sexta-feira, 6 março, 2026
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Brasil sofre derrota histórica para Bolívia na altitude e encerra Eliminatórias com pior campanha em 28 pontos

Ancelotti

A Seleção Brasileira enfrentou a Bolívia nesta terça-feira, 9 de setembro de 2025, no Estádio Municipal de El Alto, a mais de 4 mil metros de altitude, e sofreu uma derrota por 1 a 0 que selou sua participação nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026 com o pior desempenho histórico. O gol boliviano veio de pênalti convertido por Miguelito aos 48 minutos do primeiro tempo, após uma jogada polêmica que expôs as dificuldades brasileiras na adaptação ao ambiente rarefeito. Apesar da classificação já garantida para o Mundial nos Estados Unidos, Canadá e México, o resultado deixou o Brasil na quinta posição da tabela, com 28 pontos em 18 jogos, representando um aproveitamento de apenas 51 por cento. A partida, disputada sob o comando de Carlo Ancelotti, marcou a primeira derrota do italiano à frente da equipe e destacou problemas crônicos como a falta de ritmo e erros defensivos em condições adversas. O confronto ocorreu porque a Bolívia precisava do triunfo para assegurar vaga na repescagem intercontinental, enquanto o Brasil, cumprindo tabela, visava ao menos mitigar uma campanha marcada por instabilidades técnicas e trocas de comando ao longo do ciclo.

A altitude de El Alto, o segundo estádio mais alto do mundo, sempre representa um desafio fisiológico para visitantes, e o Brasil sentiu isso desde o apito inicial. Jogadores como Richarlison e Samuel Lino mostraram sinais de fadiga precoce, com passes errados e perda de velocidade nas transições. Ancelotti optou por uma escalação mista, com Alisson no gol, Vitinho na lateral direita, Fabrício Bruno e Alexsandro na zaga, Caio Henrique na esquerda, Andrey Santos e Bruno Guimarães no meio-campo, Lucas Paquetá como armador, e Luiz Henrique, Samuel Lino e Richarlison no ataque. As substituições, incluindo Raphinha, Estêvão, João Pedro, Marquinhos e Jean Lucas, trouxeram alguma reação no segundo tempo, mas as finalizações pararam em defesas seguras do goleiro Lampe ou saíram por cima. O Brasil terminou o ciclo com oito vitórias, quatro empates e seis derrotas, superando negativamente a campanha de 2002, quando somou 30 pontos e ficou em terceiro.

Esse revés não veio isolado; reflete uma trajetória irregular que começou com Fernando Diniz no comando interino e passou por Dorival Júnior antes da chegada de Ancelotti em maio de 2025.

Detalhes do confronto em El Alto

O jogo começou com a Bolívia pressionando, aproveitando a familiaridade com a altitude para impor um ritmo acelerado. Aos 48 minutos, após uma falta discutida na entrada da área, Miguelito cobrou o pênalti com precisão, deslocando Alisson e abrindo o placar. O Brasil, que já havia vencido o Chile por 3 a 0 na rodada anterior, entrou em campo relaxado, mas a estratégia de Ancelotti para controlar a posse de bola falhou nos primeiros 45 minutos. A equipe sul-americana, treinada por Antonio Carlos Zago, apostou em contra-ataques rápidos e chutes de média distância, forçando o goleiro brasileiro a fazer defesas importantes, como uma cabeçada de Algarañaz que parou em sua extensão.

No intervalo, Ancelotti ajustou o posicionamento, promovendo entradas que aumentaram a intensidade ofensiva. Raphinha, que entrou no lugar de Luiz Henrique, criou chances com cruzamentos perigosos, mas a defesa boliviana, liderada por Haquín, se fechou bem. O Brasil teve 58 por cento de posse de bola, mas apenas três finalizações no alvo, contra cinco dos donos da casa. Cartões amarelos para Bruno Guimarães e Fabrício Bruno sinalizaram a frustração brasileira, enquanto a torcida local, lotando o estádio de 25 mil lugares, impulsionou os jogadores andinos para uma vitória que garante a repescagem em março de 2026, no México.

A partida foi arbitrada pelo chileno Cristian Garay, com assistência de Miguel Rocha e Juan Serrano, e VAR de Rodrigo Carvajal. Transmissões ocorreram pela Globo, SporTV e ge.globo, alcançando milhões de espectadores no Brasil, onde o foco agora se volta para amistosos preparatórios.

Esse resultado não altera a classificação direta do Brasil para o Mundial, mas expõe fragilidades que Ancelotti precisará corrigir nos próximos meses.

Mudanças no comando técnico ao longo do ciclo

A instabilidade no banco de reservas marcou as Eliminatórias para 2026, com três treinadores diferentes assumindo em momentos cruciais. Fernando Diniz iniciou o processo em setembro de 2023, como interino após a saída de Tite da Copa de 2022. Em seis jogos, ele implementou um estilo de jogo mais ofensivo, com vitórias expressivas como o 5 a 1 sobre a Bolívia no Mangueirão, mas tropeços como a derrota para o Uruguai por 2 a 0 levaram à sua demissão em janeiro de 2024. Dorival Júnior assumiu em seguida, conciliando o cargo com o São Paulo inicialmente, e comandou 14 partidas, incluindo a Copa América de 2024, onde o Brasil caiu nas quartas. Sob seu comando, a equipe sofreu a goleada histórica de 4 a 1 para a Argentina em março de 2025, em Buenos Aires, a pior derrota nas Eliminatórias, e perdeu como mandante pela primeira vez, para a Colômbia por 1 a 0.

