Priscila.
Priscila Sabino e Guilherme Akio: companheiros de vida e fundadores da curitibaníssima Katsukazan (Foto: Lis Guedes)
Pastel de vento, rolinho primavera e boas vendas
A primeira pochete criada pela marca, que é vendida até hoje e continua sendo o “carro-chefe” da Katsukazan, foi a Pastel de Vento. Versátil, ela pode ser usada como bolsa transversal ou na cintura e é ideal para carregar o básico (celular, carteira e chaves, por exemplo).
Depois, surgiram ainda os Rolinhos, na versão Mini e Rolinho Primavera, que são pochetes um pouco mais complexas que a Pastel de Vento, capazes de carregar mais itens. E com o tempo, as pochetes da Katsukazan foram se tornando mais e mais populares, atendendo a um público mais amplo do que apenas ciclistas. Hoje, já se encontram os itens das marcas em festivais, shows, viagens e até mesmo trilhas. Por mês, uma média de 450 itens são vendidos para todo o Brasil.
“A pochete passou por uma repaginação. Não é mais aquela clássica dos anos 1990, apesar de ser uma pochete também. O visual é muito diferente, e a pochete foi voltando por conta dessa aceitação das pessoas. É um item para o dia-a-dia, versátil, que serve tanto para homens quanto mulheres. E agora eu vejo várias marcas também tendo pochetes no seu leque de produtos, muito mais do que vinha anos atrás. Acho que as pochetes voltaram para ficar. Não é algo do momento, uma moda do momento. É algo versátil, mutável, que chegou para se estabelecer como qualquer outra bolsa. Virou um acessório do dia a dia mesmo”, aposta Priscila.
A Katsukazan vende 450 pochetes por mês, em média, atendendo todo o Brasil (Foto: Lis Guedes)
O Dia Internacional da Pochete
Nesta quinta-feira (12 de março) celebra-se o Dia Internacional da Pochete. Embora a origem exata da criação da data seja incerta, o 12 de março é amplamente utilizado nas redes sociais e no comércio para celebrar a peça, que surgiu nos anos 1970, entre os hippies, como uma peça masculina. Foi nas décadas seguintes, porém, que o acessório se consagrou com mais força, virando uma verdadeira moda.
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