O conselho de administração da Warner Bros. Discovery decidiu, de forma unânime, rejeitar a oferta hostil de aquisição apresentada pela Paramount Skydance, avaliada em US$ 108,4 bilhões. A proposta, lançada em 8 de dezembro de 2025, visava comprar toda a empresa, incluindo ativos de TV a cabo, mas foi considerada inadequada devido a riscos de financiamento e custos elevados para os acionistas. Em vez disso, a companhia mantém o acordo firmado com a Netflix, anunciado em 5 de dezembro, para venda dos estúdios de cinema, HBO e HBO Max por valor empresarial de cerca de US$ 82,7 bilhões.
A decisão foi comunicada aos acionistas em 17 de dezembro de 2025, nos Estados Unidos. O presidente do conselho, Samuel Di Piazza Jr., destacou que a oferta da Paramount impõe riscos significativos, enquanto o negócio com a Netflix oferece maior certeza e benefícios estratégicos. Essa escolha marca um capítulo importante na consolidação do setor de entretenimento e streaming.
A disputa envolve ativos icônicos, como franquias do universo DC, Harry Potter e produções da HBO. A Netflix planeja integrar esses conteúdos à sua plataforma, mantendo lançamentos cinematográficos tradicionais da Warner.
Detalhes da rejeição à proposta da Paramount
A oferta da Paramount Skydance previa US$ 30 por ação em dinheiro, representando um prêmio significativo sobre o valor de mercado anterior. No entanto, o conselho da Warner identificou falhas na estrutura de financiamento, incluindo ausência de garantias plenas por parte dos investidores, como a família Ellison e parceiros.
A proposta também poderia gerar custos adicionais de cerca de US$ 4,3 bilhões para a Warner, caso aceita e não concluída, devido a multas e despesas. Esses fatores tornaram a oferta menos atrativa, apesar do valor nominal superior ao do acordo com a Netflix.
Riscos regulatórios semelhantes entre as duas propostas;
Ausência de compromisso vinculante na oferta rival;
Potencial impacto negativo de US$ 1,66 por ação aos acionistas.
netflix e warner – Blossom Stock Studio/Shutterstock.com
Razões para preferir o acordo com Netflix
O negócio com a Netflix foca nos ativos de streaming e produção cinematográfica, excluindo redes de TV linear, que serão separadas em uma empresa independente. Essa estrutura alinha-se ao plano de reestruturação da Warner, anunciado anteriormente para 2026.
A transação oferece uma combinação de dinheiro e ações, com valor por ação de US$ 27,75, considerada mais segura e executável. A Netflix comprometeu-se a preservar empregos e continuar exibindo filmes da Warner nos cinemas, atendendo preocupações da indústria.
O acordo prevê fechamento em 12 a 18 meses, com menor exposição a variações de mercado. Investidores reagiram positivamente, com ações da Netflix registrando ganhos após a confirmação da preferência.
Contexto da disputa no mercado de streaming
A guerra de lances começou em setembro de 2025, quando a Warner abriu processo de venda estratégica. Paramount Skydance apresentou múltiplas propostas, buscando criar um conglomerado completo com canais de TV e streaming.
Netflix e Comcast disputaram apenas os ativos premium, sem as redes lineares em declínio. A vitória inicial da Netflix surpreendeu analistas, que viam a Paramount como favorita devido à integração total.
A oferta hostil da Paramount, diretamente aos acionistas, tentou contornar o conselho, mas não convenceu. Fontes indicam que um financiador chave, ligado a Jared Kushner, retirou-se da negociação, enfraquecendo a proposta.
Reações iniciais do mercado financeiro
Ações da Warner Bros. Discovery apresentaram leve variação após o anúncio da rejeição. Investidores valorizam a certeza do acordo com a Netflix, líder global com mais de 300 milhões de assinantes.
A Paramount registrou queda moderada, refletindo o revés na expansão ambicionada por David Ellison. Analistas preveem que a Netflix ganhará vantagem competitiva com o catálogo ampliado.
Integração de clássicos como Casablanca e Friends;
Reforço na produção original da HBO;
Manutenção de janelas tradicionais de exibição cinematográfica.
Obstáculos regulatórios para as transações
Ambas as propostas enfrentam escrutínio antitruste nos Estados Unidos e Europa. Autoridades avaliam concentração no mercado de streaming e produção de conteúdo.
Sindicatos de roteiristas e exibidores criticam possíveis reduções de diversidade e empregos. A Netflix argumenta que compete com YouTube e redes sociais, diluindo sua participação de mercado.
A aprovação final depende de agências reguladoras, com prazos que podem estender até 2027. A estrutura focada da Netflix é vista como menos problemática que uma fusão total com a Paramount.
Perspectivas para o catálogo da Warner
A integração com a Netflix garante acesso a um dos acervos mais valiosos de Hollywood. Franquias como o universo DC e Harry Potter fortalecem a oferta de conteúdo exclusivo.
A plataforma planeja manter investimentos em produções originais da HBO, conhecidas por séries premiadas. Essa aliança redefine o equilíbrio de forças no streaming global.
O acordo preserva a legado cinematográfico da Warner, com compromisso de lançamentos em salas de cinema. Consumidores podem esperar mais opções integradas em uma única plataforma.
Movimentações recentes na indústria de entretenimento
O setor passa por consolidação acelerada, com fusões visando escala contra gigantes digitais. A Warner buscava alternativas estratégicas desde outubro de 2025.
Outros players, como Comcast, retiraram-se da disputa após rodadas iniciais. A rejeição à Paramount reforça a tendência de separação entre ativos digitais e tradicionais.
Essa decisão impacta milhares de funcionários nos estúdios e plataformas envolvidas. A Netflix reiterou foco em crescimento sustentável e proteção de empregos.
