sábado, 7 março, 2026
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Baía de Paranaguá: golfinhos resistem ao lado de 60 milhões de toneladas de carga

A Baía de Paranaguá vive uma dualidade constante. De um lado, sua enorme relevância econômica, comprovada pelo tráfego intenso de navios e pelos mais de 60 milhões de toneladas de cargas que circularam por suas águas em 2024. Do outro, uma riqueza ambiental inestimável que precisa ser preservada.

Neste ambiente de contrastes, os golfinhos surgem como um dos principais indicadores da saúde do ecossistema. Por serem predadores de topo de cadeia e altamente sensíveis a qualquer mudança no ambiente, a situação desses animais funciona como um alerta precoce. O monitoramento constante de suas populações é, portanto, uma ferramenta essencial para cientistas e gestores. Acompanhar de perto a vida dos golfinhos é a forma mais eficaz de avaliar a qualidade das águas e medir os verdadeiros impactos da atividade portuária na biodiversidade da Baía de Paranaguá.

Com esse objetivo, desde 2012 a TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, desenvolve o Programa de Monitoramento de Cetáceos, Quelônios e Bancos de Gramíneas. De 2016 a 2024, a iniciativa registrou mais de 46 mil avistamentos de golfinhos na região, conforme os padrões de deslocamento.

“Há 13 anos mantemos essa atividade porque entendemos que, além de atender a uma exigência ambiental, ela é essencial para garantir a convivência harmoniosa entre a atividade portuária e o meio ambiente. Também se tornou uma oportunidade valiosa de produzir conhecimento científico sobre a biodiversidade da Baía de Paranaguá”, destaca Kayo Zaiats, gerente de Meio Ambiente da TCP.

O boto-cinza, espécie mais comum na Baía de Paranaguá, está classificado como “quase ameaçado” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), “vulnerável” na lista brasileira e “em perigo” na lista estadual do Paraná. Essa condição reforça a necessidade do monitoramento contínuo da espécie e de seu habitat.

Executada pela empresa de consultoria ambiental Acquaplan, a iniciativa analisa comportamentos, interações e a influência de fatores como o ruído subaquático sobre os animais, fornecendo subsídios para que o desenvolvimento portuário caminhe lado a lado com a conservação ambiental. Entre os principais comportamentos observados estão pesca, descanso, socialização e deslocamento – sendo este último o mais frequente em 2024.

Ao longo dos anos, os registros revelaram descobertas importantes: no inverno, por exemplo, costuma haver maior concentração de indivíduos, possivelmente pela abundância de presas e pela menor competição por recursos. Também foi observado que os botos utilizam as estruturas portuárias — como o casco dos navios — para cercar cardumes, estratégia que facilita a captura de peixes.

Golfinhos como bioindicadores e importância do monitoramento

Segundo especialistas, esses animais funcionam como bioindicadores ambientais: variações em sua presença ou comportamento podem sinalizar mudanças na qualidade do ecossistema.

Por isso, além da observação científica, a TCP também investe em ações de educação ambiental e diálogo com as comunidades locais, especialmente pescadores, que convivem diariamente com a presença dos golfinhos. Projetos como o Troca Solidária incentivam o descarte correto de resíduos, e também buscam conscientizar e envolver a população na preservação marinha.

“Com mais de uma década de atuação, a iniciativa se consolida como referência na região. Ela alia ciência, responsabilidade socioambiental e operação portuária, reafirmando o compromisso da TCP em desenvolver suas atividades de forma sustentável e integrada ao ecossistema da Baía de Paranaguá.”, finaliza Zaiats.
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