sexta-feira, 6 março, 2026
InícioInternacionalPolvo-de-sete-braços filmado em expedição revela detalhes de espécie rara nas profundezas

Polvo-de-sete-braços filmado em expedição revela detalhes de espécie rara nas profundezas

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey (MBARI) registraram imagens raras de um polvo-de-sete-braços (Haliphron atlanticus) durante uma expedição na Baía de Monterey, na Califórnia. O avistamento ocorreu a aproximadamente 700 metros de profundidade, utilizando o veículo operado remotamente Ventana. Essa é apenas a quarta vez que a instituição documenta a espécie viva em quase 40 anos de pesquisas em águas profundas.

O animal, apelidado de polvo-bolha, foi filmado com uma câmera 4K especialmente projetada para missões subaquáticas. No registro, o polvo aparecia segurando uma água-viva-capacete-carmesim (Periphylla periphylla), o que reforça observações anteriores sobre sua dieta baseada em organismos gelatinosos.

O encontro foi conduzido pelo cientista sênior Steven Haddock e pela equipe de Biodiversidade e Bioóptica do MBARI.

Características da espécie

O Haliphron atlanticus recebe o nome comum de polvo-de-sete-braços devido a uma peculiaridade nos machos.

Esses animais possuem oito braços, como outros polvos, mas um deles, o hectocótilo usado na reprodução, fica recolhido em uma bolsa sob o olho direito, criando a ilusão de sete braços visíveis. As fêmeas são significativamente maiores que os machos.

Diferenças de tamanho

As fêmeas do Haliphron atlanticus podem atingir até quatro metros de comprimento total e pesar 75 kg. Os machos, por outro lado, raramente ultrapassam 30 cm de comprimento e são muito menores.

Essa disparidade sexual é uma das marcas da espécie e contribui para sua classificação como um dos maiores polvos do mundo. Registros indicam que fêmeas dominam os avistamentos de exemplares grandes em águas profundas.

Dieta baseada em presas gelatinosas

O polvo-de-sete-braços alimenta-se principalmente de animais gelatinosos, como águas-vivas. Embora essas presas tenham baixo valor nutricional, elas são abundantes na zona crepuscular do oceano.

Estudos anteriores, incluindo análises de conteúdos estomacais de espécimes preservados, confirmaram esse padrão alimentar. No avistamento recente, o animal consumia uma Periphylla periphylla, alinhando-se a comportamentos observados em 2017.

Observações anteriores do MBARI

O MBARI documentou a espécie pela primeira vez há décadas, com registros esparsos. Um encontro em 2017 mostrou um exemplar segurando uma água-viva egg-yolk (Phacellophora camtschatica).

Pesquisas lideradas por Haddock e pelo colaborador Henk-Jan Hoving revelaram que o polvo usa tentáculos de presas para defesa. Essas observações destacam conexões inesperadas nas teias alimentares profundas.

Registro com tecnologia avançada

A câmera 4K utilizada permitiu capturar detalhes precisos da aparência e do movimento do animal. Engenheiros do MBARI desenvolveram o equipamento para exploracoes em ambientes extremos.

O vídeo registra o polvo translúcido e imponente em seu habitat natural. Essa tecnologia amplia o conhecimento sobre espécies raras da zona crepuscular.

Habitat na zona crepuscular

O Haliphron atlanticus vive em profundidades onde a luz solar mal penetra. Essa região do oceano abriga predadores que dependem de presas abundantes como águas-vivas.

O polvo serve de alimento para animais maiores, incluindo tubarões-azuis e cachalotes. Avistamentos reforçam a importância de explorar ecossistemas profundos.

Papel ecológico do polvo

O Haliphron atlanticus integra cadeias alimentares complexas no oceano profundo. Presas gelatinosas sustentam grandes predadores apesar de seu baixo teor calórico.

O polvo atua como elo entre camadas oceânicas, conectando superfície e profundezas. Observações como essa contribuem para entender interações em ambientes pouco acessíveis.

FALANDO NISSO
- Advertisment -

Em Alta