A morte recente de uma criança de seis anos de Curitiba vítima de infecção rara e invasiva causada por estreptococo do grupo A causou alerta nos órgãos de saúde e nas escolas da cidade. Várias instituições de ensino emitiram alertas aos pais sobre a bactéria, como o Colégio Positivo e o Bom Jesus. No pós-pandemia, os casos de escarlatina, causada pela mesma bactéria, têm se tornado mais comuns, inclusive com evolução para quadros clínicos de maior gravidade. Leia maisCuritiba confirma morte de criança por doença invasiva raraSegundo a secretaria municipal de saúde, trata-se de uma infecção rara, porém grave. Ela é causada pela bactéria Streptococcus pyogenes que pode ser encontrada na garganta e na pele de pessoas saudáveis: está presente em 5% a 15% da população. Quando essa bactéria causa doenças, elas são em geral infecções comuns e sem gravidade, como amigdalites, escarlatina ou infecções de pele. Em casos raros, no entanto, a bactéria pode penetrar no corpo ou na corrente sanguínea, levando a doenças invasivas, como pneumonia, infecção muscular, meningite ou um quadro grave conhecido como choque tóxico.A médica Simone Borges, pediatra responsável pela emergência e convênios do Hospital Pequeno Príncipe, conversou com o Bem Paraná sobre os cuidados que os pais devem tomar e quando devem procurar ajuda médica. “O Streptococcus pyogenes é uma bactéria que circula normalmente e ele causa febre alta, dor de garganta e um rancho cutâneo, então são as lesões de pele”. Segundo Simone, os principais sintomas são a dor de cabeça, a febre e o rancho cutâneo. “A gente sempre orienta que com esses sintomas os pais já devem procurar atendimento médico e principalmente se a criança apresentar mal estado geral, então aquela criança que fica mais sonolenta, que não aceita a alimentação e também que pode ter náuseas, vômitos, elas devem procurar imediatamente atendimento hospitalar”, diz a médica. Infecção rara: casos graves são raros mas podem causar choque tóxicoOs casos mais graves são mais raros , mas quando acontecem, a evolução é rápida e leva ao que os médicos chamam de choque tóxico, que pode levar à morte. “A evolução da doença invasiva é muito rápida em questão de horas”, explica a médica Simone. Os sinais do choque tóxico são a sonolência e pode acontecer vômitos. “A criança fica quieta, a mãe percebe que ela tá mais amuada, quietinha, então nesse caso pode ter um vômito e nesses casos é atendimento hospitalar imediato”.De acordo com ela, o tratamento é com antibióticos. ” A maior parte a gente trata com benzetacil, os casos mais leves e os casos mais graves é internamento com antibióticos e anti venoso”, afirmou a médica.Para prevenir a doença, é preciso manter os ambientes arejados, não enviar crianças com sintomas para escola ou evitar locais com aglomeração. Também é preciso evitar o compartilhamento de copos, talheres, de objetos, porque é a transmissão é por meio de gotículas de saliva ou secreções respiratórias de indivíduos infectados, ou pelo contato direto com lesões de pele (como impetigo).Não há vacina disponível contra o estreptococo do grupo A. Entretanto, o isolamento durante o período de transmissibilidade (até completar 24 horas do início do tratamento com antibiótico) e as medidas básicas de higiene (como não compartilhar talheres e higienização das mãos) podem reduzir a transmissão desta bactéria.Morte de criança por infecção rara: Saúde fez rastreio de contatos próximosO óbito da criança de 6 anos aconteceu no último dia 24 e estava sob investigação. Por conta desse caso, foi realizada nesta segunda-feira (27) uma ação de rastreio de contatos próximos que possam ser portadores da mesma bactéria, em familiares e na escola onde a criança estudava.Todos os envolvidos (Vigilância Epidemiológica da SMS, hospital, escola, laboratório municipal e Laboratório Central do Estado) estão trabalhando em conjunto para realizar as investigações de todos contatos próximos da criança acometida. A Vigilância Epidemiológica da SMS realizou, inclusive, nesta segunda-feira (27/10), uma ação na escola em que a criança estudava. Os colegas de turma são considerados contatos próximos, e, por isso, passaram por um exame, para que sejam rastreados e tratados eventuais portadores da bactéria.Para isso, foi necessário coletar nos alunos dessa classe uma amostra de orofaringe com swab (realizado com a introdução de um cotonete estéril pela boca) para exames laboratoriais. Os pais foram avisados previamente pela equipe de saúde da escola e a presença deles foi opcional, uma vez que se trata de um procedimento rápido e indolor.“Esse é o protocolo comum da SMS para que façamos o bloqueio da bactéria que resultou neste caso fulminante”, explica a médica infectologista da SMS, Marion Burger. Como evitar contaminações• Se tiver dor de garganta e febre alta, procure atendimento médico. A pessoa diagnosticada com infecção por estreptococos do grupo A só deve voltar a frequentar a escola, creche ou trabalho após 24 horas do início do tratamento com antibiótico.• Mantenha ferimentos (como cortes ou arranhões) limpos e esteja atento a sinais de infecção. Se um ferimento se tornar vermelho ou inchado, com secreção purulenta, ou se estiver associado com febre, procure o serviço de saúde.• Higienizar as mãos, especialmente após tossir ou espirrar, e antes e depois de cuidar de uma pessoa doente.• Evite compartilhar alimentos, bebidas, cigarros ou pratos, copos e talheres.• Creches e escolas devem higienizar adequadamente os brinquedos de uso comum.• Deixar os ambientes bem ventilados.O post Infecção rara coloca escolas e hospitais de Curitiba em alerta. Médica explica como identificar e prevenir apareceu primeiro em Bem Paraná.
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