O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, elevou o tom das críticas à Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e à presidente do Palmeiras, Leila Pereira, em meio à intensa disputa judicial pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. O dirigente afirmou que o bloco de clubes está enviesado e é “palmeirense”, lamentando ter concordado com a criação da entidade. A polêmica teve início com a divergência sobre os critérios de divisão de 30% da verba paga pela Globo.
O Rubro-Negro recorreu à Justiça para bloquear o repasse de aproximadamente R$ 77 milhões referente à parcela da Libra, alegando que os critérios de rateio da audiência não foram definidos por unanimidade, conforme exigido pelo estatuto do bloco. Bap argumenta que a posição foi tomada para proteger os interesses do clube, já que a verba seria gasta pelos demais integrantes e dificilmente recuperada caso a decisão judicial seja favorável ao time carioca.
Dirigente do Flamengo questiona exclusão e alinhamento interno
Baptista declarou que o Flamengo foi sistematicamente excluído das discussões internas, mesmo após tentar negociar um acordo por nove meses.
Ele apontou que a ausência de um reconhecimento do peso de mercado do clube nas negociações foi o principal motor para a discordância. O dirigente afirmou que, se pudesse voltar no tempo, jamais teria apoiado a formação da Libra nos moldes atuais.
- O Flamengo solicitou participação no comitê de integração com a Liga Forte União (LFU), mas a proposta foi rejeitada em votação.
- O clube alega ter defendido a Lei do Mandante, que beneficiou a todos, muito antes da atual discussão da Liga.
Críticas diretas a Leila Pereira e o viés da Libra
Luiz Eduardo Baptista criticou diretamente a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, e a quem ela confere a confiança.
Ele ressaltou que a convivência com a empresária só é “ótima quando você concorda com tudo que ela quer”, indicando que a divergência de ideias é tratada de forma problemática.
Em um ataque direto ao alinhamento interno do bloco, o presidente rubro-negro destacou o papel do advogado André Sica na Libra, que também atua em nome do Palmeiras, reforçando a ideia de que a Libra é “toda verde” e possui um conflito evidente de interesses. A fala de Leila Pereira, que sugeriu que o Flamengo “jogue sozinho” por causa da ação judicial, foi taxada por Bap como “infantilidade” e “tolice”.

Tentativas frustradas de consenso e o bloqueio na justiça
A controvérsia centraliza-se na parte do contrato que envolve a audiência, onde 70% da verba é incontroversa.
O clube carioca argumenta que a divisão da fatia restante, crucial para as finanças, foi estabelecida sem o necessário consenso, violando o estatuto. A liminar que congelou a verba visa evitar que o montante seja gasto antes de uma decisão final, que pode levar até dois anos em um processo arbitral. O clube reforça a posição de que busca um acordo e não a imposição, mas não pode aceitar um rateio sem aprovação unânime.
Cenário de disputa e futuro da liga
A troca de farpas entre os dirigentes e a ação judicial expõem a fragilidade na união dos clubes da Libra. Apesar dos desentendimentos, Bap reiterou que o Flamengo quer permanecer no bloco e não aventou a possibilidade de sair, defendendo o conceito de uma liga unificada.
O dirigente do time carioca disse que seu objetivo maior é ver o futebol brasileiro unido. A manutenção da disputa na esfera judicial, no entanto, coloca em xeque a governança da Libra e a relação entre seus membros, especialmente com os clubes que se posicionaram contra o Flamengo na questão da divisão das receitas, como Palmeiras e São Paulo.
O contrato atual dos clubes com a Libra para a divisão dos direitos de transmissão da Série A do Brasileirão é válido até o ano de 2029.
