sábado, 7 março, 2026
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Testamento de Armani impõe venda gradual do grupo ou abertura de capital em bolsa

O famoso estilista italiano Giorgio Armani, falecido no último dia 4 de setembro aos 91 anos, surpreendeu o mundo nesta sexta-feira (12) ao se saber que, em seu testamento, impôs aos herdeiros a venda gradual da empresa ou, como alternativa, a abertura de capital nos próximos anos, após meio século de independência empresarial. Armani, considerado um dos últimos grandes estilistas-empresários do luxo europeu, determinou que, um ano após a abertura do testamento, na última terça-feira, 15% do capital do grupo Giorgio Armani S.p.A. fosse vendido a um grande conglomerado do setor da moda e do luxo, em um prazo máximo de 18 meses.
Em uma reviravolta nos acontecimentos, Armani também determinou que essa participação fosse oferecida prioritariamente aos gigantes LVMH, EssilorLuxottica e L’Oréal, que poderiam chegar a obter o controle majoritário. O estilista deixou por escrito que, em um prazo de três a cinco anos, uma participação adicional entre 30% e 54,9% do capital da empresa deverá ser cedida ao mesmo comprador. Como alternativa, o testamento contempla a abertura de capital da empresa, em um prazo máximo de oito anos, com uma redução do controle por parte da fundação que tutela o legado do estilista, embora nunca inferior a 30,1%.
Trata-se de uma decisão inesperada na história do grupo, fundado em 1975 e conhecido até agora pela independência em relação aos grandes conglomerados que dominam o setor. O grupo Armani confirmou que cumprirá a vontade de seu fundador. “A partir de agora, nos comprometemos, também em nome dos funcionários e colaboradores, a apoiar esse processo respeitando sua vontade, com o objetivo comum de garantir o melhor futuro possível para a empresa e a marca, respeitando os princípios estabelecidos”, disse em comunicado.
Durante décadas, Giorgio Armani foi um dos poucos estilistas que conseguiu manter o controle total de sua empresa, resistindo a vendê-la ou a abrir o capital, ao contrário da maioria das casas históricas italianas e francesas. Conhecido pelo perfeccionismo e desejo de supervisionar todos os aspectos do negócio, Armani deixou dois testamentos escritos à mão: um datado de 15 de março de 2025 e outro poucos dias depois, o que sugere que o último foi uma ampliação do primeiro.
As primeiras reações aos últimos desejos do estilista já foram tornadas públicas, com destaque para a declaração do porta-voz da EssilorLuxottica, que afirmou que o grupo avaliará “com atenção” a proposta e se disse “orgulhoso da confiança que o Sr. Armani quis depositar” no grupo e em sua administração.
Sem herdeiros legítimos, por não ter tido filhos, o estilista dispôs com total liberdade de um patrimônio estimado em 12 bilhões de euros, que inclui obras de arte, propriedades, iates, uma participação no grupo óptico EssilorLuxottica e no clube de basquete Olimpia Milano, além de 99,9% das ações de sua empresa.
Armani havia dado sinais de estar preparando cuidadosamente a sucessão nos últimos anos, através da criação da Fundação Giorgio Armani, encarregada de preservar seu legado e, em teoria, garantir a independência da empresa. No entanto, o conteúdo do testamento revela que a fundação foi concebida como um instrumento fundamental para uma transição estruturada para uma nova configuração societária, seja por meio de uma venda gradual ou de uma abertura de capital.

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A Fundação Armani recebe 100% das ações da empresa: obtém o direito de propriedade plena sobre 9,9% (equivalente a 30% dos direitos de voto) e o direito de “nua propriedade” sobre os 90% restantes das ações, enquanto os demais direitos de voto são divididos entre Pantaleo Dell’Orco, companheiro e braço direito de Armani, e os dois sobrinhos do estilista.
*Com informações da EFE
Publicado por Fernando Dias

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