A CBF então contratou Carlo Ancelotti em maio de 2025, após negociações que duraram meses, com o italiano deixando o Real Madrid. Sua estreia foi um empate sem gols contra o Equador em junho, seguido de vitória por 1 a 0 sobre o Paraguai, que garantiu a classificação direta. Nos quatro jogos sob seu comando, Ancelotti somou duas vitórias, um empate e agora essa derrota, com a equipe invicta até El Alto. O italiano trouxe auxiliares como Paul Clement e Francesco Mauri, focando em uma transição mais equilibrada, mas o ciclo reflete desafios como lesões de Neymar e oscilações de Vinicius Junior.

  • Fernando Diniz: 6 jogos, 3 vitórias, 1 empate, 2 derrotas, aproveitamento de 58 por cento.
  • Dorival Júnior: 14 jogos, 5 vitórias, 4 empates, 5 derrotas, aproveitamento de 52 por cento.
  • Carlo Ancelotti: 4 jogos, 2 vitórias, 1 empate, 1 derrota, aproveitamento de 62,5 por cento.

Essas trocas ecoam o ciclo pré-2002, quando Luxemburgo, Leão e Scolari se sucederam, mas culminaram no penta.

Comparação com desempenhos anteriores

Desde a adoção do formato de pontos corridos em 1996, com dez seleções em turno e returno, o Brasil sempre se destacou nas Eliminatórias, mas o ciclo de 2026 quebra essa hegemonia. Para a Copa de 2002, a equipe somou 30 pontos em 18 jogos, com nove vitórias, três empates e seis derrotas, terminando em terceiro atrás de Argentina e Equador. Aquela campanha incluiu reveses para Bolívia, Chile e Paraguai, mas o time de Felipão evoluiu para o título mundial. Em 2006, sob Parreira, o Brasil liderou com 36 pontos, sete vitórias, três empates e dois empates, aproveitamento de 63 por cento.

A qualificação para 2010 repetiu o topo com 36 pontos, enquanto 2018 e 2022, sob Tite, foram exemplares: 38 pontos em 17 jogos para 2018 (aproveitamento de 75,9 por cento) e 45 em 17 para 2022 (88,2 por cento), invictos em casa. O Brasil não disputou as Eliminatórias para 1998, como campeão vigente, nem para 2014, como sede. Agora, com 28 pontos, o aproveitamento de 51 por cento é o menor, com saldo de gols positivo de apenas seis, contra 21 em 2022.

  • 2002: 30 pontos, 55,6 por cento, terceiro lugar.
  • 2006: 36 pontos, 63 por cento, primeiro lugar.
  • 2010: 36 pontos, 63 por cento, primeiro lugar.
  • 2018: 38 pontos em 17 jogos, 75,9 por cento, primeiro lugar.
  • 2022: 45 pontos em 17 jogos, 88,2 por cento, primeiro lugar.
  • 2026: 28 pontos, 51 por cento, quinto lugar.

Essa colocação, porém, beneficia o Brasil como cabeça de chave no sorteio do Mundial, graças ao ranking FIFA.

Marcas negativas e destaques individuais

O ciclo de 2026 acumulou recordes indesejados para a Seleção. Além da pior pontuação total, o Brasil sofreu seis derrotas, igualando 2002, mas com a novidade de perder em casa pela primeira vez, contra a Argentina por 1 a 0 em setembro de 2024. A goleada de 4 a 1 para os argentinos em março de 2025 é a maior margem de derrota nas Eliminatórias. O ataque marcou 25 gols, o menor desde 2002 (24), enquanto a defesa vazou 19, pior que os 11 de 2022. Neymar, com cinco gols, foi o artilheiro brasileiro, mas lesões limitaram sua participação a oito jogos; Vinicius Junior somou quatro, Rodrygo três.

Bruno Guimarães se destacou no meio-campo com assistências chave, como no 3 a 0 sobre o Chile, enquanto Alisson evitou placares mais elásticos com defesas cruciais. Pela Bolívia, Miguelito emergiu com o gol decisivo, somando três na competição. O Brasil teve 52 por cento de aproveitamento geral, mas brilhou em casa com 70 por cento de vitórias.

Esses números apontam para uma reconstrução necessária, especialmente na defesa, onde falhas em bolas paradas custaram caro.

Preparação para o Mundial e próximos passos

Com a vaga assegurada, o foco da CBF agora vira para os amistosos de outubro, contra Coreia do Sul em 10 e Japão em 14, ambos na Ásia, servindo como testes para Ancelotti refinar o esquema 4-3-3. O técnico italiano planeja integrar jovens como Estêvão e Jean Lucas, que estrearam em El Alto, ao lado de veteranos como Paquetá e Marquinhos. O Brasil, entre os nove primeiros no ranking FIFA, será cabeça de chave no Grupo A ou B do Mundial, evitando confrontos precoces com Argentina ou França.

A repescagem da Bolívia, contra uma equipe da Ásia ou Oceania, ocorre em março de 2026, mas o Brasil prioriza a aclimatação ao novo formato expandido para 48 seleções. Ancelotti, em coletiva pós-jogo, elogiou a resiliência dos jogadores apesar da altitude, destacando que o ciclo serviu para identificar áreas de melhoria, como a resistência física em altitudes elevadas.

Os próximos treinos na Granja Comary, em Teresópolis, incluirão simulações de jogos em condições simuladas de altitude, com participação de fisiologistas para otimizar a recuperação.

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