sexta-feira, 6 março, 2026
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Litoral do Paraná tem uma ‘cidade fantasma’, com cenário digno de um filme de apocalipse

O município de Antonina, localizado no litoral do Paraná, guarda algumas das maiores belezas paranaenses. São cachoeiras, rios e montanhas, entre eles o majestoso Pico Paraná, maior montanha de toda a região Sul do Brasil. Mas no meio da exuberante Mata Atlântica, há também um cenário digno de um filme apocalíptico. É uma vila – quase que uma mini-cidade – abandonada, que fica próxima da Usina Hidrelétrica Governador Pedro Viriato Parigot de Souza.

Conheça a verdadeira história do “cassino abandonado” que fica numa ilha no litoral do Paraná

A bem da verdade, a vila não está completamente abandonada. Das 42 casas, hotel, alojamento, escola, igrejas, piscina e quadra poliesportiva que ficam ou ficavam no local, ainda há um par de residências que estão ativas e também a escola, onde hoje funciona o Colégio Estadual Hiram Rolim Lamas. No mais, toda a estrutura está ao léu, degradando-se com a ação do tempo e da natureza.

Mas afinal, qual a história por trás dessa vila, que hoje mais parece o cenário de um filme ou série de zumbi, como “The Last of Us”, “Extermínio” e tantos outros.

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Colégio e algumas poucas casas seguem ativas na vila (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Vila abandonada em Antonina (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Uma vila de operários e de trabalhadores da Copel

Construiu-se a vila em questão nos anos 1960, na época em que a Usina Hidrelétrica Governador Parigot de Souza também estava em obras. Originalmente, a “pequena cidade” servia para alojar os operários que trabalhavam na construção da Usina, a maior central hidrelétrica subterrânea da região Sul do Brasil. Ela fica no sopé de uma montanha, onde três grandes cavernas foram escavadas.

Com a inauguração da Usina, no começo de 1971, o espaço – também conhecido como Vila da Copel – passou a abrigar e atender, principalmente, funcionários da Companhia Paranaense de Energia (Copel) que trabalhavam na usina. Todas as 42 casas, mais o hotel com 10 apartamentos e o alojamento com outros 16 apartamentos tinham ocupação. No auge, inclusive, havia até fila de espera de funcionários que queriam morar no local, e era difícil conseguir uma moradia.

“Para você ter uma ideia, trabalhávamos em 23 pessoas só no atendimento de hotelaria. E ainda tinha mais 20 pessoas que ficavam dedicadas à manutenção da vila, cuidando da jardinagem, limpeza das ruas, tratamento de água, esgoto, cuidando da parte elétrica e hidráulica”, conta Valdir da Silva Gouveia, de 62 anos, que até hoje trabalha na Copel e não chegou a morar na vila, mas era um dos responsáveis pela manutenção do local.

Vila da Copel, depois Vila Flor e mais tarde o abandono

Entre os anos 1960 e 2014, a vila abrigou operários e funcionários da Copel, num sistema privativo. Aos poucos, porém, o local perdeu sua utilidade original, na medida em que o pessoal foi se aposentando e os postos de serviço não foram repostos. A vila, então, começou a esvaziar. “Algumas pessoas também foram pedindo transferência, pros filhos estudarem em Curitiba e outros lugares, e foi se perdendo o interesse na Vila”, relata ainda Valdir.

Entre 2014 e 2019, então, cedeu-se a pequena cidade para uma outra empresa e o local passou a se chamar de Vila Flor. Nesse período, as casas e outras edificações que ficam no local podiam ser alugadas para particulares, como o clube social que ficava ali. Ocorriam festas de aniversário, casamentos e celebrações diversas, independente de o locatário ser ou não funcionário da Copel.

Contudo, a partir de 2019 a área começou a ficar mais abandonada. Foi quando se começou a invadir e depredar as casas e outras instalações, com ocorrências de furtos e vandalismo. Ao mesmo tempo, a natureza começou a ‘dominar’ o cenário, transformando a antiga vila num ‘lugar fantasma’.

“Ainda tem ali dois funcionários da Copel que estão ali, optaram por ficar ali ainda, e tem mais uns três rapazes que moram ali também. A escola ainda está ativa, era da Copel e depois virou um colégio estadual. Mas o resto está abandonado e hoje a Copel não tem responsabilidade nenhuma ali, a área foi vendida no ano retrasado”, cita Valdir.

“Cenário assombroso. Nem gosto de ir lá”

Além da ação do tempo e da natureza, afirma Valdir, atos de vandalismo explicam o cenário apocalíptico que hoje impera na antiga vila.

“Não sabemos o que vão fazer ali. Mas as casas ainda resistem, é uma estrutura muito bem feita. As residências são com parede dupla. As janelas, portas, são tudo de maneira nobre, imbuia. Por mais que o tempo esteja deteriorando, a vila ainda está resistindo ao tempo. Mas depois que se abandonou a vila, começou a depredação”, comenta ele. “A mentalidade das pessoas é tão pequena que vão lá e acabam depredando. No antigo hotel, quebraram todos os vidros, depredaram mesmo”, emenda.

Questionado ainda sobre como é ver a vila em seu estado atual, Valdir revela que nem gosta de frequentar mais o espaço. “Hoje é um cenário de filme, é assombroso. Quase nem vou lá, não gosto. Eu cuidei de lá, fazia a manutenção de tudo. O gramado era um espelho, as calçadas estavam sempre lavadas e a vila inteira era bem limpa. Tinha uma igreja católica, outra evangélica, a quadra poliesportiva, piscina com profundidade de quatro metros… Hoje, ver aquilo ali é desesperador. É feio até”, lamenta ele.
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