A paixão pelo futebol brasileiro ganhou um novo retrato com a divulgação da pesquisa O Globo/Ipsos-Ipec, realizada entre 5 e 9 de junho de 2025, que entrevistou 2.000 brasileiros com mais de 16 anos em 132 municípios. O levantamento, parte das comemorações do centenário do jornal O Globo, revelou que o Flamengo segue como a maior torcida do país, com 21,2% da preferência nacional, enquanto Corinthians e São Paulo registraram quedas significativas. A pesquisa, conduzida presencialmente, permitiu que cada participante indicasse até dois clubes, capturando a essência da bifiliação, e mediu o engajamento e o fanatismo dos torcedores. O estudo, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e 95% de confiança, trouxe mudanças no ranking e destacou a força de clubes regionais.
O Flamengo, com leve oscilação negativa de 0,6% em relação a 2022, mantém a liderança com folga, ampliando a distância para o segundo colocado, o Corinthians, que caiu de 15,5% para 11,9%. O Palmeiras, agora com 6,5%, ultrapassou o São Paulo, que recuou para 6,4%. A pesquisa também apontou o crescimento de clubes como Bahia e Atlético-MG, enquanto o número de brasileiros sem time aumentou, refletindo mudanças no engajamento com o futebol.
- Principais destaques do levantamento:
- Flamengo: 21,2% dos torcedores, liderança consolidada.
- Corinthians: Queda de 3,6%, a maior entre os clubes.
- Palmeiras: Ultrapassa São Paulo e assume a terceira posição.
- Bahia: Crescimento de 0,5%, maior oscilação positiva.
- Sem time: Aumento de brasileiros que não torcem para nenhum clube.

Domínio rubro-negro e recuo dos paulistas
O Flamengo não apenas manteve sua posição de maior torcida, mas ampliou sua vantagem, mesmo com uma leve queda dentro da margem de erro de 1,8%. A estabilidade do clube carioca contrasta com o recuo de Corinthians e São Paulo, que perderam espaço além de suas margens de erro individuais (1,4% e 1,1%, respectivamente). O Corinthians, que já foi o segundo maior em 2022 com 15,5%, agora tem 11,9%, uma queda de 3,6 pontos percentuais. O São Paulo, antes terceiro com 8,2%, caiu para 6,4%, sendo superado pelo Palmeiras, que registrou 6,5%. Essa inversão no pódio reflete mudanças na preferência nacional e no desempenho recente dos clubes.
A pesquisa destaca que o Palmeiras, apesar de uma leve queda de 7,4% para 6,5%, conseguiu se beneficiar da maior fidelidade de sua torcida, especialmente no recorte de “segundo time”. O clube alviverde é o mais citado como segunda opção, o que impulsionou sua posição no ranking geral. Já o São Paulo enfrenta desafios para reconquistar torcedores, especialmente entre os mais jovens, onde a preferência por clubes estrangeiros tem crescido.
Crescimento regional e bifiliação
Fora do eixo Rio-São Paulo, clubes como Bahia e Atlético-MG mostraram crescimento. O Bahia, com 2,2% da preferência, registrou a maior oscilação positiva, subindo 0,5% em relação a 2022. O Atlético-MG, empatado com o Cruzeiro em 2,3%, também avançou, refletindo o bom momento de ambos os clubes mineiros. O Vasco, com 3,4%, e o Grêmio, com 3%, seguem como forças regionais, mas oscilaram negativamente dentro da margem de erro.
- Clubes com crescimento notável:
- Bahia: De 1,7% para 2,2%, maior alta no período.
- Atlético-MG: De 2,1% para 2,3%, empate técnico com Cruzeiro.
- Botafogo: Crescimento de 0,2%, alcançando 1,5%.
- Sport: Subiu para 1,3%, mantendo força no Nordeste.
A bifiliação, prática de torcer por dois clubes, também foi captada pelo estudo. Cerca de 7,8% dos entrevistados declararam ter dois times, com combinações como Corinthians e Sport ou Flamengo e Corinthians sendo as mais comuns. O Palmeiras lidera como “segundo time”, enquanto o Corinthians tem a maior taxa de torcedores exclusivos, com 85,7% de fidelidade.
Perfil demográfico das torcidas
O levantamento trouxe recortes detalhados por gênero, idade e raça. O Flamengo lidera entre homens (22,8%) e mulheres (19,7%), com 48% de sua torcida composta por mulheres, a maior proporção no top 5. O São Paulo segue com 45% de torcedoras, enquanto o Vasco é o mais masculino, com 67% de homens. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o Flamengo domina com 30% da preferência, seguido pelo Bahia, que sobe para o quarto lugar nesse recorte. Entre os mais velhos (acima de 60 anos), o Vasco surpreende como segundo colocado.
