sábado, 7 março, 2026
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O menor parque marinho do Brasil fica no Paraná e quase ninguém conhece

A poucos quilômetros da costa do Paraná, diante da Praia de Leste, em Pontal do Paraná, existe um lugar tão isolado quanto extraordinário. O Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, criado pela lei federal nº 12.829 em 2013, é um dos menores parques nacionais do Brasil. 

As ilhas que formam o arquipélago são pequenas, rochosas e sem praias. O conjunto reúne três ilhotas e quatro grupos de recifes artificiais que circundam as formações naturais. 

Cada uma das ilhas tem características singulares. A primeira se destaca por um pico de pedra alto e sem vegetação, a segunda é mais baixa, e a terceira, maior, possui manchas de vegetação apenas no topo. 

Três ilhas, milhares de vidas e um ecossistema raro no Litoral do Paraná

Mesmo sem praias, o cenário é de intensa vida. Ali vivem mais de oito mil aves, o que transforma o local no maior berço de atobás do litoral brasileiro. Fragatas sobrevoam constantemente as ilhotas, enquanto os atobás fazem ninhos entre as rochas, repetindo um ciclo vital que existe ali há séculos.

A fauna marinha também encontra refúgio ao redor das ilhas. O entorno protege espécies ameaçadas, como o mero, o maior peixe ósseo do Atlântico Sul. Os recifes naturais e artificiais oferecem abrigo e alimento em dias de mar agitado, criando um raro ambiente de equilíbrio ecológico. 

Ilhas dos Currais: o pequeno parque marinho do Paraná que abriga milhares de aves (Foto: Instituto Chico Mendes)

No mar, não há limites definidos como em áreas terrestres. As águas são fluidas, contínuas, e tudo se conecta, um princípio fundamental que ajuda a explicar por que a preservação ali tem repercussões muito maiores do que os olhos conseguem ver.

Por que este pequeno parque é tão importante para o Brasil?

A região sofreu durante anos com a pesca predatória e a sobrepesca, o que reduziu drasticamente estoques de peixes e crustáceos. A criação da unidade de conservação foi interpretada por pesquisadores como um respiro necessário para que o ecossistema pudesse se recuperar. 

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Os primeiros sinais dessa regeneração já são percebidos tanto por cientistas quanto por pescadores, que observam a volta gradual de espécies que haviam rareado.

A área é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e o acesso às ilhas só é permitido mediante autorização.

Conflitos socioambientais

Mas a criação do parque também gerou um dos conflitos socioambientais mais emblemáticos do litoral paranaense. Pesquisadores como Ana Clara Giraldi-Costa analisaram a percepção dos pescadores artesanais de Matinhos, que historicamente utilizam a região das Ilhas dos Currais para a captura de peixes de curso. Segundo o estudo, o conflito surgiu principalmente da ausência de participação dessas comunidades tradicionais no processo de criação da unidade de conservação.

Os pescadores relatam que não foram consultados sobre os limites da área protegida nem sobre as regras que afetariam diretamente seu modo de vida. Para eles, a proteção integral do arquipélago representava não apenas uma ameaça à subsistência econômica, mas também um risco à continuidade de práticas culturais que fazem parte da identidade local.

Em maio de 2017, o ICMBio celebrou um Termo de Compromisso com as colônias de pescadores artesanais de Matinhos e Pontal do Paraná, autorizando a pesca artesanal tradicional para três espécies migratórias (tainha, cavala e salteira) no período de 15 de maio a 31 de agosto, com uso exclusivo da rede de emalhe de deriva (“rede alta”, modalidade cerco não anilhado).
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