Campo que marcou gerações no Santa Cruz vai renascer dentro do Ecopark Oeste

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O campo do Bairro Santa Cruz, em Cascavel, será reconstruído e transformado em miniestádio com a ampliação do Ecopark Oeste – Foto: IA

Por enquanto, a bola parou de rolar. No campo da Rua João Berlando, próximo ao cruzamento com a Rua Hercílio Luz, no Bairro Santa Cruz, já não existe o gramado que carregava tantas lembranças. Onde crianças, jovens e adultos passaram tardes inteiras jogando futebol, agora há terra.

O ponto de encontro dos “atletas” do Santa Cruz está temporariamente interditado pelas obras de ampliação do Ecopark – Foto: Paulo Eduardo/O Paraná

Para quem cresceu naquela região, a imagem pode até apertar o coração. Afinal, aquele pedaço de chão nunca foi apenas um lugar para “chutar bola”. Foi ponto de encontro, palco de campeonatos amadores, cenário das famosas “peladas” e parte da infância de muita gente.

Ali teve gol comemorado como se valesse uma Copa do Mundo. Teve discussão para decidir se a bola entrou ou passou por fora. Teve time escolhido no par ou ímpar, chuteira improvisada e criança voltando para casa com o joelho ralado, a roupa suja e alguma história para contar.

Agora, olhando de longe, parece que tudo desapareceu.

Parece.

Porque a boa notícia é justamente esta: o campo não acabou. Está apenas no intervalo entre uma história que já foi escrita e outra que ainda vai começar.

Destruído, sim. Mas para renascer!

A mudança faz parte da ampliação do Ecopark Oeste e da revitalização do Córrego Bezerra. O antigo campo será totalmente reconstruído e ganhará uma estrutura semelhante à de um pequeno estádio.

O secretário de Esportes e Lazer de Cascavel, Alexandre Guerino, o Suco, admite que, neste momento, a impressão de quem passa pelo local é de que o campo simplesmente foi destruído.

“Na verdade, ele foi destruído, vamos dizer assim, mas por uma boa causa. É um campo muito tradicional do Bairro Santa Cruz e será totalmente revitalizado. Será construído praticamente um miniestádio”, explica.

O novo campo terá gramado, sistema de drenagem para evitar o acúmulo de água, alambrado, bancos, lixeiras e novos acessos. Também serão construídos vestiários e arquibancada. Nas proximidades, a comunidade ainda terá playground e equipamentos para exercícios físicos.

Somente as melhorias no campo, nos vestiários e na arquibancada somam quase R$ 2 milhões. Com o playground e os equipamentos de exercícios, o investimento ultrapassa R$ 2,2 milhões.

Secretário “Suco” lembra que o campo foi destruído “por uma boa causa” – Foto: Paulo Eduardo/O Paraná

Desta vez, o futebol fica

Suco lembra que Cascavel perdeu vários campos de futebol ao longo das últimas décadas. Muitos deram lugar a outras obras e nunca mais voltaram. No Santa Cruz, segundo ele, a história será diferente.

“Nós já tivemos muitas perdas de campos no passado em Cascavel para construir outros tipos de obras públicas. O futebol amador foi prejudicado, e esse é mais um campo que nós não vamos deixar perder”, afirma.

Os recursos para a obra estão garantidos por meio do Fonplata. A expectativa é de que a construção da nova estrutura esportiva comece até o fim deste ano.

Para o secretário, recuperar o espaço também significa preservar uma parte da história do futebol amador cascavelense.

“Aquele campo tem uma história grande no futebol de Cascavel. O espaço será devolvido para a comunidade do jeito que ela merece, com qualidade e conforto”, completa.

340 mil m²

A transformação do campo é apenas uma peça de uma obra bem maior. O Ecopark Oeste passa por um amplo processo de expansão e revitalização, com investimento de R$ 32,4 milhões.

Quando a nova etapa estiver concluída, o Ecopark Oeste deverá se tornar o maior parque do gênero em Cascavel, alcançando aproximadamente 340 mil metros quadrados.

Serão acrescentados cerca de dois quilômetros de pista de caminhada e ciclovia. O projeto também prevê nova praça de convivência, passarela, playgrounds, equipamentos esportivos e áreas de paisagismo.

A ampliação seguirá da Rua Públio Pimentel até a Avenida Tancredo Neves, alcançando os bairros Santa Cruz, Santo Onofre e Aclimação.

Elaborado pelo IPC (Instituto de Planejamento de Cascavel), o projeto tem como um dos pontos centrais a revitalização do Córrego Bezerra. As margens serão recuperadas, novas árvores serão plantadas e pequenas lagoas com peixes deverão surgir ao longo do parque.

A proposta é criar um grande corredor verde, unindo lazer, esporte e preservação ambiental na região oeste da cidade.

Onde havia lixo, haverá vida

Parte da área que receberá a ampliação ainda convive com problemas antigos. Em alguns pontos, o fundo de vale é usado para o descarte irregular de lixo e entulho, situação que incomoda os moradores e aumenta a sensação de abandono e insegurança.

A proposta é mudar completamente esse cenário. Com a obra, esses espaços receberão grama, jardins e milhares de mudas de árvores nativas. A vegetação exótica será retirada e as margens do córrego passarão por recuperação ambiental.

