Quem pode representar quem?

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Uma das características que mais despertam curiosidade nas Constelações Familiares é o fato de qualquer participante poder representar outra pessoa. Não importa o sexo, a idade ou o parentesco. Um homem pode representar uma mulher, um jovem pode representar um avô e até mesmo uma criança pode ser representada por um adulto.

Na compreensão de Bert Hellinger, essa possibilidade decorre do Campo Fenomenológico. Nele, o representante não depende de informações prévias para perceber aspectos relacionados à posição que ocupa na Constelação. Sua tarefa é simples: permanecer disponível, observar o que sente e comunicar suas percepções sem interpretações ou julgamentos.

As representações também não se limitam às pessoas. Em determinadas situações, podem representar um lugar, um sentimento, uma doença, um objetivo ou mesmo um destino marcante. O interesse não está no elemento em si, mas na relação que ele estabelece com o restante do sistema familiar.

Uma dúvida frequente entre os participantes é se as percepções vividas durante a representação pertencem à própria história. Hellinger orientava que essa preocupação não deveria ocupar o representante durante o trabalho. O essencial é entregar-se ao processo e distinguir, ao final da Constelação, aquilo que pertence à experiência vivida como representante daquilo que faz parte de sua própria história.

Na maioria das vezes, a escolha de um representante acontece de forma circunstancial. Entretanto, Hellinger chamava a atenção para uma situação particular. Quando uma mesma pessoa é escolhida repetidamente para representar destinos especialmente difíceis, como alguém que cometeu suicídio, isso pode indicar que existe uma dinâmica importante em seu próprio sistema familiar. Nesses casos, o terapeuta deve agir com prudência e evitar expô-la novamente à mesma representação.

Em uma Constelação, o representante empresta sua presença por alguns instantes. Mas um bom terapeuta nunca perde de vista que, antes de representar alguém, ele continua sendo uma pessoa que também merece cuidado.

JOSÉ LUIZ AMES E ROSANA MARCELINO AMES são consteladores familiares e terapeutas sistêmicos e conduzem a Amparar

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