Apartamentos compactos dominam mercado imobiliário de Curitiba e classe média perde espaço

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O mercado imobiliário de Curitiba está cada vez mais concentrado em apartamentos compactos e imóveis de alto padrão, enquanto os empreendimentos voltados para a classe média e segmentos econômicos perderam espaço nos últimos anos. O cenário é resultado do aumento dos custos de construção, mudanças na legislação urbanística e da queda no poder de compra da população.

Os dados foram apresentados pela Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (ADEMI-PR), em levantamento realizado pela BRAIN Inteligência Estratégica. Segundo a pesquisa, Curitiba lançou 1.863 apartamentos verticais apenas no primeiro trimestre de 2026. Cerca de 70% desse total corresponde a imóveis compactos, perfil que também já representa aproximadamente 38% de todo o estoque disponível na capital.

A mudança no perfil dos imóveis acompanha o avanço da locação na cidade. Dados do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), ligado ao Secovi-PR, mostram que 26% dos moradores de Curitiba vivem atualmente em imóveis alugados.

O mercado de aluguel manteve forte movimentação no início do ano, principalmente em apartamentos de um e dois dormitórios. No primeiro trimestre de 2026, o índice de Locação Sobre a Oferta (LSO) residencial chegou a 23,7% na capital.

Vendas de imóveis crescem em Curitiba

As vendas também apresentaram crescimento no período. O índice de Venda de Usados Sobre a Oferta (VUSO) residencial atingiu 4,3%, impulsionado pelos apartamentos de dois e três quartos. No segmento comercial, as vendas cresceram 0,9%, enquanto a comercialização de terrenos avançou 2,1%. O financiamento imobiliário esteve presente em 69,2% das negociações realizadas em Curitiba.

O crescimento dos apartamentos compactos e das locações por curta duração também passou a impactar diretamente a rotina dos condomínios. Administradoras e síndicos enfrentam novos desafios relacionados à alta rotatividade de moradores, controle de acesso, segurança e desgaste das áreas comuns.

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Segundo representantes do setor, um dos principais conflitos atualmente ocorre entre moradores proprietários e investidores que utilizam imóveis para short stay, modelo de aluguel de curta duração que ganhou força nos últimos anos.

Apesar das mudanças no perfil do mercado, o ritmo de vendas segue considerado saudável. Curitiba possui atualmente cerca de 10,6 mil unidades em estoque, com previsão de absorção em menos de 12 meses, índice acima da média nacional.

A pesquisa também aponta estabilidade na intenção de compra de imóveis nos últimos dois anos. Hoje, cerca de 49% dos moradores da capital ainda demonstram interesse em adquirir um imóvel, embora a necessidade imediata de compra tenha diminuído após um período intenso de negociações e trocas de imóveis na cidade.
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