Cidade do Paraná que virou a capital nacional do boné sonha mais alto

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A Prefeitura de Apucarana, cidade no Norte do Paraná, começou no início de maio, o processo de busca de Indicação Geográfica (IG) do boné, principal produto de “exportação” da cidade. A Prefeitura de Apucarana e o Sebrae/PR já assinaram o contrato que formaliza o estudo e prospecção do selo que deve garantir a padronização e atestar a qualidade do acessório produzido na cidade.  A cidade fabrica 80% dos bonés vendidos no Brasil.

O prefeito Rodolfo Mota afirmou que o selo representa um novo patamar para a indústria local e posiciona Apucarana como referência pioneira no Paraná. Ele também fez um paralelo com o sucesso do café da Serra de Apucarana, que já possui IG e está em processo de exportação para Europa e Estados Unidos. “A IG do Boné será a primeira de um produto totalmente industrializado do Paraná, consolidando Apucarana como pioneira nesse segmento”, salientou Rodolfo Mota.

O prefeito ressaltou que o selo de origem não apenas valorizará o produto no mercado de consumo, garantindo procedência e qualidade, mas também abrirá portas para exportações, especialmente com o novo acordo entre Mercosul e União Europeia, que facilita a entrada de produtos com esse tipo de certificação. De acordo com Rodolfo Mota, o Município está investindo R$ 55 mil no processo de certificação, com contrapartida do Sebrae. “Além disso, anunciamos no mesmo ato um investimento municipal de R$ 120 mil para ofertar 240 vagas de cursos profissionalizantes destinados especialmente ao setor de confecções”, completou o prefeito.

Selo vai beneficiar toda a cadeia produtiva de boné

Emerson Toledo, secretário municipal de Indústria e Comércio, lembrou que Apucarana é o maior polo do vestuário do Paraná e a Capital Nacional do Boné. “A valorização do boné de Apucarana beneficiará toda a cadeia produtiva, desde os empregadores até as costureiras, impulsionando o desenvolvimento econômico da cidade”, avaliou.

Tiago Cunha, consultor do Sebrae em Apucarana, detalhou que o processo para pleitear a Indicação Geográfica junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) envolve um trabalho documental extenso. “O registro é conferido a produtos ou serviços característicos do seu local de origem, o que lhes atribui reputação, valor intrínseco e identidade própria, além de distingui-los em relação aos similares disponíveis no mercado. São produtos que apresentam qualidade única e um saber fazer consolidado”, explicou.

O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Apucarana (ACIA), Elio Pinto, relembrou a trajetória construída ao longo das últimas décadas para fortalecer a indústria de confecções no município, destacando a união entre Acia, Sivale, empresários e instituições de ensino na formação de mão de obra especializada. “O novo investimento em capacitação e o IG do Boné reforçam a necessidade permanente de qualificar trabalhadores para acompanhar a evolução tecnológica”, pontuou.

Jayme Leonel, presidente do Arranjo Produtivo Local (APL) de Bonés e Confecções, mencionou que o setor já vem aumentando o volume de exportações e realizando rodadas de negócios, evidenciando o impacto positivo que a IG trará para o segmento. “Essa certificação será fundamental para o setor do boné, fortalecendo e valorizando o produto de Apucarana”, ressaltou.

Neno Leiroz, gerente da Agência do Trabalhador e superintendente do Trabalho e Qualificação, destacou que a conquista representa um novo marco para a principal vocação econômica de Apucarana. Segundo ele, mesmo após quase 16 anos do reconhecimento oficial do município como Capital Nacional do Boné, é agora, na gestão do prefeito Rodolfo Mota, que a cidade avança para consolidar oficialmente essa identidade produtiva por meio da Indicação Geográfica. “Esse é um momento histórico para Apucarana e para todo o setor de confecções, porque fortalece nossa marca, valoriza quem produz e projeta ainda mais o nome da cidade”, afirmou.

Elisabete Ardigo, presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí (Sivale), agradeceu o apoio e ressaltou que a união de forças é o caminho para o futuro. “A certificação IG exigirá que as indústrias se adequem a novos conceitos, tornando-as mais competitivas e preparadas para o mercado”, disse.

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Tiago Cordeiro, representando a Câmara de Vereadores, celebrou o momento histórico, conectando o presente com a trajetória econômica do município. Ele citou a cultura do café, que por muitos anos moveu a economia local, mas sofreu com a geada negra de 1975. “Apucarana se reconstruiu após a geada, transformando-se na Capital Nacional do Boné”, afirmou.

O presidente da Associação dos Cafeicultores de Apucarana, Carlos César Bovo, compartilhou a experiência positiva do café, que já possui o selo. “O IG trouxe algo extraordinário para o nosso café, que hoje já é degustado nos Estados Unidos e desejado na Europa por seu sabor diferenciado”, relatou, e expressou confiança de que o IG do Boné trará o mesmo reconhecimento e visibilidade para o setor.

Tiago Ferreira, gerente regional do Senai, afirmou que, além dos cursos de qualificação contratados pela Prefeitura, a instituição também participa com contrapartida, ofertando outros cursos gratuitos para o setor de confecções e ampliando o alcance do investimento. “É uma satisfação participar de um projeto que une lideranças, entidades e poder público para promover o desenvolvimento econômico”, comentou.

50 anos de história

Foi partir da década de 1970, a produção de bonés se tornou uma das marcas registradas de Apucarana. Inicialmente, a atividade era de pequena escala com a produção sendo realizada de forma artesanal. Porém, com o crescimento da demanda, as fábricas investiram na profissionalização e em novos recursos ao longo dos anos. 

A modernização e expansão se iniciou em 1990, quando a cidade atraiu investimentos e desenvolveu uma infraestrutura adequada para suportar a produção em larga escala. Além disso, as fábricas começaram a adotar novas tecnologias e processos de produção mais eficientes, de acordo com o APL.

Atualmente, indústrias da cidade são as responsáveis pela fabricação de bonés para marcas como Carmim, John John, Osklen, Levi’s, Colcci, Cavalera, Coca-Cola, Ellus e Fórum.
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