Ceuta registra 72 mortes e divergência de dados com Marrocos

0
23

O número de mortes relacionadas à chegada de milhares de pessoas à nado na cidade autônoma espanhola de Ceuta, localizada no norte da África, subiu para 72. A atualização ocorreu após a descoberta de mais cinco corpos na costa em 2 de maio. Muitos dos migrantes se afogaram ou foram esmagados durante a tentativa de escalar o quebra-mar e a cerca que demarcam a fronteira.

Detalhes sobre a intensa chegada de imigrantes na Espanha

Foto: Momento em que imigrantes do Marrocos chegam a nado em Ceuta, cidade da Espanha – Reprodução/ TV Globo

Uma grande onda migratória ocorreu em 30 de abril, quando cerca de 60 mil imigrantes, em sua maioria jovens marroquinos, cruzaram a fronteira entre o Marrocos e a Espanha. Esse número representa aproximadamente 70% dos 84 mil habitantes do pequeno território de Ceuta, que possui 18,5 km².
Segundo Miguel Ángel Pérez, representante do governo espanhol em Ceuta, mais de mil pessoas necessitaram de atendimento dos serviços de saúde desde 30 de abril. Ele afirmou que “a situação no enclave melhorou consideravelmente, mas ainda há muito a ser feito para restabelecer a normalidade”.
Juan Jesús Vivas, prefeito da cidade, informou que o necrotério local recebeu 88 corpos, incluindo alguns de indivíduos que morreram em tentativas anteriores de travessia nas últimas duas semanas. Autoridades marroquinas também estavam trabalhando na recuperação de corpos no mar.
Ceuta, juntamente com Melilla, está localizada na costa norte da África, em frente ao Estreito de Gibraltar, e constitui a única fronteira terrestre entre a União Europeia e o continente africano. Essas cidades autônomas da Espanha frequentemente testemunham ondas de migrantes buscando entrar na Europa.
Imagens divulgadas por agências de notícias mostraram uma multidão de jovens atravessando o mar de diversas formas, seja nadando, usando boias ou sendo resgatados por embarcações. Alguns foram registrados gritando “Viva a Espanha” após a travessia, enquanto agentes da Guarda Civil ofereciam água e apoio.
Controvérsia e diferença nos números apresentados
Há uma notável divergência nos dados oficiais sobre as mortes. Enquanto as autoridades espanholas apontam para um número acima de 70, o Ministério do Interior do Marrocos divulgou, em um comunicado de 2 de maio, que apenas 11 pessoas perderam a vida na tentativa de chegar a Ceuta. O órgão marroquino explicou que ainda está verificando as informações sobre as mortes fornecidas pela Espanha.
Além disso, o Marrocos estimou o total de envolvidos na travessia em 40 mil pessoas, diferentemente da contagem espanhola, que supera 50 mil. Na nota, o governo marroquino reiterou seu compromisso com o combate à imigração ilegal e solicitou que a responsabilidade pela gestão dos fluxos migratórios seja compartilhada entre os países.
Ampliação da crise de imigração na região
A situação atual intensifica uma crise migratória que já vinha se agravando durante o mês. Antes da chegada em massa de 30 de abril, mais de 1,5 mil migrantes já haviam chegado a Ceuta na semana anterior, segundo informações das autoridades locais. O centro de acolhimento de imigrantes da cidade opera acima de sua capacidade, e dias antes, mais de 400 pessoas aguardavam por uma vaga.
O Ministério do Interior da Espanha declarou que grupos criminosos podem ter se aproveitado de uma recente decisão do Supremo Tribunal para incentivar as tentativas de entrada no território espanhol. A sentença estabeleceu que pessoas que chegam ao país pelo mar de forma irregular não podem ser imediatamente devolvidas a outro Estado.
Diante da crise, o governo da Espanha mobilizou militares para auxiliar a Guarda Civil e reforçou o efetivo policial responsável pela segurança de Ceuta. As autoridades também informaram que chegaram a um acordo com Rabat para adotar medidas que visam devolver “o mais rápido possível” ao Marrocos todas as pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta.
“Estamos em uma situação de absoluta emergência humanitária e social”, alertou o prefeito Juan Vivas.