Sport Club do Recife anunciou nesta sexta-feira, 12 de setembro de 2025, na Ilha do Retiro, o projeto detalhado para um novo centro de treinamento destinado ao futebol masculino profissional, orçado em R$ 22 milhões e localizado em terreno vizinho ao atual, no bairro de Paratibe, na zona norte do Recife. A iniciativa, apresentada pelo presidente Yuri Romão, pelo vice-presidente Raphael Campos e pela arquiteta Célia Beatriz, visa modernizar a infraestrutura do clube e posicioná-lo como referência no cenário nacional, com obras previstas para iniciar em março de 2026 e primeira fase concluída até novembro do mesmo ano. O empreendimento ocupa 13,9 hectares e inclui módulos pré-fabricados sustentáveis, inspirados em projetos recentes de outros clubes brasileiros, para acelerar a construção sem gerar resíduos. Essa expansão surge da necessidade de separar as operações do elenco principal das categorias de base e do futebol feminino, otimizando o uso do espaço atual de 8,4 hectares. A diretoria enfatizou a busca por parcerias financeiras para viabilizar o investimento, destacando o potencial de captação via naming rights e modelagem bancária. O anúncio atraiu atenção imediata de torcedores e especialistas, que veem no plano uma estratégia para elevar o desempenho esportivo e atrair talentos.
A coletiva de imprensa ocorreu em meio a um momento de reestruturação no clube, com o Sport buscando consolidar sua presença na Série B do Campeonato Brasileiro. Yuri Romão destacou a importância do projeto para o futuro institucional, enquanto Raphael Campos projetou que o novo CT colocará o Leão entre os seis maiores do Brasil em extensão territorial e área construída. A arquiteta Célia Beatriz, pernambucana e torcedora rubro-negra, explicou os aspectos técnicos, como a preservação da vegetação nativa e o uso de painéis de concreto leve. Essa separação de espaços permitirá que o CT José de Andrade Médicis, adquirido em 2008 por R$ 2 milhões, foque exclusivamente nas divisões inferiores, promovendo o desenvolvimento de jovens atletas.
- Terreno total: 13,9 hectares, quase o dobro do atual.
- Área construída: 3.500 m², com ênfase em sustentabilidade.
- Investimento dividido: R$ 16 milhões na primeira fase e R$ 6 milhões na segunda.
- Localização estratégica: Vizinho ao CT existente, facilitando logística.
Detalhes da infraestrutura planejada
O novo centro de treinamento contará com estruturas modernas projetadas para atender às demandas do futebol profissional contemporâneo. Dois campos oficiais, cada um com dimensões padrão de 105m x 68m, serão o coração da instalação, permitindo treinos intensivos sem interferir nas atividades da base. Um campo adicional, dedicado a exercícios de força e treinamentos específicos para goleiros, complementa os gramados, garantindo variedade nas rotinas de preparação. A academia, com 306,1 m², incluirá equipamentos de ponta para condicionamento físico, enquanto o hotel de 36 quartos, cada um com 20 m², oferecerá acomodações confortáveis para o elenco durante períodos de concentração.
Raphael Campos mencionou que o refeitório suportará 100 refeições simultâneas, priorizando nutrição adequada para os atletas. Áreas administrativas e esportivas integrarão o bloco principal, com salas de convenções e uma sala de imprensa equipada com rooftop para coberturas jornalísticas. O estacionamento para 100 veículos facilita o acesso diário, e o centro de referência em saúde e performance contará com vestiários, lavanderia, psicologia e espaço de convivência. Essa configuração visa criar um ambiente integrado, onde o staff técnico e os jogadores possam trabalhar de forma eficiente. A arquiteta Beatriz enfatizou a adaptação às curvas de nível do terreno, minimizando intervenções no solo plano e preservando a mata atlântica circundante.
A preservação ambiental surge como um pilar do projeto, com zero resíduos na construção civil graças aos módulos pré-fabricados. Painéis de lightwall, tecnologia de concreto leve, aceleram a montagem e reduzem o impacto ecológico. O terreno, adquirido recentemente como parte de uma expansão maior, totalizará com o atual cerca de 22,4 hectares, posicionando o Sport à frente de clubes como Fortaleza e Ceará em termos de espaço. Essa infraestrutura não só atende ao elenco principal, mas também impulsiona a profissionalização, com co-working para profissionais do clube e escritórios dedicados.
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Etapas e cronograma das obras
A execução do projeto divide-se em duas fases principais, permitindo um avanço gradual sem paralisar as atividades correntes do clube. A primeira etapa, com custo de R$ 16 milhões, concentra-se no bloco administrativo e esportivo, incluindo os dois campos principais e estruturas básicas de suporte. Licenciamentos ambientais e municipais, em trâmite desde setembro de 2025, devem se estender até março de 2026, quando as obras preliminares de limpeza e cercamento iniciam. Raphael Campos detalhou que serviços como terraplanagem serão mínimos devido à topografia favorável, acelerando o processo.
- Licenciamento: De setembro de 2025 a março de 2026, envolvendo Prefeitura do Recife e órgãos ambientais.
- Início das obras: Março de 2026, com foco em módulos pré-fabricados.
- Conclusão da primeira fase: Novembro de 2026, liberando uso parcial do CT.
- Segunda fase: Adição do hotel e demais setores, com R$ 6 milhões adicionais.
