sábado, 7 março, 2026
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Vitor Roque apaga imagem homofóbica e recebe respaldo público de ídolos como Marcos e Neymar

Vitor Roque

O atacante Vitor Roque, do Palmeiras, publicou uma imagem considerada homofóbica em suas redes sociais logo após a vitória por 3 a 2 sobre o São Paulo, no Morumbi, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro, no domingo (5). A foto mostrava um tigre mordendo um veado, em referência ao apelido “Tigrinho” do jogador e a um termo pejorativo usado contra rivais. O conteúdo foi apagado minutos depois, mas já havia sido visto por milhares de usuários.

A diretoria do Palmeiras conversou com o atleta na mesma noite e explicou que provocações desse tipo não se encaixam no futebol atual, pois podem incentivar atos de violência. O clube emitiu nota oficial repudiando qualquer manifestação que contribua para discriminação.

O São Paulo também se posicionou contra a postagem, afirmando que repudia veementemente ações que gerem violência. O jogo, disputado em São Paulo, teve gols de Luciano e Gonzalo Tapia para o Tricolor, enquanto Vitor Roque, Flaco López e Ramón Sosa viraram para o Verdão.

Reação de Marcos expõe tensão com mídia

Marcos, ex-goleiro e ídolo do Palmeiras, defendeu publicamente Vitor Roque em postagem no Instagram nesta segunda-feira (7). Ele criticou o jornalista Rogério Barolo, que havia condenado a publicação durante o programa “Mesa Redonda”, da TV Gazeta. “Logo você, Barolo, que vive de xingar todo mundo no seu canal, vem chamar o outro de homofóbico? Vitor Roque apagou, mas eu vou deixar aqui, vai lacrar com sua laia vai? Zoeira de futebol, fica aí rotulando o cara, se não guenta, comenta jogo de peteca”, escreveu o ex-jogador.

A declaração de Marcos, conhecida por seu estilo direto, acumulou mais de 15 mil interações em poucas horas. Ele manteve a imagem original no ar, argumentando que se tratava de uma brincadeira típica do futebol. O post reforçou o debate sobre limites entre rivalidade e preconceito nas redes sociais.

Apoio de Neymar amplifica o episódio

Neymar, atacante do Santos, comentou no post de Marcos com emojis de risada e palmas, adicionando: “Você é o melhor”. A interação entre os dois ídolos ampliou o alcance da discussão para além da torcida palmeirense.

O gesto de Neymar, que já enfrentou críticas por declarações polêmicas no passado, dividiu opiniões entre fãs e críticos. Alguns viram como solidariedade entre jogadores, enquanto outros questionaram o endosso a um conteúdo discriminatório.

Coletivo LGBTQIA+ do Palmeiras emite nota

O grupo PorcoÍris, principal coletivo LGBTQIA+ ligado ao Palmeiras, divulgou uma carta aberta a Vitor Roque no dia seguinte ao episódio. O texto destacou a importância do respeito à diversidade no clube e pediu reflexão ao jogador.

  • O coletivo enfatizou que preconceito é aprendido cedo e não se justifica por status ou fama.
  • Lembraram que Vitor Roque, como homem negro, conhece o peso da discriminação, mas isso não autoriza ofensas a outros grupos.
  • Afirmaram apoio ao atleta em casos de racismo, mas condenaram veementemente a homofobia, equiparada a crime no Brasil desde 2019 pelo STF.
  • Convidaram o jogador para diálogo e reforçaram que o Palmeiras deve liderar em inclusão, não em divisões.

A carta ganhou visibilidade em portais esportivos e redes sociais, com milhares de compartilhamentos.

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Possíveis punições no âmbito esportivo

Vitor Roque pode enfrentar sanções no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), conforme o artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. A norma prevê suspensão de 5 a 10 partidas por atos discriminatórios, incluindo homofobia.

Especialistas em direito esportivo apontam que a publicação, mesmo apagada, configura infração, pois foi acessível publicamente. O STF equipara homofobia ao racismo desde 2019, tornando o caso passível de análise penal sob o artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal.

O Palmeiras, como clube formador, monitora o caso internamente para evitar reincidências. Casos semelhantes no passado, como ofensas em redes, resultaram em multas e afastamentos temporários.

Histórico de controvérsias no futebol brasileiro

Episódios de preconceito no futebol brasileiro ocorrem com frequência, segundo dados da CBF. Em 2024, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva registrou 45 denúncias por discriminação, um aumento de 20% em relação a 2023.

  • Entre 2020 e 2025, pelo menos 12 jogadores foram suspensos por posts ou falas homofóbicas.
  • Clubes como Flamengo e Corinthians implementaram treinamentos obrigatórios sobre inclusão desde 2022.
  • A FIFA exige campanhas globais contra discriminação, com multas a federações que não cumprem.

Esses incidentes destacam a necessidade de educação contínua em categorias de base. O caso de Vitor Roque, aos 20 anos, serve como exemplo para jovens atletas.

Entidades reforçam combate à discriminação

A CBF mantém políticas contra preconceito desde 2019, com parcerias com o Ministério dos Direitos Humanos. Em 2025, o Brasileirão adotou protocolo para denúncias rápidas em estádios.

O PorcoÍris, fundado em 2018, cresceu para mais de 5 mil membros e promove ações em jogos do Palmeiras. O grupo já influenciou campanhas internas do clube sobre diversidade.

Outros coletivos, como o Arco-Íris do Corinthians, ecoaram a carta e pediram punições proporcionais.

Avanços e desafios na inclusão esportiva

O futebol brasileiro avançou com a Lei 14.199/2021, que criminaliza homofobia em eventos esportivos. No entanto, relatórios da Transparência Internacional indicam que 30% dos torcedores ainda presenciam ofensas em jogos.

Clubes investem em programas educativos, mas a adesão varia. O Palmeiras, líder do Brasileirão com 55 pontos, usa sua visibilidade para promover tolerância. A repercussão do caso deve impulsionar debates em comissões da CBF sobre redes sociais.

FALANDO NISSO
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