- Dados demográficos relevantes:
- Flamengo: 65% de torcedores pretos ou pardos, maior proporção no top 5.
- Corinthians: 46% de torcedores brancos, a maior entre os grandes.
- Bahia: 3,2% entre pretos e pardos, reflexo da demografia de Salvador.
- Palmeiras: Maior proporção de torcedores católicos.
- São Paulo: Alta presença de torcedores evangélicos, ao lado do Corinthians.
A pesquisa também revelou que 32,1% dos brasileiros não torcem para nenhum clube, um aumento em relação a 2022 (24,4%). Esse fenômeno é mais expressivo entre mulheres (42%) e jovens, sugerindo um possível afastamento do futebol tradicional.
Impacto regional e engajamento
O Flamengo domina em quase todas as regiões, exceto no Sul, onde Grêmio (18,4%) e Internacional (12,5%) lideram. No Sudeste, o Corinthians ainda tem vantagem (20,7% contra 18,1% do Flamengo), mas no Nordeste e Centro-Oeste/Norte, o rubro-negro é imbatível, com 23,6% e 35,6%, respectivamente. O Bahia consolida-se como a maior torcida do Nordeste, com 2,2%, impulsionado por seu bom momento dentro e fora de campo.
O engajamento dos torcedores também foi medido, com o Flamengo liderando em fanatismo (média de 6,6 em uma escala de 0 a 10). Os rubro-negros são os que mais consomem produtos do clube e acompanham notícias. O Corinthians, apesar da queda no tamanho da torcida, mantém alta fidelidade, com torcedores que raramente dividem o coração com outro time. O Vasco, por sua vez, destaca-se pela paixão intensa, mas também pela angústia de seus torcedores, refletindo os desafios recentes do clube.
- Fatores de engajamento:
- Flamengo: Maior média de fanatismo (6,6) e consumo de produtos.
- Corinthians: 85,7% de torcedores exclusivos, maior fidelidade.
- Vasco: Torcida vive “extremos” de paixão e angústia.
- Bahia: Crescimento ligado a boa gestão e resultados recentes.
Curiosidades e tendências
A pesquisa revelou dados inusitados, como torcedores que combinam clubes rivais, como Flamengo e Vasco ou Corinthians e Palmeiras, embora em número reduzido. Clubes menores, como o Esporte Clube Pelotas, também apareceram, mostrando a diversidade do futebol brasileiro. O aumento de brasileiros sem time reflete uma tendência de desinteresse, especialmente entre os mais jovens, que têm se voltado para o futebol internacional.
- Curiosidades do levantamento:
- Bifiliação rara: Três torcedores citaram Flamengo e Vasco juntos.
- Clubes pequenos: Pelotas e Remo aparecem com menções isoladas.
- Sem time: 32,1% dos entrevistados, maior entre mulheres (42%).
- Nordeste: Região com maior índice de torcedores de dois times (12%).
O estudo também apontou que o Palmeiras tem a torcida mais católica, enquanto Corinthians e São Paulo lideram entre evangélicos. O Bahia reflete a diversidade racial de Salvador, com forte presença de torcedores pretos e pardos. Esses dados mostram como o futebol brasileiro é um espelho das dinâmicas culturais e sociais do país.
O futuro das torcidas
A pesquisa O Globo/Ipsos-Ipec oferece uma radiografia detalhada do futebol brasileiro, destacando não apenas o tamanho das torcidas, mas também seus perfis e comportamentos. O Flamengo, com sua liderança consolidada, continua sendo uma força nacional, enquanto clubes como Bahia e Atlético-MG ganham espaço. A queda de Corinthians e São Paulo acende um alerta para a necessidade de reconectar com torcedores, especialmente os mais jovens. O aumento de brasileiros sem time sugere que os clubes precisam investir em engajamento para manter a relevância do futebol nacional.
- Estratégias para clubes:
- Personalização: Uso de IA para segmentar torcedores e oferecer experiências.
- Engajamento jovem: Ações voltadas para a geração conectada ao futebol internacional.
- Inclusão feminina: Ampliar a presença de mulheres nos estádios e programas de sócio-torcedor.
- Marketing regional: Fortalecer laços com torcedores fora do eixo Rio-São Paulo.
O futebol brasileiro segue como uma paixão nacional, mas a pesquisa mostra que os clubes precisam se adaptar a um cenário de mudanças demográficas e culturais para manter suas torcidas vibrantes.
