sábado, 7 março, 2026
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Projeto cria comissão para barrar sanções unilaterais como Magnitsky contra Moraes no STF

O Supremo Tribunal Federal (STF), em conjunto com a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Congresso Nacional, discute um projeto de lei para criar uma comissão que avaliará sanções internacionais unilaterais contra cidadãos e empresas brasileiras. A iniciativa responde às punições impostas pelos Estados Unidos via Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, em julho de 2025. O objetivo é proteger a soberania nacional sem bloquear automaticamente medidas estrangeiras, evitando riscos para o sistema financeiro local.

A medida surge após decisões do governo Trump que congelaram bens de Moraes nos EUA e proibiram transações com entidades americanas. Bancos brasileiros enfrentaram orientações para suspender serviços ao ministro, gerando debates sobre conformidade legal.

Principais sanções aplicadas: proibição de entrada nos EUA e bloqueio de ativos.

Alvos recentes: Moraes por alegadas violações de direitos humanos em julgamentos.

Impacto inicial: cancelamento de cartões de crédito internacionais do ministro.

Essa estrutura visa equilibrar obrigações internacionais com a autonomia do Brasil.

Origem da lei Magnitsky e seu alcance global

A Lei Magnitsky, aprovada em 2012 nos Estados Unidos, homenageia o auditor russo Sergei Magnitsky, morto após denunciar corrupção. Ela permite sanções econômicas contra indivíduos estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos ou corrupção, com efeitos extraterritoriais.

Até 2025, a norma puniu 672 pessoas em diversos países, incluindo bloqueios de contas e proibições de viagens. No caso de Moraes, o Departamento do Tesouro americano citou censura e prisões arbitrárias em ações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Brasil registrou os primeiros impactos em julho, quando o visto de Moraes e familiares foi revogado. Autoridades locais avaliaram que o cumprimento irrestrito poderia expor instituições financeiras a multas bilionárias.

Composição e funcionamento da comissão proposta

O colegiado incluirá representantes do Judiciário, Executivo, Legislativo, Procuradoria-Geral da República e AGU. Toda sanção estrangeira passará por análise antes de aplicação no Brasil.

Bancos e empresas consultarão a comissão para decisões, garantindo uniformidade. Tratados multilaterais, como os da ONU, permanecem fora do escopo.

A inspiração vem de modelos europeus usados contra embargos a Cuba e Irã. Fontes indicam que o texto em discussão prioriza a segurança jurídica para evitar sanções secundárias.

Essa abordagem difere de bloqueios automáticos, como o decretado pelo ministro Flávio Dino em agosto de 2025, conhecido como “bloqueio dos bloqueios”.

Alexandre de Moraes – Foto: Rogerio Cavalheiro / Shutterstock.com

Contexto das sanções contra Alexandre de Moraes

Em julho de 2025, o governo Trump aplicou a Lei Magnitsky a Moraes, alegando campanha de censura e processos politizados. O ministro, relator de inquéritos sobre tentativas de golpe de Estado, teve bens congelados e transações restritas com empresas americanas.

A medida se estendeu à esposa de Moraes em setembro, atingindo o Instituto Lex e o escritório Barci de Moraes Advogados. Plataformas como Google e Meta enfrentaram questionamentos sobre contas do ministro.

O STF emitiu nota de solidariedade, afirmando que decisões de Moraes foram colegiadas. O governo Lula classificou as sanções como interferência inaceitável.

Medidas iniciais e decisões judiciais relacionadas

Flávio Dino determinou em agosto o não cumprimento automático de sanções unilaterais, protegendo ativos no Brasil. Essa ordem judicial serviu de base para o projeto de lei atual.

O ministro destacou que sanções externas exigem homologação pelo STF para validade local. Audiências públicas foram convocadas para debater o tema.

Deputados como Lindbergh Farias propuseram emendas para blindar bancos contra punições secundárias. O texto avança na AGU, com previsão de apresentação no Congresso em outubro.

Essas ações visam reduzir dependência de big techs americanas em ordens judiciais.

Implicações para o sistema financeiro brasileiro

Instituições financeiras brasileiras suspenderam temporariamente serviços a Moraes para evitar violações. O projeto de lei oferece clareza, exigindo consulta à comissão antes de ações.

Especialistas estimam que sem regulação, multas do Tesouro americano poderiam ultrapassar US$ 1 milhão por transação irregular. A norma cobre tanto sanções pessoais quanto contra entidades ligadas.

Empresas de tecnologia, como Uber e redes sociais, já ajustaram operações no Brasil. O colegiado atuará como filtro, avaliando legalidade sob a ótica nacional.

Avanços na articulação entre poderes

Gilmar Mendes, decano do STF, defendeu publicamente a “lei anti-embargo” em setembro de 2025. Ele destacou a necessidade de proteger autoridades de interferências externas.

Reuniões entre os Três Poderes ocorreram na última semana, com foco em resguardar prestadores de serviços. O texto exclui sanções de cortes internacionais ratificadas pelo Brasil.

A iniciativa ganhou apoio da ministra Gleisi Hoffmann, que repudiou as sanções como ato arrogante. Aliados de Bolsonaro, por outro lado, criticaram a proposta como blindagem indevida.

O projeto deve ser formalizado em breve, com debates no plenário do STF.

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