O testamento de Giorgio Armani, revelado em 11 de setembro de 2025, uma semana após sua morte aos 91 anos, detalha a divisão de sua fortuna de US$ 9,6 bilhões (R$ 51,36 bilhões) entre cinco herdeiros, agora bilionários, e traça o futuro de sua icônica maison. O estilista italiano, falecido em 4 de setembro, deixou instruções claras para a venda de parte da empresa homônima, mantendo o controle inicial com familiares e seu braço direito, Pantaleo Dell’Orco. A notícia, publicada em Milão, expõe a estratégia para preservar o legado da marca, que enfrenta desafios em meio à desaceleração do mercado de luxo. O documento também distribui um vasto império imobiliário e ativos, como um superiate, entre os herdeiros, consolidando a influência da família Armani no mundo da moda.
A divisão da fortuna e os planos para a empresa surpreenderam o setor, dado o histórico de Armani em manter a independência da grife frente a grandes conglomerados. O testamento estabelece prazos para a venda de participações e uma possível abertura de capital, com potenciais compradores já indicados. A notícia reflete a transição de um dos maiores impérios da moda global.
Principais pontos do testamento:
Divisão de 60% da empresa entre quatro familiares, 30% para Dell’Orco e 10% para a Fundação Armani.
Venda de 15% da companhia em 18 meses e até 54,9% em cinco anos.
Imóveis de luxo e ativos distribuídos entre herdeiros.
Divisão da fortuna bilionária
O testamento de Giorgio Armani detalha a distribuição de sua fortuna, avaliada em US$ 9,6 bilhões. A empresa Armani, estimada em US$ 5,6 bilhões (R$ 29,96 bilhões), é o principal ativo, mas a herança inclui uma participação de 2% na EssilorLuxottica, um superiate de 213 pés e propriedades em cinco países. A divisão acionária foi estruturada para equilibrar poder e lucros entre os herdeiros, com a Fundação Armani ganhando maior relevância ao longo do tempo.
A irmã de Armani, Rosanna, de 86 anos, seu filho Andrea Camerana, de 55 anos, e as sobrinhas Silvana, de 69 anos, e Roberta, de 54 anos, dividem igualmente 60% da empresa. Pantaleo Dell’Orco, de 72 anos, recebe 30%, enquanto a Fundação Armani fica com 10%. Dell’Orco, que ingressou na empresa em 1977, também controla, junto à fundação, 70% dos direitos de voto, garantindo influência sobre as decisões estratégicas.
Distribuição financeira:
Dell’Orco: US$ 2,3 bilhões (R$ 12,3 bilhões).
Silvana Armani: US$ 1,1 bilhão (R$ 5,88 bilhões).
Rosanna, Roberta e Camerana: US$ 1 bilhão (R$ 5,35 bilhões) cada.
Fundação Armani: 10% das ações, com mínimo de 30,1% após vendas.
O estilista também destinou US$ 300 milhões em dinheiro e investimentos, com 40% para Dell’Orco e o restante dividido entre os outros quatro herdeiros. A estrutura assegura que todos se tornem bilionários, mantendo o legado financeiro da família.
italiano Giorgio Armani – Foto: Divulgação
Futuro da maison Armani
Armani, conhecido por sua resistência a conglomerados de luxo, deixou orientações claras para a venda de parte da empresa. Em 18 meses, os herdeiros devem vender 15% da companhia a um dos três concorrentes indicados: LVMH, L’Oréal ou EssilorLuxottica. Dentro de cinco anos, a venda pode chegar a 54,9%, ou a empresa poderá abrir capital em uma bolsa italiana ou internacional. Dell’Orco tem autonomia para buscar outros compradores, desde que sejam grupos de moda de porte semelhante.
A LVMH, liderada por Bernard Arnault, é vista como uma candidata natural, dado seu portfólio de 75 marcas, incluindo Dior e Louis Vuitton. Arnault elogiou Armani, destacando seu talento e a possibilidade de fortalecer a marca globalmente. No entanto, L’Oréal e EssilorLuxottica, que já possuem parcerias de longa data com a Armani, podem levar vantagem. A L’Oréal produz perfumes e cosméticos da grife até 2050, enquanto a EssilorLuxottica fabrica seus óculos até 2038.