A segunda fase incorpora o hotel e áreas complementares, completando a estrutura em um prazo estimado de um ano após o início. O clube planeja serviços preliminares logo após os alvarás, como preparo do terreno e instalação de cercas, para mitigar atrasos comuns em projetos esportivos. Essa linha do tempo considera estudos prévios de viabilidade ambiental, garantindo conformidade regulatória. Com o atual CT já equipado com cinco campos, piscinas térmicas e centros médicos, a transição ocorrerá de forma ordenada, beneficiando todas as categorias.
Yuri Romão reforçou que o cronograma depende da captação de recursos, mas a diretoria confia na agilidade dos módulos, que chegam prontos ao local. Essa abordagem modular, testada em outros centros, reduz o tempo de obra para meses, em vez de anos, alinhando-se às demandas da temporada futebolística. O projeto em 3D, exibido na coletiva, impressionou pela visualização realista, com arborização integrada e fluxos otimizados para o dia a dia dos atletas.
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Inspiração em modelos nacionais e internacionais
A concepção do novo CT do Sport baseou-se em análises de centros de treinamento globais, com destaque para o modelo recente implementado no Santos, no CT Rei Pelé. A arquiteta Célia Beatriz, que liderou aquele projeto, adaptou elementos como os módulos pré-fabricados da ModuLight, joint venture entre Lightwall e SteelCorp, para o contexto pernambucano. Essa tecnologia, inédita em larga escala no Nordeste, permite montagem rápida e sustentável, com painéis que integram elétrica e hidráulica. Campos observou que o formato chamou atenção pela eficiência, evitando interrupções prolongadas.
Estudos de CTs europeus, como os do Ajax e do Barcelona, influenciaram a divisão de espaços, priorizando recuperação e performance. No Brasil, referências como o CT do Flamengo e do Palmeiras guiaram a inclusão de hotelaria e centros de saúde. Beatriz destacou a adaptação local, preservando a vegetação nativa e utilizando curvas naturais do terreno para os quartos. Essa inspiração visa elevar o Sport a um nível competitivo, com estrutura comparável aos líderes da Série A.
- Módulos pré-fabricados: Reduzem tempo de obra em até 50%.
- Sustentabilidade: Zero resíduos e preservação de mata atlântica.
- Adaptação topográfica: Quartos alinhados às curvas de nível.
- Influências: CT Rei Pelé (Santos) e modelos europeus de formação.
O foco em sustentabilidade atende a normas ambientais rigorosas, com o Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA) já realizado. Essa abordagem não só minimiza custos operacionais, mas também atrai parcerias ecológicas, fortalecendo a imagem do clube. Com 60% da área disponível para construção, o projeto equilibra expansão e conservação, garantindo longevidade.
Estratégias para captação de recursos
A diretoria rubro-negra admitiu que o clube ainda não dispõe dos R$ 22 milhões necessários, planejando uma modelagem financeira diversificada para viabilizar as obras. Yuri Romão mencionou reuniões internas para definir abordagens, incluindo naming rights para o CT, que poderiam render valores significativos em troca de patrocínio. Raphael Campos sugeriu parcerias estratégicas com bancos e empresas, explorando linhas de crédito específicas para infraestrutura esportiva. Essa captação externa surge como essencial, dado o contexto financeiro do Sport, que em 2024 registrou investimentos recordes em patrimônio, mas fechou com déficit.
O presidente enfatizou a necessidade de cada setor “se virar” para angariar fundos, com opções como vendas de ativos ou campanhas de sócios-torcedores ampliadas. A venda recente de jovens talentos, como Pedro Lima por R$ 60 milhões, demonstra o potencial da base, que o novo CT indiretamente fortalecerá. Bancos como Caixa e Banco do Brasil, com programas para esportes, podem ser alvos, além de investidores privados interessados em visibilidade.
- Naming rights: Exploração de patrocínios para batizar o CT.
- Parcerias bancárias: Modelos de financiamento com juros baixos.
- Campanhas internas: Envolvimento de torcedores e vendas de produtos.
- Vendas de atletas: Receitas da base para sustentar investimentos.
Essa estratégia reflete uma gestão proativa, alinhada a clubes como o Bahia, que captaram via debêntures. Romão vê no projeto uma alavanca para receitas futuras, com o CT atraindo eventos e treinamentos externos. A transparência na coletiva reforçou a confiança, com a diretoria comprometida em atualizar o andamento.
Benefícios para o futebol de base e feminino
Com o novo CT dedicado ao profissional, o atual José de Andrade Médicis transformará-se em hub exclusivo para categorias de base e futebol feminino, ampliando oportunidades de desenvolvimento. Raphael Campos afirmou o desejo de posicionar o Sport como referência no futebol feminino, com investimentos em infraestrutura específica. Os cinco campos existentes, somados a piscinas e centros médicos, atenderão melhor às demandas das meninas e jovens, fomentando revelações como as vistas em anos anteriores.
A base rubro-negra já produziu nomes como Joelinton e Pedro Lima, e essa dedicação exclusiva acelera o processo. O clube planeja programas bilíngues e escolas integradas ao CT, elevando a formação holística. Para o feminino, que compete em torneios nacionais, o espaço dedicado impulsiona treinamentos regulares, com academia e refeitório adaptados.
Essa divisão otimiza recursos, com o profissional ganhando foco e a base, autonomia. Investimentos recentes de R$ 3 milhões em 2024 na base comprovam o compromisso, e o novo setup multiplica esse impacto. Torcedores celebram a visão inclusiva, que equilibra tradição e modernidade no Leão da Ilha.
