Polícia Federal investiga Virginia Fonseca após Coaf identificar movimentações financeiras irregulares

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A influenciadora Virginia Fonseca está sendo investigada pela Polícia Federal devido a questionamentos levantados por Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As apurações buscam esclarecer a legalidade das operações financeiras da influenciadora e de suas empresas, bem como a origem dos recursos movimentados. Esta etapa da investigação visa verificar eventual prática de crimes financeiros, fiscais e de lavagem de dinheiro, após informações que anteriormente estavam sob sigilo.

Embora Virginia Fonseca tenha escapado do indiciamento na CPI das Bets, cujo relatório final foi rejeitado no Senado em 12 de junho de 2025, o conteúdo dos RIFs do Coaf serviu de base para a nova frente de apuração. Durante os sete meses de duração da CPI, parlamentares examinaram dados sensíveis que agora são fundamentais para a Polícia Federal. A revista piauí também teve acesso a esses relatórios, confirmando que as movimentações bancárias da influenciadora geram uma série de dúvidas, conforme reportado por João Batista Jr. e Alessandra Medina.

Detalhes sobre a investigação da Polícia Federal

A investigação da Polícia Federal concentra-se em diversos aspectos das finanças de Virginia Fonseca. Os RIFs do Coaf são a espinha dorsal desta análise, fornecendo um panorama das operações bancárias que, aos olhos das autoridades, necessitam de maior clareza. A apuração não se restringe apenas à influenciadora, mas também a suas empresas, visando desvendar possíveis irregularidades.

O foco primordial é determinar se houve qualquer infração financeira, fiscal ou lavagem de dinheiro. A Polícia Federal busca consolidar provas e depoimentos que possam elucidar a complexidade das transações financeiras. Este processo é essencial para garantir a transparência e a conformidade legal nas atividades de personalidades públicas.

Suspeitas em transferências da Talismã Digital

Uma das principais frentes de suspeita recai sobre a Talismã Digital, empresa de Virginia Fonseca e do ex-marido Zé Felipe, que atuava com mídias digitais. Entre março e setembro de 2024, a Talismã Digital recebeu 22,4 milhões de reais em movimentações. O banco Santander expressou preocupação com estas transferências significativas.

O principal depositante, a AMP Pay Marketing e Negócios, efetuou cinco remessas via Pix, totalizando 17,7 milhões de reais para a Talismã Digital. O Santander notou que, apesar do volume financeiro expressivo, a AMP Pay está registrada na categoria Simples Nacional. Este regime tributário é exclusivo para negócios com faturamento anual de até 4,8 milhões de reais, ou 400 mil reais mensais em média, o que contrasta fortemente com o montante transferido.

    Outro detalhe que chamou a atenção é o endereço da AMP Pay Marketing e Negócios:

  • Localizada em um box comercial no Centro de Itajaí, no interior de Santa Catarina.
  • Aparenta não ter a capacidade financeira para movimentar tal volume de recursos, levantando bandeiras vermelhas para as instituições financeiras.

Origem da Wepink levanta questionamentos

A Wepink, principal negócio de Virginia Fonseca, com um faturamento de 1,3 bilhão de reais em 2025, também tem sua origem sob escrutínio. A história da empresa de cosméticos não começou com a influenciadora, e seus primórdios estão carregados de suspeitas. A empresa foi fundada pelo casal paulista Samara Cahanovich Martins e Thiago Stabile.

Martins e Stabile eram donos da Pink Lash, uma empresa especializada em design de sobrancelhas e cílios. No passado, a Pink Lash teve como sócia Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como Japa do PCC por ser casada com um membro da organização criminosa. Após o rompimento da sociedade com Mori, Martins e Stabile fundaram a Wepink em parceria com Virginia Fonseca e o empresário chinês Chaopeng Tan, consolidando sua posição no mercado de cosméticos.

Engajamento e influência digital de Virginia Fonseca

Virginia Fonseca possui cerca de 56,6 milhões de seguidores no Instagram, sendo a segunda mulher com maior número de seguidores no Brasil, atrás apenas da cantora Anitta. Sua capacidade de transformar a vida pessoal em conteúdo atrativo é notável, capturando a atenção de milhões e alimentando canais de fofoca. Um estudo encomendado pela piauí à Palver, empresa de monitoramento de redes sociais, analisou 100 mil grupos públicos de WhatsApp e revelou que a influenciadora supera alguns líderes da extrema direita na dominância das conversas digitais.

Em maio passado, quando o namoro de Virginia Fonseca com o jogador Vini Jr. chegou ao fim, seu nome foi buscado 170% de vezes a mais no Google no Brasil do que o de Flavio Bolsonaro. O post em que ela revelou o namoro com o jogador, em 28 de novembro passado, acumulou 11 milhões de curtidas e gerou 44 mil menções nas redes sociais. No mesmo dia, uma operação policial no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 122 pessoas, teve 43 mil menções, segundo levantamento de Lilian Carvalho, doutora em marketing e coordenadora do Centro de Estudos em Marketing Digital da Fundação Getulio Vargas.

Após o término com Vini Jr., que lhe rendeu 323 mil novos seguidores em 24 horas, Virginia Fonseca viajou para Dubai em seu jatinho particular, acompanhada dos sócios Samara Martins e Thiago Stabile. Um dos momentos da viagem, em que beijou um macaco em um zoológico e escreveu “Que pegada foi essa? (risos)”, gerou controvérsia e foi associado por muitos a um ato de racismo recreacional.