O prefeito Renato Silva afirma que o projeto foi pensado para aproximar a população da natureza e, ao mesmo tempo, preservar uma área rica em recursos hídricos.

O presidente do IPC, Vinicius Boza, explica que a intervenção já estava prevista no Plano Diretor e deverá contribuir também para evitar novas ocupações irregulares às margens do córrego.

“O espaço foi pensado para a população que vai utilizar. Terá playground para as crianças, campo de futebol, pista de caminhada e ciclovia. Também vai formar um corredor verde e reurbanizar essa região de Cascavel”, afirma.

A secretária municipal de Meio Ambiente, Beatriz Bertoglio, destaca que mais de 119 mil metros quadrados serão destinados à nova infraestrutura de lazer e convivência.

“Estamos revitalizando espaços que hoje estão degradados e recebem descarte irregular de lixo. Vamos transformar tudo isso em espaço de convivência e de preservação”, explica.

Investimentos de R$ 32,4 milhões farão do Ecopak do Santa Cruz, o maior de Cascavel – Foto; Paulo Eduardo/O Paraná

De problema antigo a cartão-postal

A primeira fase do Ecopark Oeste, inaugurada em 2020, mostrou que essa transformação é possível. Com aproximadamente 200 mil metros quadrados, a área era, antes da intervenção, alvo constante de reclamações dos moradores devido ao descarte de lixo e entulho.

Com a revitalização do Córrego Bezerra, o fundo de vale ganhou pista de caminhada, ciclovia, academia da terceira idade, parque infantil, lago e esculturas de animais.

Aos poucos, uma área antes associada ao abandono se transformou em um dos principais espaços de lazer da cidade. A mudança também atraiu novos investimentos e contribuiu para a valorização dos imóveis da região.

Agora, a segunda etapa pretende repetir a receita em uma área ainda maior. O investimento foi garantido por meio de financiamento internacional junto ao Fonplata.

A previsão inicial era de aproximadamente R$ 38 milhões, mas o processo licitatório reduziu o valor em pouco mais de R$ 6 milhões. A obra será executada pela Contersolo Construtora de Obras.

Para a presidente da associação de moradores, Cleonice Jung, a ampliação atende a uma reivindicação apresentada pela comunidade ainda em 2018.

“É um presente muito grande para nós. É uma alegria que vai além da infraestrutura. Representa carinho e cuidado com a nossa região”, avalia.

“Terrão” também entra no jogo

O tradicional campo de terrão do Bairro Floresta também entrará no pacote de melhorias dos espaços esportivos de Cascavel. O local ganhará novos alambrados e redes de proteção, em um investimento de R$ 101.616.

A mudança foi solicitada pelos próprios jogadores e moradores que frequentam o espaço. Atualmente, quando a bola ultrapassa os limites do campo, muitas vezes vai parar longe, perto das casas ou em outros pontos da região.

Com as redes de proteção, as partidas poderão seguir com mais segurança e menos interrupções.

A melhoria chega em um momento de crescimento dos campeonatos de terrão em Cascavel. As competições vêm reunindo cada vez mais jogadores, equipes e torcedores, mantendo viva uma das formas mais tradicionais do futebol de bairro.

A primeira etapa prevê a instalação dos alambrados e das redes. A intenção do Município é construir novos vestiários e banheiros até o fim do ano, permitindo que os campeonatos de 2027 já sejam disputados com uma estrutura melhor.

Piscina

A piscina do Jardim Colonial, utilizada diariamente em atividades como natação e hidroginástica, também será reformada. O investimento previsto é de R$ 72.726.

Os recursos serão destinados à recuperação do piso e à pintura da piscina, atendendo a uma reivindicação da comunidade da região norte de Cascavel.

O espaço faz parte da rotina de moradores de diferentes idades. Além da prática de exercícios físicos, as atividades desenvolvidas no local contribuem para a saúde, a convivência e a qualidade de vida dos participantes.

Com a reforma, a piscina ganhará uma cara nova e melhores condições para receber quem utiliza o espaço diariamente.

A bola vai voltar a rolar

Campo de bairro é diferente. Não precisa de arquibancada para milhares de pessoas, refletores de estádio ou torcida organizada para ser importante. Bastam duas traves, uma bola e gente com vontade de jogar.

Foi assim durante muitos anos no Santa Cruz.

As crianças cresceram, o bairro mudou e o velho gramado agora desapareceu. Mas as histórias continuam com quem já marcou um gol, tomou um drible, discutiu um pênalti ou simplesmente ficou do lado de fora assistindo a uma partida.

Quando a obra terminar, o lugar estará diferente. Haverá gramado novo, vestiários, arquibancada e mais conforto. Ao redor, pista de caminhada, ciclovia, árvores, espaços para crianças e locais onde as famílias poderão passar o dia.

Outros times serão formados. Novos gols serão marcados. E outras crianças voltarão para casa com a roupa suja e uma história para contar.

Hoje, olhando para aquele terreno, parece que tudo terminou. Há terra onde antes havia grama e silêncio onde antes se ouviam os gritos dos jogadores.

Mas as traves continuam lá.

Elas não marcam o fim do campo.

Só estão esperando a bola voltar.
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