Fatores que influenciam a venda:
LVMH: maior conglomerado de luxo, com expertise em moda e acessórios.
L’Oréal: contrato de longo prazo para cosméticos e perfumes.
EssilorLuxottica: parceria histórica em óculos de luxo desde 1988.
Possível abertura de capital: bolsa italiana ou mercado internacional.
A empresa enfrenta desafios, com uma queda de 24% na Ebtida e 6% na receita em 2024, totalizando US$ 430 milhões e US$ 2,5 bilhões, respectivamente. Apesar disso, a marca mantém prestígio e atrai interesse de gigantes do setor.
Herdeiros e seus papéis na empresa
Os herdeiros de Armani não são apenas beneficiários financeiros, mas também figuras centrais na operação da grife. Pantaleo Dell’Orco, diretor-geral e líder da moda masculina, assumirá a condução do processo de venda. Silvana Armani, que começou como modelo, lidera a linha feminina e é vista como a sucessora estilística de Giorgio. Roberta Armani, responsável por comunicações globais, fortaleceu a imagem da marca com parcerias em Hollywood. Andrea Camerana, no conselho, e Rosanna, sem cargo formal, completam o grupo.
Cada herdeiro traz uma perspectiva única, mas Dell’Orco, com quase cinco décadas na empresa, é o principal responsável por executar a visão de Armani. Sua influência é reforçada pelos direitos de voto, que garantem estabilidade durante a transição.
Perfis dos herdeiros:
Pantaleo Dell’Orco: diretor-geral, lidera moda masculina e vendas.
Silvana Armani: sucessora estilística, comanda linha feminina.
Roberta Armani: chefe de comunicações, foca em parcerias globais.
Andrea Camerana: conselheiro, ligado à família Agnelli.
Império imobiliário de Armani
Além da empresa, Armani deixou um vasto portfólio imobiliário, gerido pela holding L’Immobiliare. As propriedades incluem uma casa em Milão, uma vila em Pantelleria, uma mansão em Broni, uma residência em Saint-Tropez e uma propriedade em Antígua. O superiate Main, com design assinado pelo estilista, também faz parte da herança, dividido entre Dell’Orco, Rosanna, Silvana e Camerana.
Outros imóveis incluem um apartamento em Paris, um chalé em St. Moritz, uma casa em Forte dei Marmi e dois apartamentos em Nova York. A distribuição foi detalhada, com Silvana recebendo o apartamento em Paris e Dell’Orco ficando com uma das propriedades em Nova York. Roberta, única herdeira sem imóveis, foca na gestão da marca.
Principais propriedades:
Casa em Milão: edifício do século XVII.
Vila em Pantelleria: telhados de pedra vulcânica.
Superyacht Main: 213 pés, com interiores de Armani.
Apartamento em Paris: próximo ao rio Sena.
Legado e impacto na moda
O testamento de Armani reflete sua obsessão por controle e planejamento, mesmo após sua morte. A escolha de compradores como LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica indica uma estratégia para manter a marca relevante em um mercado competitivo. A Fundação Armani, com papel crescente, garantirá que os valores do estilista, como inovação e independência, sejam preservados.
A morte de Armani marca o fim de uma era para a moda italiana, mas sua visão perdura nos herdeiros e na estrutura deixada. A grife, fundada em 1975, revolucionou o vestuário com sua estética minimalista e continua sendo um símbolo de elegância.
** Marcos da trajetória de Armani**:
1975: fundação da Giorgio Armani em Milão.
1988: início da parceria com a Luxottica (hoje EssilorLuxottica).
2016: criação da Fundação Armani para gestão futura.
2024: desafios financeiros com queda na receita.
A transição para novos proprietários ou abertura de capital será um teste para a resiliência da marca, que enfrenta um mercado de luxo em transformação.
