O cenário econômico brasileiro está sob análise minuciosa devido às tensões internacionais entre Estados Unidos e Irã, que têm o potencial de influenciar significativamente a política monetária do país.
Em uma entrevista à Jovem Pan, no Jornal da Manhã, o economista e ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, destacou que o aumento no preço do petróleo, decorrente do conflito, pode impactar diretamente o custo do diesel, um insumo essencial para o transporte de bens e serviços no Brasil.
“Os bens e serviços que estão sendo produzidos, etc., são transportados para seus locais de venda, e os insumos também são transportados, e tudo isso é impactado pelo preço do diesel”, disse Meirelles.
O crescimento nos custos pode, por sua vez, afetar a inflação, mudando as premissas dos modelos econométricos do Banco Central. Inicialmente, havia uma expectativa de um corte de 0,5% na taxa Selic.
Agora, Meirelles acredita que o Banco Central deveria adotar uma postura mais conservadora, aguardando novas evoluções nos preços antes de tomar qualquer decisão, ou seja, mantendo a taxa em 15%.
Meirelles também comentou sobre a imprevisibilidade das ações do governo de Donald Trump, que frequentemente emite mensagens contraditórias sobre o conflito, gerando incertezas no mercado global.
Essa falta de clareza afeta a economia mundial, já que investidores tendem a evitar riscos em cenários incertos. O estreito de Ormuz, por onde passa uma significativa parcela do petróleo mundial, é um ponto crítico, e a interrupção no fluxo de petróleo pode ter consequências econômicas globais.
Meirelles garante que, apesar das incertezas no mundo, a economia brasileira está relativamente preparada para lidar com as instabilidades. “A economia brasileira hoje tem uma produtividade maior do que tinha no passado”, afirmou o ex-ministro.
As reformas econômicas realizadas nos últimos anos aumentaram a produtividade do país, e o Brasil, embora integrado à economia mundial, é menos dependente de exportações de produtos industrializados. A demanda por commodities pode sofrer alguma instabilidade, mas os impactos não devem ser tão significativos a curto prazo.
O Brasil, portanto, pode enfrentar melhor as oscilações econômicas decorrentes do conflito no Oriente Médio, graças a uma base econômica mais sólida e diversificada.
Veja a entrevista completa:
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